21 janeiro 2019

Remédio da Fé, por Santo Agostinho





“Só a fé podia curar-me: desse modo, os olhos da 
minha inteligência já purificada, se dirigiriam à tua 
verdade imutável e perfeita. Mas, assim como acontece 
muitas vezes, depois de experimentar um médico mau, 
receia-se confiar num bom, o mesmo acontecia à 
saúde de minha alma, que somente poderia curar-se 
pela fé, mas, para não acabar novamente acreditando em 
coisas falsas, recusava a cura, resistindo a ti 
que fabricaste o remédio da fé e, dotando-o 
de tão grande poder, o derramaste sobre todas as 
enfermidades da terra!” 

- Santo Agostinho, Confissões, Livro VI, 5 -


Nota: Pintura "Crucificação", de Paolo Veronese

14 janeiro 2019

Mordomia





JORGE F. ISAH


Mordomo é o administrador de algo dado por outrem em confiança, na certeza dele exercer a função como se fosse o próprio dono. Do ponto de vista bíblico, não somos senhores de nada, nem de nossas vidas, mas tudo o que temos e somos pertence a Deus, e estamos ao seu serviço.

Em qual momento o homem largou a sua responsabilidade de servo? No Éden, quando Adão e Eva se rebelaram, abandonando o seu ministério, não cuidando de si mesmo como convinha. O caos se instalou, a ordem foi suprimida.

E quando fomos realçados ao posto de bons mordomos? Quando Cristo, ao sacrificar-se na cruz, nos readmitiu à administração do Reino. Se antes fomos feitos mordomos, e então abandonamos o posto ou ministério, agora estamos novamente a serviço de Deus, zelando por todas as dádivas recebidas.

Não é uma honra graciosa e imerecida voltarmos ao posto?

Não é um serviço cujo zelo deve ser gerido em excelência?

Fica a pergunta: temos nos devotado, nos empenhado, no exercício deste ministério? Ou não compreendemos, ainda, a real dimensão da mordomia cristã?


12 janeiro 2019

Um Pedido à Oração







Jorge F. Isah



"Orai sem cessar" (1Ts 5.17)

Você já orou, hoje? O que está esperando?

Mas o orar não é apenas um ato de se ajoelhar, fechar os olhos e abaixar a cabeça; muito mais do que isso, é estar em comunhão constante com Deus, de forma a todo o seu pensamento estar ligado e voltado para ele; enchendo-se do Espírito; e pronto a responder, com a mente de Cristo, em todas as situações nas quais se é colocado, neste mundo caído.


São ações responsivas a culminar na gratidão, confiança e esperança de ser conduzido em meio as vicissitudes da vida, das tristezas e aflições, resultando no gozo e alegria expressados no verso seguinte: dar graças em tudo (1 TS 5.18).

Se entendemos estes versos como são, imperativos, e não condicionais (a ordem divina a ser cumprida pelos seus filhos), por que, então, desobedecemos?


07 janeiro 2019

Escada para os céus






Jorge F. Isah



   A existência humana, como a conhecemos, é uma fração irrisória na história, e o homem um nada em relação à criação, quanto mais se compará-lo a Deus. Não é estranho, portanto, o anseio obsessivo de, sendo nada, fazer-se como ele e querer tudo?...
 
   Ah, maravilhas das maravilhas, enquanto o homem tenta subir as escadas para o trono divino, em uma nítida intenção de invadir e conquistar o Reino; Deus, em sua sabedoria, desceu aos porões da terra, fazendo-se um de nós, para, assim, salvar o seu povo, os seus eleitos. E, somente então as portas do reino eterno foram-nos abertas, escancaradas, para encontrarmo-nos com o Criador, Senhor e Salvador, e dele, e por ele, e para ele, gozarmos por toda a eternidade.
 
   Não foi o homem quem subiu aos céus, mas Cristo se fez homem, servindo-nos de escada, como uma ponte a ligar o mundo perdido e baixo ao Reino venturoso e sublime, finalmente alcançado, onde nos realizamos, filhos amados do Pai, pelos méritos exclusivos do Filho.