18 fevereiro 2019

A Cidadela - A. J. Cronin





Jorge F. Isah


    A primeira vez que ouvi falar de A. J. Cronin foi na minha adolescência (talvez eu tivesse entre 13 e 14 anos), no final dos anos 70, em uma série de T.V. que eu simplesmente adorava, “Os Waltons”. Havia um personagem, John “Boy”, vivido pelo ótimo, e nem sempre compreendido, “Richard Thomas”, com o qual eu me identificava grandemente, pelo mesmo desejo que ele tinha de se tornar em um escritor de ficção. Num dado momento em que ele havia se decidido a sair da fazenda onde morava, no interior dos EUA, para tentar a carreira jornalística em uma cidade grande (não me lembro agora qual era a cidade; afinal, se passaram quase 40 anos), ele citou A. J. Cronin, não somente por admirá-lo com autor, mas por desejar ser como ele, ao menos, escrever como ele. Nessa época, eu me aventurava , engatinhando, à literatura menos adolescente e mais adulta: já lia Dostoievski, Sartre, Machado de Assis, Gide, Hemingway, sem entender muito aquele universo, mas desejando vive-lo por meio dos livros. Não havia abandonado de todo Dumas, Verne e Twain (devo ter lido Tom Sawyer umas 15 vezes, no mínimo), mas havia uma transição natural entre estes e aqueles autores.

    Pois bem, passados quase 40 anos, somente agora pude ler A. J. Cronin e o seu mais famoso romance, “A Cidadela”. E o que dizer dele? Primeiro, gostei muito. Não é um romance genial, o que poucos são, mas é muito, muito bom. O estilo de Cronin é envolvente, daqueles em que você é fisgado já no início, pela disputa entre o bem e o mal, o moral e o imoral, o ético e o antiético, mas sobretudo por uma linguagem ao mesmo tempo simples e muito bem elaborada. Vá lá, alguém pode dizer que o romance é uma colcha de clichês, e de que a vida não é dicotômica como muitos autores defendem em suas obras. Mas “A Cidadela” está longe, muito longe, de ser uma teia de chavões ou estereótipos. Os personagens são reais, vívidos, com suas incongruências, lutas, dúvidas, certezas, idealismos e convicções. Cronin não descreveu um mundo em preto e branco, sem tons cinzas, pelo contrário, há nevoeiros, clarões, trevas e todos os elementos necessários para fazê-lo um grande romance, como de fato é. 

    O pano de fundo é a medicina, seus valores científicos ou não, dogmáticos ou não, ideológicos ou não, éticos ou não, morais ou não. É uma crítica feroz à medicina que vive, se sustenta e fomenta o mal, a doença, a dependência existencial do homem aos “senhores” de jalecos brancos, e que muitas vezes sequer sabem da existência de uma verdadeira medicina, aquela que se pode chamar de “medicina do bem ou da saúde”. Há críticas ao academicismo, à indústria dos diplomas, à medicina como um negócio qualquer, vulgar, cobiçoso, pelo desejo imoderado de fama e fortuna. Os conflitos são muitos entre médicos, pacientes, associações médicas, tribunais, e um esquema ou estratégia ou sistema que tornam os médicos em meros prescritores de remédios (atendendo os anseios da indústria farmacêutica, às comissões médicas, e a obrigatoriedade de se manter o paciente incurado, e recluso à servidão clínica); onde o bem quase nunca é um desejo, e o mal uma necessidade.

   Cronin, ele mesmo um médico formado, descreve com maestria como o idealismo profissional do recém-formado Andrew Manson, com seus títulos e honrarias, se transforma, rebaixando o humanismo em exploração e farsa, num farsante, abandonando o juramento de Hipócrates para se tornar em um mesquinho acumulador de dinheiro, por meio da trapaça e vigarice. Como apóstolo Paulo disse: “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1Tm 6.10). Muitos acham que o dinheiro é o mal supremo, mas não é. Em si mesmo, o dinheiro é algo inanimado, sem vontade e poder de decisão, não podendo ser o mal, a priori. Entretanto, o amor a ele, possível naquele que deseja e toma decisões, o é! Por isso, é preciso que Andrew perca quase tudo para voltar ao que era, e fazer o caminho de volta, começar de novo.

    Ao entregar-se a si mesmo, aos seus desejos mais sórdidos, sem que a consciência cauterizada o acordasse, ele certificava-se de que as escolhas só seriam realmente boas se a razão delas fosse, exclusivamente, o seu bem-estar financeiro e a sua projeção profissional, na Londres da década de 20. Não havia lugar para princípios morais, éticos, humanistas. Apenas o desejo de enriquecer de qualquer modo, à custa até mesmo do sofrimento e da dor alheia.

   Pois, é com maestria que Cronin descreve a perda do caminho, o enveredar-se nos desvios, e a retomada ao anseio original de Andrew, em que sua alma se viu morta por causa da sua cobiça e inveja, e foi renovada pelo amor à vida, e o sentido primeiro de servir ao invés de ser servido. Há uma nítida mensagem cristã por trás de toda a trama, contrapondo-se ao ceticismo do personagem principal, um obstinado antirreligioso, que, na sua imoralidade, imagina-se moral pela completa ausência de moralidade e religiosidade. Ou seja, a justificação dos seus atos antiéticos e imorais encontra respaldo na negação da ética e da moral. Para se autojustificar, não pode haver fundamentos para a justiça, quando a injustiça é o desejo a se realizar.

  O relativismo do século XX, em suas mais nefastas proposições, tornam irresponsáveis aqueles que deveriam, de alguma maneira, como ministros de Deus (juízes, governantes, médicos, professores, pais, etc), serem os guardiões da vida e não os proponentes da morte. 
Cronin revela o dilema que existe no homem desde o Éden, a escolha da vontade, e seus desdobramentos na vida daquele que escolhe, mas também daqueles mais próximos.

  É um livro no qual o autor poderia se perder completamente, fazendo-o um pastiche de uma denúncia, um panfleto inócuo, ou uma simples “rede de intrigas”, como muitos outros livros foram escritos e o são em profusão, na atualidade. Mas Cronin soube leva-lo à quase perfeição, senão de uma sinfonia, ao menos, de uma fuga. 

  Leitura recomendada.



                                   *****


SINOPSE DA EDITORA:

"Romance que consagrou Cronin no mundo literário. A cidadela marcou época ao ser transformado em filme por King Vidor. O escocês Archibald Joseph Cronin era médico e membro do Royal College of Physicians. respeitada associação da classe médica no Reino Unido. O autor descreve as condições de trabalho do início do século XX e relata de um modo estarrecedor as dificuldades e tragédias ocorridas nas minas de carvão inglesas. O protagonista é o jovem médico Andrew Manson. que inicia sua prática profissional numa pequena aldeia do País de Gales. Drineffy. Dr. Manson dedica-se de forma intensa aos seus doentes. pondo em prática todo o idealismo de um jovem médico. Casa-se com a professora Christine Barlow. e mais tarde o casal parte para Londres. Na cidade grande. Andrew entra em contato com a classe médica conceituada que atende exclusivamente aos mais ricos. O texto de Cronin evidencia o drama das escolhas éticas na prática da medicina. Um tema ainda muito atual: o confronto entre integridade profissional e as tentações materialistas."


INFORMAÇÕES: 

Autor: A. J. Cronin
Editora: Editora Best Seller
532 Páginas

11 fevereiro 2019

O problema do mundo




Jorge F. Isah


    O problema, no mundo, é que a maioria das pessoas são fanáticas por si mesmas (uma forma clara de autoidolatria, e quando alguém decide-se por negar a si, e seguir a Cristo, é tido por louco), ou por seus ídolos (sexo, drogas, ideologias, poder, dinheiro, fama, orgulho, autossuficiência, futebol, trabalho, ciência, etc) . No fundo, tudo isso não passa de uma rebeldia contra Deus (uma distração a afastá-lo do real significado da vida),e o mais tolo delírio, que é o culto a qualquer coisa que não seja o Deus bíblico.

    O cristão nega esse individualismo, ao escolher honrar a Deus, pregar o seu Evangelho, vivê-lo (ainda que com todas as possíveis quedas), e proclamá-lo, com o fim de levar alguns outros ao arrependimento, e a se reconciliaram com Deus. Como Paulo disse, Cristo é escândalo e loucura para este mundo : "Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus." (1 Coríntios 1:18).

    Por isso o cristão bíblico é visto como um inimigo, e hostilizado por aqueles que, na verdade, são inimigos de Deus, e nos fazem também seus inimigos, quando a nossa relação com eles é de amor: o amor primeiro, que levou o Pai a entregar seu Filho, a sacrifica-lo, por nós!

*Pintura "A Crucificação", de Rembrandt.

05 fevereiro 2019

Duas Narrativas Fantásticas - Fiodor Dostoieviski





Jorge F. Isah


   “Duas narrativas fantásticas” é um livro que pode parecer, à primeira vista, tratar de temas irreais e utópicos. Engana-se quem assim pensa. Poderia chama-lo de “expectação suprarreal” tal a realidade (e também humanidade) dos temas abordados. O livro se compõe de dois contos: “A Dócil” e “Sonho de um homem ridículo”, onde o assunto “suicídio” está presente, em ambos. 

   No primeiro, temos um homem de 40 anos aproximadamente, casando-se com uma jovem recém-saída da adolescência. Ela é criada por duas tias que pretendem uni-la em matrimônio com um homem asqueroso e rude; mas acaba por conhecer, e por fim casar-se, com um negociante, dono de uma loja de penhores. Ele fora militar; sendo desligado da corporação por se recusar a duelar com um companheiro de farda, que o insultou. Por isso, ficou com a pecha de “covarde, o que o atormentou, de certa forma, por toda a vida. 

  Ele se apaixonou pela garota, por sua beleza, meiguice e a docilidade do título. Ela, para se livrar do brucutu com o qual as tias queriam uni-la, aceitou o pedido de casamento do negociante, e acabaram juntos. 

  No início, às mil maravilhas; porém, com o passar do tempo, ele vai se tornando controlador, exigente, individualista, e a mantém distante de si. Eles pouco ou nada dialogam. Não têm uma vida compartilhada além do local onde moram. Isso faz com que a relação frágil se torne ainda mais débil e perigosa (ele fugindo da solidão, e ela de um casamento indesejado), tornando-os, enfim, amargos e quase inimigos. 

  Ela abandona a docilidade para se tornar em uma mulher sediciosa, provocadora e adúltera. Numa clara tentativa de autodestruição, de desprezo a si mesma (ainda que respaldada pelo desprezo ao cônjuge), frustrada, e em estado de beligerante vingança.
 
  Ele, ao perceber a traição e a rejeição, e o desprezo da esposa, obriga-se a uma reação de autoridade, como se suficiente para transformar o caos existencial de ambos em ordem, no retorno à harmonia perdida. 

   O ponto é: duas vontades, aparentemente boas e benéficas, podem descambar para a beligerância e a destruição? Entre a rigidez de um relacionamento formal e conveniente, e o sonho de perfeição, romântico e singelo, está o homem e sua humanidade, disposto a frustrar os dois esquemas, revelando que a vida é muito mais complexa do que uma suposta unidade de interesses possa contê-la; a vida toma rumos desconhecidos, ainda que muitos previsíveis, se o homem não deixar de olhar para si mesmo tão somente, e observar o próximo com cuidado, generosidade e caridade. A perfeição não pode ser exigida, nem mesmo no amor, se não houver uma disposição ao sacrifício, a entrega voluntária do seu orgulho, desejos, ambições e egoísmo em favor do outro, de tal forma que, mesmo pessoas diferentes e com vontades distintas, se harmonizarão do mútuo anseio de privilegiar aquele que é o alvo do seu amor. Se não acontece... 

  Quanto ao suicídio, bem, leia a história e saiba como terminou.

  O outro conto, “Sonho de um homem ridículo”, muitas vezes é compreendido como se fosse um sonho ridículo, quando o título nos remete a um homem ridículo, que necessariamente não tem um sonho ridículo. Pela grandiosidade da narrativa dostoieviskiana, alguns imaginam que o sonho daquele homem não passa de um delírio, uma utopia infinitamente distante da realidade humana, quando, o que o autor nos revela é exatamente a essência dessa realidade, a humanidade em todos os seus detalhes, ainda que relatados em uma porção de páginas. 

  Sem fazer um spoiler do livro (o que, infelizmente, acabei por fazer no comentário ao outro conto), "Dosty" (desculpe-me a intimidade, mas sou leitor do russo desde a adolescência,  então me permito certas liberdades) revela que a esperança não pode estar em um homem, ou mesmo em muitos homens, deste ou de outro mundo, pois mais cedo ou mais tarde a sua inclinação para o pecado, para a subversão e a incitação ao mal, aflorará. Um único homem pode pôr tudo a perder, ao incitar outros a trilharem o mesmo caminho de morte no qual transita. 

  A referência ao Éden e à Queda, descritos no livro de Gênesis, é clara, trazendo, na trama, as mesmas consequências para a humanidade advindas da rebeldia do casal primevo. O homem inclina-se para o mal, a despeito de todo o bem que está a cerca-lo, da bondade divina e que lhe foi entregue também na obra da Criação. 

  Contudo, existe redenção, existe perdão, se houver sincero arrependimento dos seus pecados, é possível ver a luz, e vislumbrá-la por toda a eternidade. Este me parece o cerne, digamos, a parte otimista em toda a narrativa de "Dosty", desde "Crime e Castigo" até mesmo nesse singelo, mas fantástico conto. 

  Ah, sobre o suicídio, que falei no primeiro comentário, e que está presente em ambos os contos, deixarei para que você mesmo leia o livro, e se certifique do que estou falando, como o apontar a direção.

Livro curto, belo, em descrever a miséria humana, mas com os eflúvios eternos do porvir.


                                    *****

FICHA TÉCNICA:

"Duas Narrativas Fantásticas" 
Fiodor Dostoieviski
Editora 34
128 Páginas

Sinopse: 
"Designadas pelo próprio autor como "narrativas fantásticas", as duas novelas aqui reunidas foram publicadas pela primeira vez nas páginas do Diário de um escritor, publicação mensal redigida por Dostoiévski entre 1876 e 1881. 
Em A dócil, um homem desesperado refaz, diante do cadáver da mulher, a história de seu relacionamento, tentando compreender passo a passo as razões que a levaram ao suicídio. Já em O sonho de um homem ridículo, o narrador, a ponto de acabar com a própria vida, adormece na poltrona diante do revólver carregado. Principia então um dos sonhos mais extraordinários da história da literatura, durante o qual Dostoiévski anuncia a possibilidade de uma vida utópica em outro planeta antes de seus habitantes serem contaminados pelo veneno da autoconsciência. 
Ambas as narrativas partilham da mesma "introspecção verrumante" que Boris Schnaiderman apontou no protagonista de Memórias do subsolo, livro com o qual estas obras mantêm grande afinidade. Tanto lá como aqui, o escritor russo submete a forma do monólogo a tal intensidade dramática, que o resultado ultrapassa as fronteiras daquilo que nos acostumamos a chamar de literatura."

31 janeiro 2019

Digressão sobre a adoração de uma pecadora





Jorge F. Isah


“E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento;
E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento” (Lucas 7:37-38)


Devemos entender uma coisa: Deus é Senhor de tudo e todos! Deus pode todas as coisas, ainda que ele não faça todas as coisas, por causa da sua natureza. Por exemplo, Deus não pode pecar. Nem fazer algo que não seja da sua vontade. Dentro de sua soberania e todo poder, contudo, há algo que Deus não pode fazer, que é adorar. Sim, meus irmãos, parece algo simplório e mesmo banal afirmar tal condição, de tão óbvia. Mas ela é verdadeira, pois o Senhor não pode se autoadorar. Esta prerrogativa nos cabe, exclusivamente a nós, e Ele se alegra e deleita na verdadeira adoração, aquela realizada por seus filhos, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; e quão grande honra temos em ser seus adoradores.

Já imaginaram como esse privilégio é grandioso, santo e sublime? Somente o povo de Deus pode adorá-lo e, infelizmente, muitos se recusam a fazê-lo, preocupados no culto a ídolos mortos e imaginários, ou a se autoadorarem. Deus não o faz, porque a autoadoração é, em si mesma, um engodo, repleto de vaidade, soberba e arrogância. Estas características são típicas do pecador, jamais de Deus, o qual sendo santo, justo e perfeito, em sua natureza, não poderia manifestá-las.

Mas ele não quer qualquer tipo de adoração, ou que os seus adoradores o façam de qualquer maneira, a fim de satisfazerem antes aos seus desejos íntimos e não a Deus. Em outro trecho das Escrituras, nos é dito, pelo Senhor Jesus, que Deus procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade (João 4.23).


Entretanto, para sermos verdadeiros adoradores é necessário humilhação e arrependimento, reconhecendo em Deus o Senhor e Salvador; reconhecendo a nossa condição caída e imperfeita, dominada pelo pecado e, rejeitando o seu domínio, nos entregarmos por completo à direção e condução divinas. Onde havia pecados e conflitos, instala-se a paz e esperança, na fé de que nada, nem ninguém, poderá nos tirar do caminho de vida. Por isso, é fundamental que adoremos a Deus com o coração santo e verdadeiro, a prova máxima de haver arrependimento e, sobretudo, gratidão pelo resgate precioso, permeado pelo amor divino e eterno, mas igualmente doloroso e indigno do Filho: o servo perfeito, na medida perfeita, do perfeito e sublime amor. 

O amor que nos amou primeiro, para que pudéssemos então, e somente então, amá-lo como nos amou.




23 janeiro 2019

ENIGMA DE AMOR








Jorge F. Isah 




O mistério não são as almas desencarnadas,

nem fantasmas vagando em casas assombradas.

 Ou a magia dos homens se levitando.

  Guru vivo na cova por semanas.

 Ou o mal estirando-se sem freios,

nos renques, cômodos e atalhos.



 O mistério é assimilar,

por que Deus se fez homem,

  viveu e se ofereceu

 aos inimigos?





Notas: 1-Poema inédito, de minha autoria, e fará parte do próximo livro de versos a ser lançado no segundo semestre deste ano, se Deus quiser!
2-Pintura "Crucificação", do pintor italiano Bramantino.

21 janeiro 2019

Remédio da Fé, por Santo Agostinho





“Só a fé podia curar-me: desse modo, os olhos da 
minha inteligência já purificada, se dirigiriam à tua 
verdade imutável e perfeita. Mas, assim como acontece 
muitas vezes, depois de experimentar um médico mau, 
receia-se confiar num bom, o mesmo acontecia à 
saúde de minha alma, que somente poderia curar-se 
pela fé, mas, para não acabar novamente acreditando em 
coisas falsas, recusava a cura, resistindo a ti 
que fabricaste o remédio da fé e, dotando-o 
de tão grande poder, o derramaste sobre todas as 
enfermidades da terra!” 

- Santo Agostinho, Confissões, Livro VI, 5 -


Nota: Pintura "Crucificação", de Paolo Veronese

14 janeiro 2019

Mordomia





JORGE F. ISAH


Mordomo é o administrador de algo dado por outrem em confiança, na certeza dele exercer a função como se fosse o próprio dono. Do ponto de vista bíblico, não somos senhores de nada, nem de nossas vidas, mas tudo o que temos e somos pertence a Deus, e estamos ao seu serviço.

Em qual momento o homem largou a sua responsabilidade de servo? No Éden, quando Adão e Eva se rebelaram, abandonando o seu ministério, não cuidando de si mesmo como convinha. O caos se instalou, a ordem foi suprimida.

E quando fomos realçados ao posto de bons mordomos? Quando Cristo, ao sacrificar-se na cruz, nos readmitiu à administração do Reino. Se antes fomos feitos mordomos, e então abandonamos o posto ou ministério, agora estamos novamente a serviço de Deus, zelando por todas as dádivas recebidas.

Não é uma honra graciosa e imerecida voltarmos ao posto?

Não é um serviço cujo zelo deve ser gerido em excelência?

Fica a pergunta: temos nos devotado, nos empenhado, no exercício deste ministério? Ou não compreendemos, ainda, a real dimensão da mordomia cristã?


12 janeiro 2019

Um Pedido à Oração







Jorge F. Isah



"Orai sem cessar" (1Ts 5.17)

Você já orou, hoje? O que está esperando?

Mas o orar não é apenas um ato de se ajoelhar, fechar os olhos e abaixar a cabeça; muito mais do que isso, é estar em comunhão constante com Deus, de forma a todo o seu pensamento estar ligado e voltado para ele; enchendo-se do Espírito; e pronto a responder, com a mente de Cristo, em todas as situações nas quais se é colocado, neste mundo caído.


São ações responsivas a culminar na gratidão, confiança e esperança de ser conduzido em meio as vicissitudes da vida, das tristezas e aflições, resultando no gozo e alegria expressados no verso seguinte: dar graças em tudo (1 TS 5.18).

Se entendemos estes versos como são, imperativos, e não condicionais (a ordem divina a ser cumprida pelos seus filhos), por que, então, desobedecemos?


07 janeiro 2019

Escada para os céus






Jorge F. Isah



   A existência humana, como a conhecemos, é uma fração irrisória na história, e o homem um nada em relação à criação, quanto mais se compará-lo a Deus. Não é estranho, portanto, o anseio obsessivo de, sendo nada, fazer-se como ele e querer tudo?...
 
   Ah, maravilhas das maravilhas, enquanto o homem tenta subir as escadas para o trono divino, em uma nítida intenção de invadir e conquistar o Reino; Deus, em sua sabedoria, desceu aos porões da terra, fazendo-se um de nós, para, assim, salvar o seu povo, os seus eleitos. E, somente então as portas do reino eterno foram-nos abertas, escancaradas, para encontrarmo-nos com o Criador, Senhor e Salvador, e dele, e por ele, e para ele, gozarmos por toda a eternidade.
 
   Não foi o homem quem subiu aos céus, mas Cristo se fez homem, servindo-nos de escada, como uma ponte a ligar o mundo perdido e baixo ao Reino venturoso e sublime, finalmente alcançado, onde nos realizamos, filhos amados do Pai, pelos méritos exclusivos do Filho.


27 dezembro 2018

Caixa de Pássaros - Comentário




Jorge F. Isah


       Aproveitando o "oba-oba" do lançamento do filme "Caixa de Pássaros", no NetFlix, reproduzo aqui a pequena resenha do livro homônimo, de Josh Marlerman, lido em 2016, e publicada no blog "O que estou lendo... ou li" e na Amazon. A previsão feita, há dois anos, se concretizou: o livro virou filme, como já era de se esperar. 

       Então, se você ainda não leu o livro, nem viu o filme, leia os meus comentários, e sossegue, pois não dou spoiler do enredo, como é de praxe.  

       Deixo-lhes, portanto, as minhas impressões à época da leitura, o que, de certa forma, se confirmou novamente, ao assistir o filme. 

        Boa leitura!

                                      *****


DIVIRTA-SE, E ESQUEÇA!


  Josh Malerman é compositor e músico de uma banda de rock desconhecida (ao menos para mim), que se chama "High Strung". Não é uma boa credencial, desde o seu início, para um escritor. Não li os escritos de todos os roqueiros, vivos e mortos (e nem o poderia, a fim de preservar a minha sanidade), mas, do que li, não posso dizer que o gênero musical colabore com a literatura. A despeito de Bob Dylan ter ganhado o Nobel (se há um absurdo, esse foi o maior; um letrista apenas bom, e nem sempre, ganhou o maior prêmio literário do mundo), ele não pode ser considerado "ipsis litteris" um rocker, pois a sua trajetória musical está mais ligada ao folk ou àquele tipo de música niilista e de protesto que os rockers "cabeça feita" gostam de ouvir e impingir aos outros. A escolha do Nobel poderia recair sobre Cormac McCarthy ou Don DeLillo, por exemplo. Escritores infinitamente melhores do que o mediano letrista Dylan. 

  Bem, mas deixemos os músicos de lado.

  O livro é um thriller de suspense, com altos e baixos. Vamos a eles:

  1) Gostei do subtítulo: "Não abra os olhos"! Para o leitor voraz isso seria uma heresia, um castigo medonho, ou para quem aprecia as belezas e maravilhas criadas pelo bom Deus. Há um elemento subliminar de que, ao não abrir os olhos, o livro não será lido. Seria uma advertência do autor ao leitor?... Brincadeirinha...

 É claro que o objetivo da mensagem é revelar algo da narrativa, já instalar no leitor o pânico ou a apreensão pelo que se segue após virar a capa. Sinceramente, chamou-me a atenção, e de alguma maneira, influenciou a minha decisão de comprá-lo.

 2)Gostei da história. O seu mote é interessante. Em um mundo apocalíptico, quem vê se flagela e morre (a influência diabólica de levar a alma ao suicídio, à autoflagelação). Melhor, então, não ver, e se esconder do mundo exterior, ainda que suas ameaças estejam a cercar, pairando sobre os personagens. Não é original; a narrativa pós-apocalíptica tem sido muito utilizada na literatura, no cinema e nas artes em geral (a moda atual é a de filmes sobre um mundo dominado por zumbis, ET's e figuras fantasmagóricas. O que antes acontecia em privado, em particular, com um ou outro personagem, se disseminou, e cidades, países inteiros, são dominadas por seres não-humanos). O suspense sempre vendeu e continuará vendendo, a despeito de não haver mais escritores geniais como no passado, Stevenson e Poe, e, mais recentemente, Lovecraft e King (este nem tão genial, mas ainda dá o seu caldo).

 3) Se os personagens não têm a profundidade dos construídos por Dostoiévski e Tolstoi, ao menos são bem definidos, e os seus papeis no enredo também. Existem "furos" e inverossimilhanças em algumas de suas atitudes e falas, mas nada que possa considerar exageradamente falso. Afinal, é ficção.

 4) O autor consegue manter o clima de suspense da narrativa e prender a atenção do leitor. Vá lá, não é grande coisa, mas dá para passar algumas horas de diversão com o livro.

 A alternância entre presente e passado quebra um pouco da monotonia que poderia levar a história ao fracasso completo.

 5) Apesar da desagregação da sociedade, onde é cada um por si, houve o cuidado do autor em demonstrar não somente a necessidade do agrupamento de sobreviventes, mas a postura de alguns em abrigar e chamar outros para o lugar que consideravam seguro. Mesmo a fragilidade humana em um mundo caótico, leva-os a fortalecerem-se e buscarem formas de manter a esperança viva. É o caso do personagem Tom, um idealista, no bom sentido da palavra, um incansável promotor da fé; não existe crise maior do que não buscar as soluções, é o que pensa e tenta transmitir aos demais.

 Existem conflitos morais e éticos; e o que não se via, mas sabia, no "lá fora", acaba por acontecer no interior da casa.

 No final, existe esperança também para Malorie e seus filhos.

 6) A ideia é boa, mas a narrativa não se desenrola com a mesma eficiência. Como já disse, o autor consegue manter o "clima" de suspense, até certo ponto, mas de uma maneira geral, o enredo é apenas razoável. No seu desenrolar faltou a Malerman a perícia e habilidade de um construtor de histórias experiente e talentoso, como McCarthy e o seu "A Estrada", por exemplo.

 Já é praxe eu não fazer sinopse ou contar a história, para não tirar o prazer do futuro leitor; então, o que posso dizer mais? 

 Bem, se está esperando arrepios e uma história envolvente, daquelas de perder o fôlego, desista. Não é para você.

 Se deseja uma narrativa inteligente, com detalhes minimamente pensados e descritos com maestria, e um final que faça sentido, desista também.

 Se quer um livro para ler em um dia, de supetão, e passar algumas horas distraído e, até mesmo se divertir, para depois esquecê-lo, ele pode atendê-lo.

 É o primeiro livro de Malerman, e ele pode melhorar e aprimorar algumas qualidades que tem. Precisa, talvez, deixar de pensar em escrever um livro-filme (a moda são enredos que possam e, já pensam, em se tornar em filmes. Não se contentam apenas com o papel...) e sair um pouco dos clichês, tão comuns aos livros de suspense (projetados para serem películas, num futuro próximo).

 Não peço originalidade, pois isso é bobagem, na maioria das vezes, ou em todas. Mas uma boa ideia, técnica, boa narrativa e um enredo que se sustente, já o tornaria em uma promessa alvissareira neste século.

 Então, vamos esperar o próximo volume.


*****

AVALIAÇÃO: (**) REGULAR








Josh Malerman
Editora Intrínseca
272 Páginas

13 dezembro 2018

Prólogo do livro "A Distração do Pecado"






O embrião para a realização deste livro foram as aulas ministradas na Escola Dominical do Tabernáculo Batista Bíblico, e, durante quase um ano, analisamos cada um dos versos da carta de Judas, sobre os quais nos debruçamos e meditamos com o objetivo de nos dobrarmos à verdade de suas poucas páginas. No princípio, inadvertidamente, cogitei uma análise em quatro ou seis aulas, no máximo, mas a riqueza e a profundidade do texto levaram-nos a dispender oito vezes mais o prazo inicialmente estimado.
        Em uma série de estudos, fomos impulsionados a compreender a gravidade do momento vivido pela igreja de Cristo à época do epistológrafo, crise pela qual a igreja passa, na atualidade, em proporções talvez maiores, já que grande parte dos inimigos de Cristo encontram-se dentro dela, como o joio aguardando para ser arrancado. Os exemplos bíblicos servem-nos como alerta, exortação e repreensão, para rechaçarmos os constantes ataques inimigos, não nos entregando às suas artimanhas açuladas, preservando a sã doutrina, o temor e reverência a Deus, apegando-nos à verdade, repelindo a incitação desonesta à rebeldia, à contemporização com o pecado e ao cultivo do mal.
        Portanto não espere um livro onde você se perderá em meio as dúvidas; não escrevi nada novo, mas repeti o que a igreja tem defendido por séculos; não espere afagos e adulações, porque Judas, como emissário de Cristo, exortou a igreja com asserção, como prova do verdadeiro amor, límpido e vigoroso, não dando lugar à lisonja interesseira; levando incautos a confundir o bem com o mal, o certo e o errado, descristianizando mentes e corações para depois abandoná-los na miséria absoluta, levando-os ao servilismo e penúria da alma, aprisionada nas correntes diabólicas. Pelo contrário, este livro é cristocêntrico, não trata de um Deus genérico, impessoal e distante do homem, mas do Deus encarnado, pessoal, cuja honra e glória satisfaz mais ao Pai e ao Espírito, as demais pessoas da Trindade, do que o louvor dispensado a elas mesmas.
        Não espere, também, um discurso liberal, heterodoxo, antropocêntrico, no qual o homem é a “estrela”, enquanto Cristo é um mero coadjuvante, um nome a agregar distração. Se nada for aproveitado nesta obra, oro para que ao menos o leitor compreenda a excelência de Cristo, sua sublime majestade, completa divindade, completa humanidade, esplendor e glória, num grau de superioridade mais que elevada, somente possível para quem, como ele, compartilha a deidade
em unidade com o Pai e o Espírito Santo; isto é chamado de Cristocentrismo[1]. Se nada mais ficar, que fique isso; do contrário, este livro não terá significado, nem propósito.
        Não espere nada bombástico, original, em uma busca doentia pelo ineditismo, o qual leva muitos autores e livros para além do limite permitido pela sã doutrina, cruzando perigosamente a linha divisória entre o santo e o profano, entre o bíblico e o pagão, entre o louvável e o desprezível. Não tive a menor pretensão de ser inovador, mas de apenas ordenar as ideias e tudo apreendido em minha caminhada com os santos, a fim de, através de Judas, alertar a igreja quanto às várias investidas dos inimigos no intento de solapar, de tornar ineficiente a igreja, fazendo-a um apêndice mais higiênico da podridão mundana; controlando-a com suas acusações, inverdades e coerção, num esquema de manipulação visando a fazê-la um arremedo de si mesma e de secularizá-la a todo custo e sob todos os aspectos da (des)ordenação da civilização moderna. Em um século controlado pela ideologia e pelo combate à verdade; onde o anticristianismo é a faceta mais perversa e injusta da capitulação do bem.
        Tentei escrever de forma simples, sem rebuscar ou empreender um trabalho hermético, sem qualquer pretensão de construir uma obra acadêmica, mas de disponibilizar a qualquer um o texto com vistas a edificar e exortar a igreja, muitas vezes perdida entre o secularismo institucionalizado e um apego a uma tradição mais formal que espiritual, mais moralista que moral, mais centrada nas concepções humanas do que na verdade, na essência da fé, o próprio Deus. Busquei passar uma imagem clara daquilo que me propus a fazer, mesmo que, em alguns momentos, não tenha a convicção de tê-lo alcançado, no que espero contar com a compreensão do leitor. De maneira geral, foi um misto de gozo e angústia intentar o exercício de trazer à luz o que existia apenas em esboços e linhas mal delineadas.
        Entretanto, devo ressaltar que nem todo o material, constante nestas páginas, é exclusivo das lições apresentadas no T.B.B.; há uma boa parte de trechos escritos “a posteriori”, alguns pensamentos “a priori”, e reflexões complementares acrescentadas ao corpo inicial, à medida que a obra tomava forma, como consequência necessária da sua redação; proveniente, em caráter único, das minhas considerações sobre os diversos temas propostos, não existindo qualquer comprometimento da liderança e membros do T.B.B. nas conclusões e no produto final apresentado, sendo, portanto, de minha inteira responsabilidade o que se vos apresenta.  
        Contudo, não poderia deixar de agradecer a cada um dos contribuintes e corresponsáveis diretos no arremate desta obra, não necessariamente no que se encontra expresso, mas através das participações frequentes nas aulas, em conversas ocasionais e indicações de textos e obras. Seria injusto se, em especial, não creditasse ao pastor Luiz Carlos Tibúrcio, irmão e amigo, o estímulo necessário para desenvolver este plano, ao convencer-me, sete anos atrás, a aceitar a incumbência de tornar-me professor. Com ele, também, tenho aprendido muito, ainda que algumas coisas me sejam incompreensíveis no momento, por conta de minhas próprias deficiências, ressaltando a sua paciência insistente em não abandonar-me; e, ainda, ao amor e auxílio fraternal da igreja, sem os quais não se alcança qualquer conhecimento espiritual, nem experiencial, da autêntica vida cristã, somente possíveis no corpo local, pela união promovida por Cristo, de fazer para si um povo e de levá-lo à comunhão íntima com seu Santo Espírito. Como sempre digo, não há divergências, nem algum problema, que não seja dissolvido pelo amor do Senhor, o qual nos une e nos mantém unidos.
        É com grande alegria que entrego estas páginas ao leitor. Durante mais um ano, após o término letivo, estive envolvido com este projeto de agrupar, acrescentar e burilar os esboços servidos de aulas; algo por completo inusitado para mim, havendo um determinado momento no qual considerei quase impossível concluí-lo, dada a insatisfação com uma ou outra parte do texto, mas que, pelo favor divino, foi possível chegar a termo, e um desejo, por fim, realizado. Vê-lo, agora finalizado, é a demonstração da graça e bondade divina para comigo.
Oro, do fundo do meu coração, para o Senhor utilizar este instrumento na edificação da sua santa igreja, e para a sua honra, porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos”[2]; e a Cristo seja dado todo o louvor e glória, eternamente!




[1] Cristocentrismo é a designação para “Cristo no centro de tudo”. Não há ortodoxia e ortopraxia sem se considerar profundamente isso. Quando o Filho diz que ninguém vem ao Pai senão por ele, está definindo algumas coisas: o crente vem ao Pai porque vem a Cristo, e ambos são um, uma unidade com o Espírito. Segundo, agradou ao Pai e ao Espírito Santo serem glorificados no Filho, de maneira tal que é impossível a glória de Deus sem que seja dada a glória a Cristo, exclusiva e primeiramente; a glória divina passa, necessariamente, pela glorificação de Cristo. Terceiro, como consequência, qualquer tentativa de se glorificar a Deus, por outros meios, é rejeitada. Quarto, e é rejeitada pelo simples fato de que, como pecadores é impossível agradarmos a Deus, então, nossas ações, pensamentos, orações e ofertas são santificadas pelo Filho, e sendo por ele santificadas, agradarão, finalmente, ao Pai.
[2] Atos dos Apóstolos, 17.28


Compre o livro AQUI

23 novembro 2018

LANÇAMENTO DO LIVRO "A DISTRAÇÃO DO PECADO", E PROMOÇÃO BLACK FRIDAY - KÁLAMOS







Jorge F. Isah


        É com muita alegria que anuncio o lançamento do meu primeiro livro teológico, "A Distração do Pecado", cujo subtítulo é: "Um estudo sobre a igreja, com base na Carta de Judas". Ele tem 454 páginas, no formato ebook, e está disponível na gigante Amazon.

Veja a capa do livro, abaixo:



         Amigo leitor, você pode adquiri-lo em formato ebook ou físico, AQUI, ou visitando o site da Kálamos Editora

         Os nossos livros encontram-se em promoção na Black Friday até a próxima segunda-feira, dia 26. Não perca a chance de conhecer o nosso catálogo (ainda diminuto), e aproveitar os descontos de até 50%. 

         Compre também o meu segundo livro de poemas, "Arpeggios Insulares", que está com preço super-promocional. 

         Um grande e forte abraço!

         Cristo o(a) abençoe, ricamente!









22 outubro 2018

SUMMA TEMPORUM









Jorge F. Isah


            Na foto acima, um dos poemas constantes no meu recém-lançado livro "Arpeggios Insulares", que poderá ser adquirido no site da Amazon.com.br, pelo link https://amzn.to/2x5mg2H, no valor de R$ 5,99, ou se você é assinante do Kindle Unlimited, baixe-o gratuitamente. 

            Em breve, novo livro será lançado, inaugurando a seção de teologia da Kálamos Editora. Visite-nos, e leia alguns trechos do livro, clicando AQUI!



29 agosto 2018

PRÉ-VENDA DO LIVRO "ARPEGGIOS INSULARES"



Jorge F. Isah

        É com muita alegria que venho trazer notícias para os leitores do "Kálamos", em especial a de que criamos uma Editora, "Kálamos Editora" (não podia ser diferente, e ter outro nome), e um site para divulgar os seus produtos (livros, especificamente), que ainda está em construção. O endereço é: 


           
           Temos um novo "logo", também: 


        E o desejo de, em breve, se Deus quiser, publicar novos autores além do "velho" aqui. 
          Por falar em livros, e é a segunda razão desta postagem, está em pré-venda o meu segundo volume de poesias, "Arpeggios Insulares", comercializado pela Amazon. Para você se direcionar para a página de venda na Amazon, basta clicar na capa, abaixo, comprando-o, e me ajudar na publicidade (se assim lhe aprouver):


         se tiver dificuldades no direcionamento, deixarei o link, abaixo, que pode ser copiado no seu navegador, ou bastando clicar nele, para ser direcionado à compra: 


         Em breve, acontecerá novidades, como a publicação, para fins de Outubro, ou início de Novembro, do meu primeiro livro teológico, que já tem título, capa, e está em fase final de edição. Bem como o recebimento de originais de terceiros  para eventual publicação; o que espero aconteça em meados de 2019, se assim o Senhor o quiser. 
           Espero que tenham gostado da atualização, e me perdoem a não publicação de novos textos, por aqui, nos últimos meses. Retornarei à normalidade no blog, ainda este ano. 
            No mais, um forte abraço a todos!
            Cristo o(a) abençoe!
            

21 maio 2018

Sermão em Lucas 12.34: Onde está o seu coração?






Jorge F. Isah



    
           “Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso          coração.”  Lucas 12:34

  

INTRODUÇÃO:


- Fim-de-ano é uma época interessante, onde as pessoas, de maneira geral, se entregam aos sonhos, desejos e expectativas.
 
- Seja por aquilo que desejam ganhar, na forma de presentes, atenção, abraços efusivos; seja por aquilo que lhes aguce os instintos: comida, bebida, danças, músicas, etc, ou seja, o prazer sensorial e corporal.

- Seja pela esperança de um ano-novo melhor, com aspirações de mudanças profissionais, financeiras, na aparência, comportamento, etc.

- Na verdade, é uma época em que o seu real sentido é pervertido, e camuflado por tudo aquilo que, pouco ou nada, diz respeito ao seu real propósito.

- Em particular, o Natal é ainda mais estranho, perdendo, cada vez mais, a sua originalidade.

- Não vou entrar nos pormenores de se devemos ou não festejar o Natal, se é certo ou errado o cristão fazê-lo.

- Historicamente, sem houve grupos a favor e contra, cada um com os seus argumentos a defende-lo ou ataca-lo, mas o certo é que irmãos fieis e servos sinceros de Cristo estiveram em ambos os lados.

- O fato é que a palavra “Natal” significa “nascimento”.

- Mas, nascimento de quem?


O SENTIDO DO NATAL

- Para acabar com o suspenso, vou logo dizendo que o Natal existe por causa de uma pessoa: Jesus Cristo!

- Por mais que as pessoas se importem ou não com o fato, queiram despreza-lo ou não, ignorem-no ou não, a verdade é que se estão comemorando o Natal, o estão por causa de Cristo. Quer aceite ou não.

- Cristo foi aquele que, com o seu nascimento, dividiu a história da humanidade em antes e depois dele (A.C./D.C.).

- É a personagem mais importante, crucial, na história humana.

- É por ele que existimos e vivemos. Hebreus 1.1-3:
“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,
A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas... “ Hebreus 1:1-3
 
- O Cristo assumiu a forma humana, fazendo-se um de nós. Então, ele teve de nascer. E o seu nascimento foi assim descrito por Mateus:

“Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Que estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo.
Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente.
E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo;
E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.
Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz;
Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco.
E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher;
E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus.” Mateus 1:18-25

  - Cristo nasceu! E o Natal representa exatamente isto, que ele veio ao mundo.

- A maioria das pessoas ignoram esse real sentido.

- Talvez porque reflitam, no fim-do-ano, o descaso e rejeição ao Filho de Deus que tiveram durante todo o ano, durante a totalidade de suas vidas.

- Assim como no Natal, homem algum deve simplesmente gastar a sua vida nos exageros dos sentidos, transformando-os em mero manifesto a fim de dar vazão e causa para o pecado e a carnalidade.

- O Natal serve-nos como reflexo daquilo que desejamos, ansiamos ou realizamos. As intenções não serão diferentes daquelas a conduzir-nos durante todo o ano.

- Por isso, voltamos ao versículo inicial de Lucas 12.34: Onde está posto o seu coração? 





SEU CORAÇÃO ESTÁ POSTO NO LUGAR CORRETO?

- Este Capítulo de Lucas vai nos revelar qual é a nossa real motivação, interesses, e em quem temos colocado o nosso coração.

- Há uma exortação do Senhor quanto a qual é o nosso tesouro: se os bens, o conforto e as riquezas materiais, satisfazendo os nossos desejos e instintos, ou se agradar, servir e sujeitar-se a Deus.

- Quero fazer uma ressalva: Não estou condenando nem as riquezas, nem o conforto, muito menos a aquisição de bens materiais. Nada disso é ilícito, se colocado no seu devido lugar, no lugar em que Deus quer que o coloquemos.

- Paulo nos diz:

“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se transpassaram a si mesmos com muitas dores.” 1 Timóteo 6:10

  - Portanto, o pecado não é em se ter dinheiro, mas a amá-lo, como um ídolo. O homem deve amor a duas coisas somente: a Deus e ao próximo. Sendo que Deus deve ser amado acima de todas as coisas, e depois o próximo como a nós mesmos.

- Falemos um pouco daqueles que colocam a sua esperança e vida nos bens materiais.

- O trecho vai do versículo 13 ao 21 (farei algumas inserções ao texto bíblico, colocando os meus comentários em parênteses ou colchetes, assim como o comentário do grande teólogo Puritano Mathew Henry):

“E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.
Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?
E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza [falta de generosidade, apego sórdido, baixo, repugnante ao dinheiro]; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância;
E arrazoava ele entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos.
E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;
E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga.
Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus."

[Comentário de Mathew Henry: “O maior erro de todos é que ele não se preocupa em ser rico para com Deus, rico de acordo com o critério de Deus. O fato de Deus nos considerar ricos nos torna ricos (Ap 2.9), ricos nas coisas de Deus, ricos na fé (Tg 2.5), ricos em boas obras, ricos nos frutos de justiça (1 Tm 6.18), ricos nas graças, nas consolações, e nos dons espirituais. Muitos que têm abundância deste mundo são completamente destituídos daquilo que irá enriquecer as suas almas, que os farão ricos para com Deus, ricos para a eternidade.”] 
 
- Se o seu coração está nos tesouros terrenos, você é um tolo, apegando-se a algo volátil, temporário, e que nem mesmo pode lhe trazer a segurança que você almeja.

- Os tesouros são ídolos, nos quais o homem deposita a sua fé, e em uma esperança vã (vazia, inútil, falsa).

- A prova é que fortunas são perdidas em segundos, bastando um revés na economia, nos negócios, um furto, para tudo escoar ralo abaixo.

- Se um avarento morre, de que lhe restam os bens?

- Nos apegamos à ilusão, ao delírio de que, acumulando coisas, estaremos seguros. Guardadas as devidas proporções, seria a mesma segurança que uma pessoa tem em itens de proteção: alarmes, armas, muros, cercas, etc. Se usadas de forma correta, podem colaborar, mas se pensadas como invioláveis e inexpugnáveis, quem assim crê já se tornou vulnerável, e estaria mais seguro se não dependesse delas.

- Nessa visão, qualquer que põe a sua confiança em um ídolo, seja o dinheiro, outrem, ou a si mesmo, e não em Deus, está fadado ao fracasso, e, mais do que isso, à condenação.

- Em contrapartida à esta visão humana do que vem a ser segurança, o Senhor nos alerta a confiar, esperar, e servir a Deus. Senão, vejamos em Lucas 12.29-32:
“Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos".

[Pausa para reflexão: Deus disse a Adão, no Éden, que viveria do suor do seu rosto, ou seja, do seu trabalho. E todos devemos trabalhar. Paulo diz que aquele que não trabalhar, não coma.

- Devemos também ser modestos e cuidadosos nos gastos, em como investimos o nosso dinheiro. Não indo além do que podemos ir.

- Mas não devemos nos inquietar e afligir com a nossa subsistência, já que Deus é aquele que cuida de nós (As inquietações veem para enfraquecer a nossa fé, tirando-nos o foco de Deus e colocando-o em nós mesmos. Elas nunca constroem nada, pelo contrário, destroem qualquer capacidade de termos respostas adequadas).

- E se confiamos nele, e depositamos nele a nossa esperança e certeza, ele não nos abandonará, nem nada nos faltará.

- É o que Davi, mesmo com todos os dissabores, perseguições e injustiças promovidas por seus inimigos, afirmou, no Salmo 23:

“O Senhor é o meu pastor (e como ovelha reconheceu), e nada me faltará!”]

(Continuando...)


"Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas.
Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."


[PAUSA: E a resposta para as nossas aflições, ou não, são respondidas pelo Senhor, neste ponto: “Buscai antes o reino de Deus”

E o que vem a ser isto?

Batemos no peito, e dizemos que aqui não é o nosso mundo. Afirmamos ser peregrinos neste mundo. Mas a verdade é que nos apegamos, muitas vezes desesperadamente, nas coisas deste mundo, agindo quase como incrédulos, como se não houvesse amanhã.

Muitos se entregam à embriaguez, ao sexo pecaminoso, ao vício de drogas, à cobiça, ao amor próprio, ao poder, à glória pessoal, destruindo-se, e quase sempre ao seu semelhante.

Por que? Pela vaidade e orgulho do coração. Pelo mal como ação necessária, quando este mesmo mal é a causa da condenação, por causa do coração duro e impenitente.

Em oposição a essa visão deturpada e caída da vida, temos o Senhor a dizer: 

“Buscai antes o reino de Deus”.
 

Buscar o Reino é, antes de tudo, buscar aquele que reina!

Buscar o Reino é, antes de tudo, servir àquele que reina!

Buscar o Reino é, antes de tudo, satisfazer-se naquele que reina!

Buscar o Reino é, antes de tudo, viver para a glória do rei!

E quem é esse rei? Nenhum outro além de Cristo!]

"Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino".

[PAUSA: A ele glória, honra, louvor e sujeição!

Se o buscarmos e ao seu reino, o qual promete nos dar, teremos a paz que somente ele pode dar, mesmo nos momentos de maior angústia e tribulação]. 


 CONCLUSÃO:

- Aproximando-se o Natal e o Ano-Novo, você já fez uma reflexão sincera, sem camuflagem, sem esconder-se de si mesmo (pois diante de Deus ninguém pode se esconder), e avaliou se, realmente, o que está a buscar?

- Se a sua satisfação e gozo pessoal?

- Se está entregue aos seus desejos pecaminosos?

- Se despreza a Deus no íntimo, mesmo que a sua boca tente convencê-lo do contrário?

- Se diz amar ao Senhor, mas seus atos não têm nada de compaixão, misericórdia e perdão?

- Se insiste e persiste em iludir de que é um bom cristão, quando a prática nega a sua fé?

- Mas se, antes, você busca honrar a Cristo com a sua vida, bens e obras que revelem os frutos do Espírito, você busca o Reino, e nada lhe faltará.

- O Deus providente, misericordioso, amoroso e gracioso, não deixará a sua fé ser posta em palhas e gravetos secos.

- Antes você estará firmado na Rocha, Cristo, e beberá, e comerá, e se saciará do pão e da água da vida.

- Que cada um de nós não pense de si mesmo mais do que convém, como disse Paulo, mas coloque-se a si mesmo em seu devido lugar: servindo a Deus incondicionalmente, ou aos ídolos apenas o empurrão para mais distante de Deus. 


NOTA: 1- Este esboço foi a tentativa de montar um novo esquema de sermão, o qual espero ter sido melhor desenvolvido na pregação do que propriamente nestas linhas.
2-  Sermão ministrado no Tabernáculo Batista Bíblico