13 agosto 2026
Viagem ao fim do poço
06 agosto 2026
Barrabás - Pär LagerKvist
Jorge
F. Isah
Conheci Pär Lagerkvist recentemente e, até
então, era-me um completo desconhecido. Talvez, tivesse visto o seu nome quando
criança, pois gostava de ler a lista dos “nóbeis”, assim como lia a das
seleções campeãs de futebol, dos “óscares” e dos homens mais altos do mundo.
Era um garoto de listas e nada melhor do que verificar todos aqueles a
escreverem seus nomes na história, ainda que não fizesse a menor ideia de quem
fossem.
Assim como os olhos passavam pelas listas,
Lagerkvist também passou por eles, sem deixar lembranças.
Por conta da indicação de um amigo,
comprei o livro “A morte de Ahasverus”, da editora Sator. Infelizmente, ele se perdeu em
minha lista caótica de leituras, que está sempre a mudar e lançar novas
aquisições para o “limbo” até que paguem as suas penas.
Então,
em um sebo, vi uma edição lindíssima da Opera Mundi¹, de Barrabás, e resolvi
fazer jus ao sueco.
Todos
sabemos quem foi Barrabás. E Pär traça uma história fictícia, desde os momentos
da crucificação de Jesus até a morte do protagonista, décadas depois. Assim
como ele, Lagerkvist é econômico na escrita, feita de silêncios — nada
barulhenta — quase seca, sem floreios, mas inquietante e reveladora.
É uma
história de substituição, quando o bandido é salvo da morte pelo Santo.
Barrabás não entende a razão de não ser ele o crucificado, já que Jesus era
inocente e puro. Ele não crê — e não há qualquer fé na divindade de Cristo —
mas ainda assim reputa injusta a morte do puro. Contudo, algo o inquieta: por
que tantas pessoas creem em um homem que se diz Deus mas morre miseravelmente
como escravo? E, por que ele, um criminoso, foi poupado?
A partir
desse evento, quem conhecia Barrabás, incluindo a amante, nota diferenças em
seu comportamento. Ele não é o mesmo. Algo o impulsiona a conhecer mais do
homem e o porquê de tantos venerarem quem o substituiu na cruz. Esse tipo de
morte era o mais infame e humilhante entre todos: ao ponto de não ser aplicada
a nenhum cidadão romano. Como o profeta poderia ser então o Filho de Deus?...
Esse é o cerne do livro. Não se refere à pessoa de Barrabás, mas porque ele não
crê, tenta crer, e, ainda assim, as dúvidas não se dissipam, não importando a
sua condição momentânea. Ele é um homem de incertezas, muito mais do que se
imagina.
Ele
segue cristãos, tenta aproximar-se, mas sempre paira sobre ele o estigma de ser
o culpado pela morte do mestre. E isso, cada vez mais, cai sobre os ombros como
a única convicção.
Quando
livre, sente-se preso ao destino. Quando escravo, há apenas resignação. E se
busca compreender aquele fato — o divisor da sua vida — nada parece fazer
sentido, nem mesmo quando a fé alheia põe à prova o seu ceticismo.
Não é
questão de hipóteses metafísicas, onde a mente passeia sem pisar em terra
firme, mas de sentido onde a razão é um fio de cabelo solto na ventania.
E,
talvez, os verdadeiros grilhões sejam a impossibilidade de fé, e dela
arrastá-lo como um trapo na lama.
Ele, o
liberto, está mais preso do que nunca. O vivo, está morto. Enquanto o
crucificado vive. Ainda que na alma de uma multidão de súditos, dispostos a
morrer para manterem-se escravos. Qual a lógica?... Está muito além da sua
compreensão. Mas, no íntimo, como gostaria de prová-la.
Lagerkvist
não culpa ou absolve Barrabás². Revela a sua humanidade:
do homem caído, sem rumo, e cujo coração, moldado pela descrença, não sabe no
que crê, ou melhor, se recusa a crer... Nada de amigos, cúmplices, deuses e,
nem ele mesmo. A medalha com os dizeres: “Christos Iesus” feita pelo colega,
Sabak — um cristão — e posteriormente riscada —com uma cruz — pelo governador
romano, a quem serviam, era mais um emblema de maldição do que graça.
Diante
da morte, Barrabás apostata, sem nunca na verdade ter se convertido, enquanto
Sabak permanece firme em sua fé, e, por ela, é condenado à morte.
No fim,
o homem a quem Barrabás perseguiu mas jamais alcançou, trouxe-lhe à mente as
suas últimas palavras:
— A ti
entrego a minha alma.
E não
sabemos se a verdade enfim o salvou... Apesar da morte.
1- Comprei a edição da Opera Mundi, mas a leitura se deu na edição da Editora Sator.
2 - Da
mesma forma, Pär Lagerkvisk parece não acusar ou inocentar a Deus.
29 julho 2026
Mártires Modernos: Richard Wurmbrand
Jorge F. Isah
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Quem
foi Richard Wurmbrand?
Ele
nasceu em Bucareste, Romênia, em 1909 e faleceu em Torrance, EUA, em 2001.
Pertencia a uma família de origem judaica, e mudou-se para Istambul, Turquia,
quando criança. Aos 9 anos, perdeu o pai, e apesar de não possuir uma educação
formal refinada, era leitor voraz e, antes dos 10 anos, leu por completo todos
os livros que havia em casa. Não recebeu, contudo, qualquer orientação
religiosa, pois seus pais consideravam-se agnósticos e não pertenciam a nenhum
grupo ou comunidade do gênero.
Aos
15 anos, com a sua família, retornou ao seu país natal, e após a consolidação da revolução bolchevique,
ainda adolescente, foi enviado a Moscou para estudar e tornar-se agente
marxista na Romênia. Foi integrante do Comintern (organização
internacional com o fim de expandir o comunismo pelo mundo, criada por Lenin) e
era líder e agente designado e pago diretamente pelo governo de Moscou. Considerava-se,
até aquele momento, agnóstico como seus pais.
Casou-se
com Sabina Oster, em 1936. Converteram-se a Cristo em 1938, por meio do
testemunho de um carpinteiro, o sr. Wolfke,
ativo participante da missão anglicana na Romênia. Richard estudou e foi
ordenado pastor pelas igrejas Anglicana e Luterana. Em 1944, com a invasão
soviética ao seu país e a implantação do regime comunista, Wurmbrand iniciou o
ministério de pregação do evangelho junto aos soldados romenos e do exército
vermelho. Uma das primeiras diretrizes do novo governo, e sempre ocorre em
qualquer regime totalitário, é a necessidade de controlar a igreja através de
leis, penalidades e indivíduos capazes de debelar, fiscalizar e restringir seus
fundamentos e princípios, tornando-a em mero tentáculo ou apêndice do Estado.
Com isso, Wurmbrandt e outros líderes cristãos foram obrigados a criar a
“igreja subterrânea”, nos moldes da “igreja primitiva”, reunindo-se
clandestinamente a fim de não se submeter à ingerência e intervenção estatal, ou
seja, não se subordinar ao culto ideológico e idólatra de governantes e seu
poder. A principal ameaça a pairar sobre a igreja não eram as perseguições,
apropriações, torturas e mortes de seus membros, mas o tornar-se inócua, reles,
como as diretrizes governamentais ansiavam e jamais conseguiram, por meio da
criação e instalação de uma “igreja oficial”.
Muito
desse período, inclusive os 14 anos em que permaneceu preso pelo governo nas
masmorras comunistas, pode ser conhecido em seu livro “Torturado por Amor a
Cristo”², no qual relata, em detalhes, os flagelos físicos e psicológicos;
o sadismo dos carrascos, incapaz, entretanto, de enfraquecer a fé e o
testemunho através dos quais muitos deles, soldados e torturadores, se
converteram a Jesus Cristo.
A
considerar-se, primeiramente, o fato do pr. Wurmbrand não ter a menor pretensão
de escrever uma obra literária sofisticada, mas um testemunho de vida cristã. O
livro é simples na linguagem e, de certa forma, em alguns aspectos, rústico,
porém, a objetividade tem um significado: o de expressar correta e fielmente o
período em que a Romênia esteve dominada pela ideologia marxista, e foi uma
"colônia" soviética.
Os
relatos de prisões arbitrárias, torturas, mortes, e das práticas mais cruéis de
persuasão, a fim de os presos delatarem amigos, parentes e irmãos de fé — e a tentativa
de "convertimento" ao comunismo — são dignas dos períodos mais
bárbaros que a humanidade já presenciou.
Apenas
como reflexão: não é interessante como tantos — e o número só vai crescendo —
acusam os EUA de colonialista, enquanto a antiga URSS e os atuais países
comunistas são tratados como centros democráticos e que não se interessam pela
expansão de suas ditaduras mundo afora?... Chame-se a isso também pelo seu nome real:
hipocrisia.
Como
alguém já disse: “acuse-os daquilo que você mesmo defende e é!”; assim o mundo
vai se transformando, pouco a pouco, em um grande cárcere a céu aberto, onde
nem mesmo o pensamento contrário é possível. Se uma única palavra for
interpretada de maneira errônea ou equivocada por um” ouvinte” — o famoso X9, delator ou “dedo -duro” —, o
peso da mão arbitrária será sentido. Cada vez mais a humanidade vai se “homogeneizando”
naquilo de pior e injusto a aflorar a insensibilidade e torpor. E toda
unanimidade sendo burra — parodiando Nelson Rodrigues —, as ideologias insistem em tornar o mundo o lugar mais tacanho que existe.
Segundo,
os relatos da fé e do preço pago pelos cristãos por não se sujeitarem à
ditadura — isso mesmo, cristãos são perseguidos em todos os lugares, exatamente
por não se sujeitarem à idolatria Estatal, à "onipresença" da
burocracia, como um "deus" a cuidar de todos os aspectos do
indivíduo, tornando-o em menos do que um escravo, um objeto descartável e
descartado ao bel-prazer do governante ou “sistema” —, pois um dos objetivos das
ideologias é a criação de uma "nova sociedade", de "um mundo
perfeito", e, para isso, a tradição judaico-cristã, a família, a
propriedade privada, a moral, e tudo o que fundamentou a civilização ocidental,
tem de ser destruído — afinal, o Estado não é laico, mas ateísta, diz não ser
religioso, mas tem seus dogmas, culto e ídolos. O Cristianismo é o principal
empecilho, já que os cristãos verdadeiros não terão como Senhor ninguém além de
Cristo e, para os ideólogos de plantão, tal convicção é simplesmente
inaceitável, um verdadeiro absurdo.
Em
tempos de cristãos marxistas, cristãos direitistas, cristãos liberais, cristãos
conservadores — e um leque ainda maior de “palavras compostas”—, podemos dizer
que esses cristãos duplicados são realmente semelhantes e seguidores de Cristo?
Ou apenas tentam legitimizar aquilo que, mesmo inconsciente, reputam por
ilegítimo e imoral? Defender o indefensável, acreditando que o indefensável
deve ser protegido e resguardado pelo discurso e não pelas ações, é sinal de
que o cinismo se camuflou de compaixão para correr livremente.
De
maneira dissimulada, tem-se alastrado o chamado "evangelho social",
uma porta para a entrada do radicalismo em suas formas mais hipócritas, artificiais
e finórias, colocando cristãos contra cristãos, num mundo onde o discurso e não
a evangelização ganha cada vez mais "relevância", essa palavra que
surge sempre a sair da boca dos defensores de alguma causa enquanto a vida se
torna um mero detalhe.
O
número de testemunhos de fé e amor a Cristo, ao Evangelho e ao próximo,
relatados pelo pr. Wurmbrand é comovente — e em muitos aspectos deixam-nos
envergonhados —, e deveria servir de um "despertar" para a maioria de
nós, cristãos, adormecidos e embalados por um discurso de acomodação e
leniência em relação ao pecado, ao imoral, e a um Inferno cada vez mais cheio,
onde as pessoas não têm a oportunidade de ouvir as verdadeiras “boas novas, contentando-se
com uma diluição maligna da sua mensagem, em favor de "um mundo
melhor", onde as vidas, via de regra, estão cada vez piores e mais
afastadas de Deus.
Desde
já, aconselho a cada cristão, e mesmo o não cristão, a comprar o livro e lê-lo,
avaliando-se, a si mesmo, se é aquilo que imagina ser ou se está verdadeiramente
sendo (de)formado por discursos, promessas e esperanças falsas, a levar “gato
por lebre”, sem poder dizer, ao menos, ter sido engambelado.
____________
O
pr. Richard Wurmbrand criou a missão “Voz dos
Mártires”,³ em 1967, a fim de denunciar,
auxiliar cristãos perseguidos pelo mundo, orar e levar as “Boas Novas” do
evangelho de Cristo aos seus algozes.
_______________
Alguns trechos:
1) Richard, conversando com um preso russo, na Romênia ocupada pelos nazistas,
durante a II Grande Guerra:
"Era
um trabalho dramático e muito comovente. Nunca me esquecerei do meu primeiro
encontro com um prisioneiro russo. Ele me havia dito que era engenheiro.
Perguntei-lhe se cria em Deus. Se ele houvesse dito "não", jamais me
incomodaria tanto. É direito de cada homem crer ou descrer. Porém quando lhe
perguntei se cria em Deus, ele levantou os olhos para mim, sem me entender, e
disse: "Não tenho ordem militar para crer. Se eu tiver uma ordem,
crerei".
“Lágrimas
correram no meu rosto. Senti meu coração quebrantado. Diante de mim estava um
homem com uma mente morta, um homem que havia perdido o maior dom que Deus dera
à humanidade - o de ser um indivíduo. Ele havia passado por uma lavagem
cerebral e se tornado um instrumento nas mãos dos comunistas, preparado para
crer ou não em uma ordem. Não podia mais pensar por si próprio. Era um russo
típico depois de todos esses anos de domínio comunista!"
2)
Definindo a experiência sobre o poder comunista, em relação à experiência sobre
o poder nazista (lembre-se, Wurmbrand é um nome judeu):
"A
partir do dia 23 de agosto de 1944, um milhão de soldados russos entraram na
Romênia e logo após os comunistas assumiram o poder do nosso pais. Então
começou um pesadelo que fazia o sofrimento sob o Nazismo parecer nada."
3)
Na cooptação da igreja:
"Desde
que os comunistas assumiram o poder, cuidadosa e astutamente para os seus
propósitos, têm seduzido a igreja".
4)
Sobre o Congresso de cristãos, no Parlamento Romeno:
"Ali
estavam quatro mil padres, pastores e ministros de todas as denominações. Esses
quatro mil padres e pastores escolheram Joseph Stálin como presidente honorário
do Congresso. Ao mesmo tempo era presidente do Movimento Mundial dos Ateus e
assassinos dos cristãos. Um após outro, bispos e pastores se levantou ao nosso
Parlamento e declararam que Comunismo e Cristianismo são fundamentalmente a
mesma coisa e podem muito bem coexistir. Um após outro, os ministros ali
presentes pronunciaram palavras laudatórias ao Comunismo e asseguraram ao novo
governo a lealdade da igreja... Então me levantei e falei ao Congresso,
exaltando não aos matadores de cristãos, mas a Cristo e Deus, e afirmei que
nossa lealdade é devida em primeiro lugar ao Senhor... Depois tive de pagar por
isto, mas valeu a pena!"
5)
Sobre as traições:
"Aqueles
que se tornaram servos do Comunismo, em lugar de servos de Cristo, começaram a
denunciar os irmãos que os não acompanhavam".
6)
Sobre as torturas na prisão:
3- Voz dos Mártires: https://www.vozdosmartires.pt/
25 julho 2026
Malemolência Tupiniquim
Jorge F. Isah
Tem coisas que somente os brasileiros fazem, dizem por aí. Existem
hábitos (para alguns, manias) típicos e quase exclusivos nossos, tupiniquins.
Um deles, e talvez o mais difícil de se entender, é o de comer pizza com
talheres. Normalmente, mundo afora, come-se essa iguaria com as próprias mãos,
aos moldes alimentares dos nossos queridos “hermanos” silvícolas. Para os
“gringos” é abominável degustar tão saboroso (e gorduroso) alimento sem
apalpá-lo, afagá-lo e apertá-lo entre os dedos. Chega a ser um fetiche. De
nossa parte, esse negócio de comer pizza com as mãos deveria ser proibido e
constar no código penal, com sentenças de 15 a 20 anos de prisão, sem direito a
fiança e atenuação de pena. Deveria incluir trabalhos forçados; mas isso é
sonhar demais, né!
Onde já se viu comer com as mãos? Ainda mais pizza? Já imaginou
quantos micróbios e bactérias poderíamos ingerir?... E, depois, são esses
“selvagens” a obrigar-nos ao uso de máscaras. Gente sem noção...
_____________
Outro particular, é a existência de cesto de lixo nos banheiros.
Lá fora, eles simplesmente jogam no vaso sanitário o papel higiênico junto com os
seus dejetos. Parece lógico, já que conservar restos fecais em cestinhos não
tem nada de civilizatório e higiênico. Seria o mesmo que manter o seu Título
de Eleitor em um cofre forte enquanto espalha dinheiro e joias pelas mesas
e cômodas da casa. Dizem que as eleições, mais do que um dever é um direito.
Ah, se fosse assim, veríamos filas semanas adentro, verdadeiros acampamentos,
nos portões das seções eleitorais. Mas essa atitude é típica dos fãs de
estrelas do rock, dos consumidores loucos por promoções, ou dos psicóticos
usuários de iPhone. Ninguém monta barraca, literalmente traz travesseiro,
cobertor, cadeira de praia, garrafa térmica e biscoito amanteigado para votar. Nada
mais justo do que abolir os cestinhos dos banheiros e qualquer esperança nos
eleitores.
____________
Brasileiro gosta de banho. Ao contrário de boa parte do mundo, é costume
nacional lavar-se diariamente. Há aqueles que não se limitam a um, mas tomam
dois ou três. E veem depois falar em ecologia. Querem prender a senhorinha que
esfrega o passeio uma vez por semana e o moleque que lava o carro
quinzenalmente. Mas aqueles intermináveis 40 minutos de ducha, três vezes por
dia, não causam qualquer impacto na natureza. É o típico cara a tirar o cisco
do olho alheio enquanto mantém a trave no seu.
Aqui as coisas são tão estranhas que se criou o termostato de
chuveiro, para impedir o excesso de tempo entre um enxague nos cabelos e outro
nos pelos pubianos.
Essa mania se espalha a quase tudo, até mesmo nos altos escalões.
Houve um tempo, não muito distante, onde se criou a “Operação Lava-Jato”, cujos
efeitos foram tão rápidos e inócuos — graças
a artifícios interpretativos de certa Corte — que todos os "sujões” estão
a emporcalhar o país de novo. Nem uma fonte de água sanitária molhando-os
ininterruptamente daria cabo dessa bodega. Ou seja, não adiantam banhos, pois
jamais seremos devidamente “limpinhos”.
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Talvez, por sermos tão “sui generis”, o mundo desconhece que
“hablamos” português, e acreditam piamente que o Brasil é um país de língua
espanhola. Não sei o que os lusitanos esperam e fariam, mas, se fosse eu,
ficaria quietinho e deixaria toda a culpa para os hispanos.
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Se
você conhece outra mania, e quer “expô-la” publicamente, mande-nos o seu e-mail
com a sugestão e um PIX para a conta do editor.
20 julho 2026
Olhos de Fome - Michel Salomão
Jorge F. Isah
Este livro foi lançado recentemente, em dezembro de 2025, mas sua gestação se deu ao longo dos últimos quarenta anos — um pouco mais ou menos: foi um parto programado e longo.
Michel Salomão esteve às voltas com a
burocracia, especialmente a ainda mais burocrata e menos eficiente, a justiça. Contudo,
nada o impediu de sonhar, conceber e dar à luz ao seu projeto mais ambicioso e,
por que não, mais ansiado — para o pequeno círculo de amigos que estavam a par
da sua criação. Nesse período, o autor produziu muito do que está em suas
páginas, com o vigor, desprendimento e convicção de que o seu processo criativo
era, no mínimo, estranho e estranhamente real e imaginativo, sem a distinção de
onde um começava e onde o outro terminava. A realidade pode muitas vezes ser
impalpável, enquanto a imaginação pode ser, por seu lado, extremamente concreta.
Cabe a uma e outra suas porções de evidências e mistérios.
Pois, finalmente, “Olhos de Fome” está
entre nós. Não como mais um livro, mas o livro dentro de tantos outros que a
vida de Michel produziu e a maioria dos leitores não terá acesso. Se há um
consolo é o de que, na personalidade surpreendente do autor — que se mistura à
estranheza de suas criações — a possibilidade é real de encontrar traços e
componentes que indiquem a saída do labirinto de sentimentos, afetos e paixões
que personificam o ser humano, em maior ou menor grau, nos símbolos e camadas
do texto.
A obra é uma coletânea de contos escritos
nas últimas décadas, sendo a maioria nos últimos três, quatro anos, com o
advento da Revista Bulunga. Neles encontramos a mesma estética de surpreender o
leitor com temas aparentemente banais, mas que causam desconforto e empatia, ao
nos ver refletidos nas formas — ou “fôrmas” — e nos identificamos, por exemplo,
com o funcionário medíocre, o megalomaníaco, o psicótico, o ranzinza, ou a
mulher — do conto inicial que dá título ao livro — que, incapaz de intimidade,
utiliza o sexo como forma de poder, tenta não repetir a herança violenta, mas
apenas a ressignifica. Em nenhum momento, o livro é conciliador, reconfortante,
ou apela para os clichês modernosos.
Ainda que não exista um nítido desejo de absolvição,
os temas e personagens são apenas expostos, sem sentimentalismo ou pieguice,
sem atenuar os conflitos ou descaracterizá-los. Se está a procura de literatura
reconfortante ou conciliadora, em que os dilemas sejam apagados em um passe de
mágica, vade retro, desista. Mas se quer realmente conhecer a alma
humana, com todos os seus dramas — muitos, patéticos —, dúvidas e aquele
deslocamento natural e sincero, é um prato cheio.
Porém, não se esqueça: em quase todos os
escritos de Michel, você sempre encontrará aquelas pitadas — em maior ou menor
grau — do humor satírico, provocativo, irônico e, por vezes, deliberadamente
hiperbólico e caricatural. É assim que funciona. É assim que deve ser. Tal qual
Bukowski, Stanislaw Ponte Preta e Millôr Fernandes, capazes de transformar o
feio, o banal e o rotineiro em algo intenso e, às vezes, belo e otimista.
O mais engraçado, se me permite, é quando notamos
o narrador a rir de si mesmo, a fazer do seu caráter, dogmas e conceitos, a
base ideal para a autocaricatura e, assim, tirar sacadas e risos diante do
espelho. É quando o riso do leitor ao personagem se volta ao narrador e, quase
sempre, ao autor. Tem-se o círculo perfeito, inquestionável. E disso vive a boa
literatura, desta capacidade autodepreciativa e nada ufanista.
Para quem “torce o nariz”, atire a
primeira pedra. Porém,
esteja
consciente de que ela pode voltar como um bumerangue.
_______________________
Avaliação:
(****)
Título:
Olhos de Fome
Autor:
Michel Salomão
Páginas:
245
_______________________
15 julho 2026
Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 48: Autoridade e Sustento Pastoral - Parte 2
Segundo, muitos dirão: "Veja quantos pastores profissionais existem, que sugam tudo o que podem dos fiéis, extorquindo-os com falsas promessas de bênçãos enquanto se empanturram de dinheiro, gastando-o da forma mais mundana possível, em bens materiais e suntuosidade". Reconheço, é verdade. Há muitos líderes que "vendem" o Evangelho, tratando-o não menos que um produto rentável. Mas isso representa dizer que todos são mercenários? Que estão buscando o que lhes é próprio ao invés da glória de Deus? Não! E a despeito de todos os falsos mestres (os quais estão sob a ira de Deus), a Bíblia exorta a igreja a suprir as necessidades dos que pregam a palavra.
Terceiro, nossa igreja é pequena e de poucos recursos; auxiliamos o nosso pastor em seu sustento, contudo, ele trabalha secularmente seis dias por semana, 10 horas por dia, para suprir as necessidades de sua família. E percebo que se ele fosse um pastor de tempo integral dedicado à igreja, tanto os membros como os trabalhos evangelísticos seriam fortalecidos.
Quarto, não quero generalizar, mas, normalmente, os que atacam o sustento pastoral são aqueles que se acham dignos de serem crentes, desde que não tenham de sacrificar nenhuma parte dos seus bens. De certa forma, o que move os "mercadores da fé" é o mesmo que os move: a avareza, o amor ao dinheiro.
Quinto, há os que tentam espiritualizar o que não é espiritual. O Evangelho de Cristo é espiritual, porém, proclamado fisicamente pelo pregador, pela impressão de Bíblias (por mãos incrédulas, muitas vezes), em suma: por meios humanos. Tentar provar que a pregação do Evangelho não é trabalho (seja remunerado ou não) é contradizer o próprio tratamento dado à questão por Jesus (Jo 4.38, 5.17), e Paulo (1Co 3.8, 15.58; Cl 1.29; Hb 6.10).
Feito os esclarecimentos, analisemos alguns versículos que tratam do assunto:
1) "Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado?" (1Co 9.7).
O que o apóstolo está dizendo? Aqueles que pregam o Evangelho que vivam do Evangelho (1Co 9.14). Paulo reinvindica o direito de ser sustentado em seu ministério pela igreja. Como afirma: "Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar?" (1Co 9.6). Provavelmente os coríntios acusavam Paulo de "mercadejar" o Evangelho, de procurar o benefício próprio, de pregar o Evangelho por motivos mundanos. Porém, revela-lhes que tanto ele como os demais apóstolos têm o direito de terem o sustento para si e suas famílias, e de que essa responsabilidade cabe à igreja (1Co 9.4-5). Não é o que parece ao afirmar "Esta é minha defesa para com os que me condenam" (1Co 9.3)? E "Digo eu isto segundo os homens?" (1Co 9.8). Ao que arremata: "Ou não diz a lei também o mesmo?" (1Co 9.8).
Paulo prossegue a argumentação protestando que, aquele que lavra e debulha (ou seja, aquele que trabalha), lavra e debulha com esperança de ser participante (1Co 9.10). E continua: "Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais?" (1Co 9.11). O apóstolo declara que esperava colher muito menos dos coríntios do que lhes tinha dado, mas ainda assim, esperava obter o necessário para a sua subsistência.
A sequência à qual Paulo expõe o seu pensamento é extremamente lógica, e impossível de não entendê-la, a menos que seja lida com premissas falhas. É o que muitos dirão, justificando-o com o v. 12: "Se outros participam deste poder sobre vós, por que não, e mais justamente, nós? Mas nós não usamos deste direito; antes suportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Cristo".
Atentamos que o verso fala de um "direito" que o apóstolo possuía, o qual era o de ser mantido pela igreja. Porém, diante das dúvidas levantadas pelos coríntios, e da própria resistência da igreja em ajudá-lo, ele não "usou" esse direito, para que a descrença dos coríntios não aumentasse, e fosse "impedimento" para a proclamação do Evangelho. Dizer que Paulo censurou os ministros que são sustentados pela igreja é distorcer completamente o sentido daquilo que ele próprio diz.
Resumindo: Paulo não pregava o Evangelho por causa das recompensas, por aquilo que a igreja iria lhe dar; ele pregava o Evangelho por amor a Cristo e aos eleitos (2Tm 2.10), contudo, esperava que, como igreja, os irmãos suprissem as suas necessidades.
2) "Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário; e quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado" (2Co 11.8).
Qual de nós, vendo o irmão em necessidade, vira-lhe as costas? Foi o que os coríntios fizeram em relação a Paulo. E ele os exorta com tristeza, sabendo que negligenciaram o seu compromisso para consigo; porém com o nítido objetivo de não somente apontar-lhes o erro, mas de levá-los ao arrependimento e correção. Senão, por que tocar no assunto?
Há quem entenda que Paulo está condenando os que recebem salário, como alguém que é "pesado" à igreja, um usurpador (ao contrário, o que ele diz dos coríntios é que suas atitudes eram usurpadoras, eles é que "roubavam" dos macedônios ao receber o Evangelho de graça, sem nenhum sacrifício).
É claro que há casos e casos. Aqueles que se utilizam da posição de liderança no ministério para o enriquecimento, a abastança material, o deleite carnal, o consumismo desenfreado, e o apego sórdido ao dinheiro (seja pastor ou não) comete pecado, e é injusto. Em outras palavras, quem age assim sequer é convertido. Porém, o fato de muitos agirem desta forma (e, infelizmente, parece que o pastoreio se tornou num novo "toque de Midas" o qual transforma tudo o que põe a mão em ouro), não representa que o princípio da subsistência ministerial seja antibíblico.
Novamente, Paulo escreve aos coríntios dando-lhes "um puxão de orelhas", entre outras coisas dizendo que eles deveriam agir e viver como igreja. Havia muita divisão entre eles, muito sectarismo; e para a sua tristeza, especialmente por que plantara a igreja, eles o desprezavam em detrimento aos falsos apóstolos (2Co 11.1215) os quais, certamente, eram os que o caluniavam junto ao povo.
Ele defende-se de que, em nada é menor do que os demais apóstolos e, portanto, tem o mesmo direito que os demais tinham, inclusive o de viajar com sua família, como Pedro fazia (2Co 11.5). Mesmo solteiro, Paulo reivindica esse direito, o de constituir uma família e poder viajar com ela no seu ministério.
Temos de entender que o fato de Paulo pregar de graça aos coríntios, e os coríntios o receberem sem se preocupar com as suas necessidades, é motivo de glória para o apóstolo e de "desglória" para a igreja de Corínto, ainda que isso não os impediu de serem abençoados pela pregação do Evangelho. É o que ele diz: "Pequei, porventura, humilhando-me a mim mesmo, para que vós fôsseis exaltados, porque de graça vos anunciei o evangelho de Deus?" (v. 7).
À frente, no capítulo 12, vem-nos a confirmação: "Pois, em que tendes vós sido inferiores às outras igrejas, a não ser que eu mesmo vos não fui pesado? Perdoai-me este agravo... Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado" (2Co 12.13,15 - grifo meu). Parece-me que Paulo coloca os coríntios em pé de igualdade com as demais igrejas, a não ser pelo fato dele não ter sido "pesado" a ela. Em outras palavras, os coríntios estavam numa posição "inferior", em débito, por não terem com essa beneficência demonstrado "amor" ao apóstolo. É assim que Paulo os retrata: enquanto o seu amor por eles aumentava a ponto dele se sacrificar para pregar-lhes o Evangelho (o que implica em passar necessidades), a igreja de Corinto não se dispunha a auxiliá-lo em seu sustento, como prova de amor.
No fim das contas, o que importa é isso: o amor a Cristo e Seu Evangelho, o que resulta em obediência.
Apêndice: De certa forma, o mesmo sectarismo que Paulo aponta entre os coríntios, vemo-lo hoje. A Igreja está tão dividida, inclusive pelos que pregam unidade, pelos sem "placas" nem "nomes", pelos que se julgam filhos "exclusivos" de Deus, pelos que se consideram "libertos" mas estão presos ao pior farisaísmo existente, e acabam por se esquecer do principal: pregar o Evangelho de Cristo crucificado (1Co 2.2).
Perdemos tempo com "outros" evangelhos, e negligenciamos o que realmente importa. Com isso, não quero jogar para "debaixo do tapete" os problemas da igreja, muito menos pregar o evangelho ecumênico. Longe de mim cometer estes pecados. Mas, se ao invés de gastar o precioso tempo de que dispomos tentando "corrigir" os erros de outras igrejas e denominações, preocupássemos conosco, nossos irmãos e igreja certamente estaríamos "salvando" a nós mesmos e aos nossos queridos... Um minuto! Não confunda uma frase hiperbólica com salvação de verdade, a qual apenas o nosso Senhor Jesus Cristo é capaz de realizar. Quero dizer é que, nos preocupamos em "salvar" os outros (pelo menos nos enganamos com essa idéia), quando na verdade o nosso objetivo é "revelar" o quanto estão errados e desviados do caminho; e assim nós mesmos acabamos nos desviando do caminho, substituindo o amor pelo legalismo, a mera acusação, e a autoexaltação. E, por favor, não confundam essa declaração com a condenação à disciplina bíblica, pois a disciplina é atributo da igreja, do corpo local, e não de irmãos isolados que falam por si só, como se fossem a própria voz de Deus (estes, se forem eleitos, são alvos da disciplina divina).
Deus levantará segundo a Sua santa vontade irmãos que farão o trabalho apologético, defendendo a fé bíblica apontando o erro daqueles que são antievangelho, e mesmo dos cristãos que "deslizaram" em um princípio ou outro. Mas, infelizmente, o que acontece é que, de uma hora para a outra, a maioria se arrogou e arvorou apologista, e saiu "atirando" para todos os lados, como uma metralhadora descontrolada.
Enquanto isso, sorrateiramente, o diabo planta dentro do corpo local suas heresias, mas como nossos olhos estão voltados para os erros alheios (de outras denominações e outros irmãos denominacionais, cuja disciplina não está ao nosso alcance), permitimos que a nossa omissão e desleixo corrompa-nos também.
O pior é que muitos nem sequer participam do corpo local, acreditando num cristianismo solitário e individualista, numa clara rebeldia aos princípios bíblicos que dizem defender. No fundo, se consideram superiores e melhores do que os mandamentos de Cristo; e sentam-se confortavelmente em suas torres de observação, desprezando-a, ridicularizando-a, pois sequer passa-lhes pela cabeça submeter-se à autoridade com que o Senhor investiu-a.
São "livres" para bater à vontade, contudo, esquecem-se de que, caso sejam eleitos, a mão disciplinadora de Deus está sobre eles. Se não forem, não há disciplina, mas a condenção eterna os aguarda.
A melhor forma de se pregar o Evangelho de Cristo é pregando o Evangelho de Cristo, e não combatendo o antievangelho. Qualquer um pode combater (pois nem mesmo argumentos precisa-se ter, apenas vontade, disposição), mas poucos são capacitados a viver o Evangelho, pois para isso é preciso ser convertido por Cristo, regenerado e lavado no Seu sangue.
A melhor forma de se lutar contra a fraude e a heresia é expondo a verdade bíblica. De nada adianta refutar a heresia se não se obedece aos mandamentos do Senhor, e assim fazendo-o, demonstra não amá-lO (Jo 14.15) e, "em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens" (Mc 7.7).
Portanto, é urgente que antes de se entrar numa "caça às bruxas", que se viva o Evangelho, testemunhando a Cristo nosso Senhor. Fim do apêndice.
Finalizando, transcrevo mais uma vez as palavras do apóstolo Paulo: "Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário" (1Tm 5.17-18); porque "se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente. O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos. Considera o que digo, e o Senhor te dê entendimento em tudo" (2Tm 2.5-7).
Timóteo ouviu.
E, nós?
10 julho 2026
Copa, carnê e caviar
Aqui e acolá, assisto a um e outro jogo da Copa, e
algo que salta aos olhos é como os torcedores se mostram festeiros e animados —
quase chego a dizer felizes — antes e durante os jogos... claro, até aquele gol
adversário.
Países com problemas econômicos, sociais,
políticos e, quiçá, existenciais, na América são representados por cidadãos
saudáveis, bonitos e eufóricos, todos com seus Galaxys Ultra e iPhones Pro Max erguidos
como troféus olímpicos à caça dos três segundos de eternidade no feed.
Cá estou eu com o meu Moto G, me
perguntando se não seria hora de arriscar tudo em um carnê de vinte e quatro
prestações e ter a minha parcela de alegria. Mas então me lembro: alegria de
pobre dura pouco.
É tanta gente bonita que chego a
desconfiar de IA ou coisa que o valha. Esqueço a fila do SUS, os odores do
metrô e as matérias orgânicas das calçadas.
A festa não estaria completa sem os
narradores e comentaristas, que disputam a tapas os espectadores — como se sofressem
de hipoacusia severa. Entre a publicidade de cerveja e casa de aposta, temos a
certeza de que se a Copa fosse mensal ninguém mais teria fome ou boletos.
Convenhamos, é um fenômeno e tanto. O país
para. Em dia de jogo, ninguém pensa em mais nada. Famintos, desempregados e
endividados se unem em comoção pelas cores verde e amarela — bandeiras, camisetas,
faixas... ruas, muros e fachadas. Nada de lembrar da luz atrasada. Mas a assinatura da Tevê está em dia. O resto
que se dane.
Seja na eliminação precoce ou não, daqui a
duas semanas tudo voltará ao normal. E os momentos de comunhão quase espiritual
— entre odes e hinos e unção coletiva — darão lugar às filas, engarrafamentos, xinglings
roubados para uma cervejinha. Afinal, ninguém é de ferro... até as eleições...
quando bufantes e histriônicos, os eleitores darão a sua parcela de caviar e
mansão em Miami para os escolhidos.
Em quatro anos, verá tudo de novo... mesmo que os seus olhos insistam em dizer o contrário, e você acredite.
Jorge F. Isah
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Nota: Publicado originalmente na Revista Bulunga
06 julho 2026
Noventa minutos de patriotismo
Jorge F. Isah
"O Brasil ganhou!... O Brasil ganhou!”
Seja lá o que isso representa. Foi um jogo contra os
japoneses, que já não são os mesmos. Na Segunda Guerra, endureceram muito mais
a peleja do que hoje. Tudo bem, os motivos são outros, mas a idolatria é a
mesma.
No Japão, o esporte mais popular é o Baseball, depois vem a
competição de hashis nas feiras de Tóquio. O futebol deve vir logo após o “Torneio nacional
de organizar filas”.
Não sei de você, mas o foguetório, gritos e palavrões em
brados efusivos lembraram-me a comoção da queda do Muro de Berlim, a vitória do
Miss Universo por um LGBTQ+ , e a eleição do presidente mais honesto que já
existiu. Ninguém se lembra dos preços nos supermercados e da prestação atrasada.
Veja o caso do juiz que resolveu apitar depois da partida e
marcou penalti contra certa empresa por não haver mulher em cargo de gerência. Se
a moda pega, a próxima Copa começará e terminará sem futebol. Pois o lema é:
“Não ao futebol. Mais igualdade social”.
Susete e Geni para os lugares de Messi e Vozinha. E Marciele
no de Ancelloti.
Um juiz pode dizer como administrar uma empresa privada, mas,
por que raios o Estado está falido?... Vai ver, acham que a competência discrimina.
Como pode privilegiar quem faz o certo e melhor?
Viva os “pernas-de-pau”!
Enquanto as vitórias chegarem, não existe povo mais
patriótico. Já a primeira derrota e aquele país de “m...” será cantado aos
quatro ventos, no refrão inédito do crooner, enquanto balança as nádegas no
banheiro.
Se quatro anos passam rápidos, o espírito nacional anda em
marcha a ré. Até os próximos noventa minutos, com chance de prorrogação.
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Nota: Texto publicado originalmente na Revista Bulunga
30 junho 2026
Como ser um idiota em três passos
Jorge F. Isah
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25 junho 2026
Tania e o bordel: Patty Hearst e o SLA
Jorge F. Isah
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Wells como Hearst
Marcus
Foster assinado pelo SLA
Myrna Opsahl morta pelo SLA
Tania
em assalto a banco
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