17 setembro 2026

Independência ou Morte!

 




Aquele ditado, “o último a sair, apague a luz”, nunca foi tão falso. Por aqui, a energia foi cortada há tempos e na escuridão as pessoas trombam umas nas outras e batem as cabeças nas paredes.

Aquela máxima positivista da bandeira, “Ordem e Progresso”, não serve nem de lembrança. A “ordem” está em análise; o “progresso”, sob aprovação do órgão competente. Para muitos, a CBF, a Globo e o Bombril estão ali desde 1889 — a depender do gosto de cada um.

Aquela Brasília que toca fogo no país, mas onde os bombeiros trabalham dia e noite para apagar os seus incêndios, é um verdadeiro “Abre-te, Sésamo!”. Uns chegam com o fósforo em uma mão e uma mangueira na outra: nunca se sabe de onde virá a oportunidade.

Este é o país do futuro, diriam os ufanistas. Mas um futuro do pretérito. E se pretérito, sem futuro. Por isso, tudo aqui é condicional, a depender das condições de quem dá e exige favores.

Este é o país da justiça, diria o distraído. Que se lembra apenas do bolo de chocolate do último aniversário. Que o digam a Ortobom, a Oxxo e a CBTU: exemplos de como o Estado é pródigo em criar o problema, arbitrar a solução e ainda aparecer para receber a conta. Um Robin Hood às avessas, mas com Diário Oficial.

As várias condenações por danos morais coletivos que, via de regra, não vão para ninguém específico — um contrassenso dos diabos. Mas o que tem o diabo com isso, se as moedas continuam a tilintar nos cofres? Até o inferno emite recibo.

Este é o país onde, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come... Bem, você entendeu. Por aqui, se tem sempre um alvo às costas, seja dos bandidos institucionais, seja dos bandidos legitimados por aqueles. Ninguém é doido de reclamar de tanta diversidade.

No fim das contas, “viva o 7 de Setembro.

Sem perguntas, para não estragar o feriado.

Com direito a paradas, discursos e à célebre frase decantada de norte a sul, de leste a oeste: “Independência ou Morte”!

Não, não é escolha, mas certeza.

De estarmos fadados à promessa da segunda oração coordenada alternativa.

Sem a opção da primeira.

Jorge F. Isah


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Nota: Texto publicado originalmente na Revista Bulunga 





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