27 dezembro 2018

Caixa de Pássaros - Comentário




Jorge F. Isah


       Aproveitando o "oba-oba" do lançamento do filme "Caixa de Pássaros", no NetFlix, reproduzo aqui a pequena resenha do livro homônimo, de Josh Marlerman, lido em 2016, e publicada no blog "O que estou lendo... ou li" e na Amazon. A previsão feita, há dois anos, se concretizou: o livro virou filme, como já era de se esperar. 

       Então, se você ainda não leu o livro, nem viu o filme, leia os meus comentários, e sossegue, pois não dou spoiler do enredo, como é de praxe.  

       Deixo-lhes, portanto, as minhas impressões à época da leitura, o que, de certa forma, se confirmou novamente, ao assistir o filme. 

        Boa leitura!

                                      *****


DIVIRTA-SE, E ESQUEÇA!


  Josh Malerman é compositor e músico de uma banda de rock desconhecida (ao menos para mim), que se chama "High Strung". Não é uma boa credencial, desde o seu início, para um escritor. Não li os escritos de todos os roqueiros, vivos e mortos (e nem o poderia, a fim de preservar a minha sanidade), mas, do que li, não posso dizer que o gênero musical colabore com a literatura. A despeito de Bob Dylan ter ganhado o Nobel (se há um absurdo, esse foi o maior; um letrista apenas bom, e nem sempre, ganhou o maior prêmio literário do mundo), ele não pode ser considerado "ipsis litteris" um rocker, pois a sua trajetória musical está mais ligada ao folk ou àquele tipo de música niilista e de protesto que os rockers "cabeça feita" gostam de ouvir e impingir aos outros. A escolha do Nobel poderia recair sobre Cormac McCarthy ou Don DeLillo, por exemplo. Escritores infinitamente melhores do que o mediano letrista Dylan. 

  Bem, mas deixemos os músicos de lado.

  O livro é um thriller de suspense, com altos e baixos. Vamos a eles:

  1) Gostei do subtítulo: "Não abra os olhos"! Para o leitor voraz isso seria uma heresia, um castigo medonho, ou para quem aprecia as belezas e maravilhas criadas pelo bom Deus. Há um elemento subliminar de que, ao não abrir os olhos, o livro não será lido. Seria uma advertência do autor ao leitor?... Brincadeirinha...

 É claro que o objetivo da mensagem é revelar algo da narrativa, já instalar no leitor o pânico ou a apreensão pelo que se segue após virar a capa. Sinceramente, chamou-me a atenção, e de alguma maneira, influenciou a minha decisão de comprá-lo.

 2)Gostei da história. O seu mote é interessante. Em um mundo apocalíptico, quem vê se flagela e morre (a influência diabólica de levar a alma ao suicídio, à autoflagelação). Melhor, então, não ver, e se esconder do mundo exterior, ainda que suas ameaças estejam a cercar, pairando sobre os personagens. Não é original; a narrativa pós-apocalíptica tem sido muito utilizada na literatura, no cinema e nas artes em geral (a moda atual é a de filmes sobre um mundo dominado por zumbis, ET's e figuras fantasmagóricas. O que antes acontecia em privado, em particular, com um ou outro personagem, se disseminou, e cidades, países inteiros, são dominadas por seres não-humanos). O suspense sempre vendeu e continuará vendendo, a despeito de não haver mais escritores geniais como no passado, Stevenson e Poe, e, mais recentemente, Lovecraft e King (este nem tão genial, mas ainda dá o seu caldo).

 3) Se os personagens não têm a profundidade dos construídos por Dostoiévski e Tolstoi, ao menos são bem definidos, e os seus papeis no enredo também. Existem "furos" e inverossimilhanças em algumas de suas atitudes e falas, mas nada que possa considerar exageradamente falso. Afinal, é ficção.

 4) O autor consegue manter o clima de suspense da narrativa e prender a atenção do leitor. Vá lá, não é grande coisa, mas dá para passar algumas horas de diversão com o livro.

 A alternância entre presente e passado quebra um pouco da monotonia que poderia levar a história ao fracasso completo.

 5) Apesar da desagregação da sociedade, onde é cada um por si, houve o cuidado do autor em demonstrar não somente a necessidade do agrupamento de sobreviventes, mas a postura de alguns em abrigar e chamar outros para o lugar que consideravam seguro. Mesmo a fragilidade humana em um mundo caótico, leva-os a fortalecerem-se e buscarem formas de manter a esperança viva. É o caso do personagem Tom, um idealista, no bom sentido da palavra, um incansável promotor da fé; não existe crise maior do que não buscar as soluções, é o que pensa e tenta transmitir aos demais.

 Existem conflitos morais e éticos; e o que não se via, mas sabia, no "lá fora", acaba por acontecer no interior da casa.

 No final, existe esperança também para Malorie e seus filhos.

 6) A ideia é boa, mas a narrativa não se desenrola com a mesma eficiência. Como já disse, o autor consegue manter o "clima" de suspense, até certo ponto, mas de uma maneira geral, o enredo é apenas razoável. No seu desenrolar faltou a Malerman a perícia e habilidade de um construtor de histórias experiente e talentoso, como McCarthy e o seu "A Estrada", por exemplo.

 Já é praxe eu não fazer sinopse ou contar a história, para não tirar o prazer do futuro leitor; então, o que posso dizer mais? 

 Bem, se está esperando arrepios e uma história envolvente, daquelas de perder o fôlego, desista. Não é para você.

 Se deseja uma narrativa inteligente, com detalhes minimamente pensados e descritos com maestria, e um final que faça sentido, desista também.

 Se quer um livro para ler em um dia, de supetão, e passar algumas horas distraído e, até mesmo se divertir, para depois esquecê-lo, ele pode atendê-lo.

 É o primeiro livro de Malerman, e ele pode melhorar e aprimorar algumas qualidades que tem. Precisa, talvez, deixar de pensar em escrever um livro-filme (a moda são enredos que possam e, já pensam, em se tornar em filmes. Não se contentam apenas com o papel...) e sair um pouco dos clichês, tão comuns aos livros de suspense (projetados para serem películas, num futuro próximo).

 Não peço originalidade, pois isso é bobagem, na maioria das vezes, ou em todas. Mas uma boa ideia, técnica, boa narrativa e um enredo que se sustente, já o tornaria em uma promessa alvissareira neste século.

 Então, vamos esperar o próximo volume.


*****

AVALIAÇÃO: (**) REGULAR








Josh Malerman
Editora Intrínseca
272 Páginas

13 dezembro 2018

Prólogo do livro "A Distração do Pecado"






O embrião para a realização deste livro foram as aulas ministradas na Escola Dominical do Tabernáculo Batista Bíblico, e, durante quase um ano, analisamos cada um dos versos da carta de Judas, sobre os quais nos debruçamos e meditamos com o objetivo de nos dobrarmos à verdade de suas poucas páginas. No princípio, inadvertidamente, cogitei uma análise em quatro ou seis aulas, no máximo, mas a riqueza e a profundidade do texto levaram-nos a dispender oito vezes mais o prazo inicialmente estimado.
        Em uma série de estudos, fomos impulsionados a compreender a gravidade do momento vivido pela igreja de Cristo à época do epistológrafo, crise pela qual a igreja passa, na atualidade, em proporções talvez maiores, já que grande parte dos inimigos de Cristo encontram-se dentro dela, como o joio aguardando para ser arrancado. Os exemplos bíblicos servem-nos como alerta, exortação e repreensão, para rechaçarmos os constantes ataques inimigos, não nos entregando às suas artimanhas açuladas, preservando a sã doutrina, o temor e reverência a Deus, apegando-nos à verdade, repelindo a incitação desonesta à rebeldia, à contemporização com o pecado e ao cultivo do mal.
        Portanto não espere um livro onde você se perderá em meio as dúvidas; não escrevi nada novo, mas repeti o que a igreja tem defendido por séculos; não espere afagos e adulações, porque Judas, como emissário de Cristo, exortou a igreja com asserção, como prova do verdadeiro amor, límpido e vigoroso, não dando lugar à lisonja interesseira; levando incautos a confundir o bem com o mal, o certo e o errado, descristianizando mentes e corações para depois abandoná-los na miséria absoluta, levando-os ao servilismo e penúria da alma, aprisionada nas correntes diabólicas. Pelo contrário, este livro é cristocêntrico, não trata de um Deus genérico, impessoal e distante do homem, mas do Deus encarnado, pessoal, cuja honra e glória satisfaz mais ao Pai e ao Espírito, as demais pessoas da Trindade, do que o louvor dispensado a elas mesmas.
        Não espere, também, um discurso liberal, heterodoxo, antropocêntrico, no qual o homem é a “estrela”, enquanto Cristo é um mero coadjuvante, um nome a agregar distração. Se nada for aproveitado nesta obra, oro para que ao menos o leitor compreenda a excelência de Cristo, sua sublime majestade, completa divindade, completa humanidade, esplendor e glória, num grau de superioridade mais que elevada, somente possível para quem, como ele, compartilha a deidade
em unidade com o Pai e o Espírito Santo; isto é chamado de Cristocentrismo[1]. Se nada mais ficar, que fique isso; do contrário, este livro não terá significado, nem propósito.
        Não espere nada bombástico, original, em uma busca doentia pelo ineditismo, o qual leva muitos autores e livros para além do limite permitido pela sã doutrina, cruzando perigosamente a linha divisória entre o santo e o profano, entre o bíblico e o pagão, entre o louvável e o desprezível. Não tive a menor pretensão de ser inovador, mas de apenas ordenar as ideias e tudo apreendido em minha caminhada com os santos, a fim de, através de Judas, alertar a igreja quanto às várias investidas dos inimigos no intento de solapar, de tornar ineficiente a igreja, fazendo-a um apêndice mais higiênico da podridão mundana; controlando-a com suas acusações, inverdades e coerção, num esquema de manipulação visando a fazê-la um arremedo de si mesma e de secularizá-la a todo custo e sob todos os aspectos da (des)ordenação da civilização moderna. Em um século controlado pela ideologia e pelo combate à verdade; onde o anticristianismo é a faceta mais perversa e injusta da capitulação do bem.
        Tentei escrever de forma simples, sem rebuscar ou empreender um trabalho hermético, sem qualquer pretensão de construir uma obra acadêmica, mas de disponibilizar a qualquer um o texto com vistas a edificar e exortar a igreja, muitas vezes perdida entre o secularismo institucionalizado e um apego a uma tradição mais formal que espiritual, mais moralista que moral, mais centrada nas concepções humanas do que na verdade, na essência da fé, o próprio Deus. Busquei passar uma imagem clara daquilo que me propus a fazer, mesmo que, em alguns momentos, não tenha a convicção de tê-lo alcançado, no que espero contar com a compreensão do leitor. De maneira geral, foi um misto de gozo e angústia intentar o exercício de trazer à luz o que existia apenas em esboços e linhas mal delineadas.
        Entretanto, devo ressaltar que nem todo o material, constante nestas páginas, é exclusivo das lições apresentadas no T.B.B.; há uma boa parte de trechos escritos “a posteriori”, alguns pensamentos “a priori”, e reflexões complementares acrescentadas ao corpo inicial, à medida que a obra tomava forma, como consequência necessária da sua redação; proveniente, em caráter único, das minhas considerações sobre os diversos temas propostos, não existindo qualquer comprometimento da liderança e membros do T.B.B. nas conclusões e no produto final apresentado, sendo, portanto, de minha inteira responsabilidade o que se vos apresenta.  
        Contudo, não poderia deixar de agradecer a cada um dos contribuintes e corresponsáveis diretos no arremate desta obra, não necessariamente no que se encontra expresso, mas através das participações frequentes nas aulas, em conversas ocasionais e indicações de textos e obras. Seria injusto se, em especial, não creditasse ao pastor Luiz Carlos Tibúrcio, irmão e amigo, o estímulo necessário para desenvolver este plano, ao convencer-me, sete anos atrás, a aceitar a incumbência de tornar-me professor. Com ele, também, tenho aprendido muito, ainda que algumas coisas me sejam incompreensíveis no momento, por conta de minhas próprias deficiências, ressaltando a sua paciência insistente em não abandonar-me; e, ainda, ao amor e auxílio fraternal da igreja, sem os quais não se alcança qualquer conhecimento espiritual, nem experiencial, da autêntica vida cristã, somente possíveis no corpo local, pela união promovida por Cristo, de fazer para si um povo e de levá-lo à comunhão íntima com seu Santo Espírito. Como sempre digo, não há divergências, nem algum problema, que não seja dissolvido pelo amor do Senhor, o qual nos une e nos mantém unidos.
        É com grande alegria que entrego estas páginas ao leitor. Durante mais um ano, após o término letivo, estive envolvido com este projeto de agrupar, acrescentar e burilar os esboços servidos de aulas; algo por completo inusitado para mim, havendo um determinado momento no qual considerei quase impossível concluí-lo, dada a insatisfação com uma ou outra parte do texto, mas que, pelo favor divino, foi possível chegar a termo, e um desejo, por fim, realizado. Vê-lo, agora finalizado, é a demonstração da graça e bondade divina para comigo.
Oro, do fundo do meu coração, para o Senhor utilizar este instrumento na edificação da sua santa igreja, e para a sua honra, porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos”[2]; e a Cristo seja dado todo o louvor e glória, eternamente!




[1] Cristocentrismo é a designação para “Cristo no centro de tudo”. Não há ortodoxia e ortopraxia sem se considerar profundamente isso. Quando o Filho diz que ninguém vem ao Pai senão por ele, está definindo algumas coisas: o crente vem ao Pai porque vem a Cristo, e ambos são um, uma unidade com o Espírito. Segundo, agradou ao Pai e ao Espírito Santo serem glorificados no Filho, de maneira tal que é impossível a glória de Deus sem que seja dada a glória a Cristo, exclusiva e primeiramente; a glória divina passa, necessariamente, pela glorificação de Cristo. Terceiro, como consequência, qualquer tentativa de se glorificar a Deus, por outros meios, é rejeitada. Quarto, e é rejeitada pelo simples fato de que, como pecadores é impossível agradarmos a Deus, então, nossas ações, pensamentos, orações e ofertas são santificadas pelo Filho, e sendo por ele santificadas, agradarão, finalmente, ao Pai.
[2] Atos dos Apóstolos, 17.28


Compre o livro AQUI

23 novembro 2018

LANÇAMENTO DO LIVRO "A DISTRAÇÃO DO PECADO", E PROMOÇÃO BLACK FRIDAY - KÁLAMOS







Jorge F. Isah


        É com muita alegria que anuncio o lançamento do meu primeiro livro teológico, "A Distração do Pecado", cujo subtítulo é: "Um estudo sobre a igreja, com base na Carta de Judas". Ele tem 454 páginas, no formato ebook, e está disponível na gigante Amazon.

Veja a capa do livro, abaixo:



         Amigo leitor, você pode adquiri-lo em formato ebook ou físico, AQUI, ou visitando o site da Kálamos Editora

         Os nossos livros encontram-se em promoção na Black Friday até a próxima segunda-feira, dia 26. Não perca a chance de conhecer o nosso catálogo (ainda diminuto), e aproveitar os descontos de até 50%. 

         Compre também o meu segundo livro de poemas, "Arpeggios Insulares", que está com preço super-promocional. 

         Um grande e forte abraço!

         Cristo o(a) abençoe, ricamente!









22 outubro 2018

SUMMA TEMPORUM









Jorge F. Isah


            Na foto acima, um dos poemas constantes no meu recém-lançado livro "Arpeggios Insulares", que poderá ser adquirido no site da Amazon.com.br, pelo link https://amzn.to/2x5mg2H, no valor de R$ 5,99, ou se você é assinante do Kindle Unlimited, baixe-o gratuitamente. 

            Em breve, novo livro será lançado, inaugurando a seção de teologia da Kálamos Editora. Visite-nos, e leia alguns trechos do livro, clicando AQUI!



29 agosto 2018

PRÉ-VENDA DO LIVRO "ARPEGGIOS INSULARES"



Jorge F. Isah

        É com muita alegria que venho trazer notícias para os leitores do "Kálamos", em especial a de que criamos uma Editora, "Kálamos Editora" (não podia ser diferente, e ter outro nome), e um site para divulgar os seus produtos (livros, especificamente), que ainda está em construção. O endereço é: 


           
           Temos um novo "logo", também: 


        E o desejo de, em breve, se Deus quiser, publicar novos autores além do "velho" aqui. 
          Por falar em livros, e é a segunda razão desta postagem, está em pré-venda o meu segundo volume de poesias, "Arpeggios Insulares", comercializado pela Amazon. Para você se direcionar para a página de venda na Amazon, basta clicar na capa, abaixo, comprando-o, e me ajudar na publicidade (se assim lhe aprouver):


         se tiver dificuldades no direcionamento, deixarei o link, abaixo, que pode ser copiado no seu navegador, ou bastando clicar nele, para ser direcionado à compra: 


         Em breve, acontecerá novidades, como a publicação, para fins de Outubro, ou início de Novembro, do meu primeiro livro teológico, que já tem título, capa, e está em fase final de edição. Bem como o recebimento de originais de terceiros  para eventual publicação; o que espero aconteça em meados de 2019, se assim o Senhor o quiser. 
           Espero que tenham gostado da atualização, e me perdoem a não publicação de novos textos, por aqui, nos últimos meses. Retornarei à normalidade no blog, ainda este ano. 
            No mais, um forte abraço a todos!
            Cristo o(a) abençoe!
            

21 maio 2018

Sermão em Lucas 12.34: Onde está o seu coração?






Jorge F. Isah



    
           “Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso          coração.”  Lucas 12:34

  

INTRODUÇÃO:


- Fim-de-ano é uma época interessante, onde as pessoas, de maneira geral, se entregam aos sonhos, desejos e expectativas.
 
- Seja por aquilo que desejam ganhar, na forma de presentes, atenção, abraços efusivos; seja por aquilo que lhes aguce os instintos: comida, bebida, danças, músicas, etc, ou seja, o prazer sensorial e corporal.

- Seja pela esperança de um ano-novo melhor, com aspirações de mudanças profissionais, financeiras, na aparência, comportamento, etc.

- Na verdade, é uma época em que o seu real sentido é pervertido, e camuflado por tudo aquilo que, pouco ou nada, diz respeito ao seu real propósito.

- Em particular, o Natal é ainda mais estranho, perdendo, cada vez mais, a sua originalidade.

- Não vou entrar nos pormenores de se devemos ou não festejar o Natal, se é certo ou errado o cristão fazê-lo.

- Historicamente, sem houve grupos a favor e contra, cada um com os seus argumentos a defende-lo ou ataca-lo, mas o certo é que irmãos fieis e servos sinceros de Cristo estiveram em ambos os lados.

- O fato é que a palavra “Natal” significa “nascimento”.

- Mas, nascimento de quem?


O SENTIDO DO NATAL

- Para acabar com o suspenso, vou logo dizendo que o Natal existe por causa de uma pessoa: Jesus Cristo!

- Por mais que as pessoas se importem ou não com o fato, queiram despreza-lo ou não, ignorem-no ou não, a verdade é que se estão comemorando o Natal, o estão por causa de Cristo. Quer aceite ou não.

- Cristo foi aquele que, com o seu nascimento, dividiu a história da humanidade em antes e depois dele (A.C./D.C.).

- É a personagem mais importante, crucial, na história humana.

- É por ele que existimos e vivemos. Hebreus 1.1-3:
“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,
A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas... “ Hebreus 1:1-3
 
- O Cristo assumiu a forma humana, fazendo-se um de nós. Então, ele teve de nascer. E o seu nascimento foi assim descrito por Mateus:

“Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Que estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo.
Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente.
E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo;
E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.
Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz;
Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco.
E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher;
E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus.” Mateus 1:18-25

  - Cristo nasceu! E o Natal representa exatamente isto, que ele veio ao mundo.

- A maioria das pessoas ignoram esse real sentido.

- Talvez porque reflitam, no fim-do-ano, o descaso e rejeição ao Filho de Deus que tiveram durante todo o ano, durante a totalidade de suas vidas.

- Assim como no Natal, homem algum deve simplesmente gastar a sua vida nos exageros dos sentidos, transformando-os em mero manifesto a fim de dar vazão e causa para o pecado e a carnalidade.

- O Natal serve-nos como reflexo daquilo que desejamos, ansiamos ou realizamos. As intenções não serão diferentes daquelas a conduzir-nos durante todo o ano.

- Por isso, voltamos ao versículo inicial de Lucas 12.34: Onde está posto o seu coração? 





SEU CORAÇÃO ESTÁ POSTO NO LUGAR CORRETO?

- Este Capítulo de Lucas vai nos revelar qual é a nossa real motivação, interesses, e em quem temos colocado o nosso coração.

- Há uma exortação do Senhor quanto a qual é o nosso tesouro: se os bens, o conforto e as riquezas materiais, satisfazendo os nossos desejos e instintos, ou se agradar, servir e sujeitar-se a Deus.

- Quero fazer uma ressalva: Não estou condenando nem as riquezas, nem o conforto, muito menos a aquisição de bens materiais. Nada disso é ilícito, se colocado no seu devido lugar, no lugar em que Deus quer que o coloquemos.

- Paulo nos diz:

“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se transpassaram a si mesmos com muitas dores.” 1 Timóteo 6:10

  - Portanto, o pecado não é em se ter dinheiro, mas a amá-lo, como um ídolo. O homem deve amor a duas coisas somente: a Deus e ao próximo. Sendo que Deus deve ser amado acima de todas as coisas, e depois o próximo como a nós mesmos.

- Falemos um pouco daqueles que colocam a sua esperança e vida nos bens materiais.

- O trecho vai do versículo 13 ao 21 (farei algumas inserções ao texto bíblico, colocando os meus comentários em parênteses ou colchetes, assim como o comentário do grande teólogo Puritano Mathew Henry):

“E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.
Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?
E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza [falta de generosidade, apego sórdido, baixo, repugnante ao dinheiro]; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância;
E arrazoava ele entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos.
E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;
E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga.
Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus."

[Comentário de Mathew Henry: “O maior erro de todos é que ele não se preocupa em ser rico para com Deus, rico de acordo com o critério de Deus. O fato de Deus nos considerar ricos nos torna ricos (Ap 2.9), ricos nas coisas de Deus, ricos na fé (Tg 2.5), ricos em boas obras, ricos nos frutos de justiça (1 Tm 6.18), ricos nas graças, nas consolações, e nos dons espirituais. Muitos que têm abundância deste mundo são completamente destituídos daquilo que irá enriquecer as suas almas, que os farão ricos para com Deus, ricos para a eternidade.”] 
 
- Se o seu coração está nos tesouros terrenos, você é um tolo, apegando-se a algo volátil, temporário, e que nem mesmo pode lhe trazer a segurança que você almeja.

- Os tesouros são ídolos, nos quais o homem deposita a sua fé, e em uma esperança vã (vazia, inútil, falsa).

- A prova é que fortunas são perdidas em segundos, bastando um revés na economia, nos negócios, um furto, para tudo escoar ralo abaixo.

- Se um avarento morre, de que lhe restam os bens?

- Nos apegamos à ilusão, ao delírio de que, acumulando coisas, estaremos seguros. Guardadas as devidas proporções, seria a mesma segurança que uma pessoa tem em itens de proteção: alarmes, armas, muros, cercas, etc. Se usadas de forma correta, podem colaborar, mas se pensadas como invioláveis e inexpugnáveis, quem assim crê já se tornou vulnerável, e estaria mais seguro se não dependesse delas.

- Nessa visão, qualquer que põe a sua confiança em um ídolo, seja o dinheiro, outrem, ou a si mesmo, e não em Deus, está fadado ao fracasso, e, mais do que isso, à condenação.

- Em contrapartida à esta visão humana do que vem a ser segurança, o Senhor nos alerta a confiar, esperar, e servir a Deus. Senão, vejamos em Lucas 12.29-32:
“Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos".

[Pausa para reflexão: Deus disse a Adão, no Éden, que viveria do suor do seu rosto, ou seja, do seu trabalho. E todos devemos trabalhar. Paulo diz que aquele que não trabalhar, não coma.

- Devemos também ser modestos e cuidadosos nos gastos, em como investimos o nosso dinheiro. Não indo além do que podemos ir.

- Mas não devemos nos inquietar e afligir com a nossa subsistência, já que Deus é aquele que cuida de nós (As inquietações veem para enfraquecer a nossa fé, tirando-nos o foco de Deus e colocando-o em nós mesmos. Elas nunca constroem nada, pelo contrário, destroem qualquer capacidade de termos respostas adequadas).

- E se confiamos nele, e depositamos nele a nossa esperança e certeza, ele não nos abandonará, nem nada nos faltará.

- É o que Davi, mesmo com todos os dissabores, perseguições e injustiças promovidas por seus inimigos, afirmou, no Salmo 23:

“O Senhor é o meu pastor (e como ovelha reconheceu), e nada me faltará!”]

(Continuando...)


"Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas.
Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."


[PAUSA: E a resposta para as nossas aflições, ou não, são respondidas pelo Senhor, neste ponto: “Buscai antes o reino de Deus”

E o que vem a ser isto?

Batemos no peito, e dizemos que aqui não é o nosso mundo. Afirmamos ser peregrinos neste mundo. Mas a verdade é que nos apegamos, muitas vezes desesperadamente, nas coisas deste mundo, agindo quase como incrédulos, como se não houvesse amanhã.

Muitos se entregam à embriaguez, ao sexo pecaminoso, ao vício de drogas, à cobiça, ao amor próprio, ao poder, à glória pessoal, destruindo-se, e quase sempre ao seu semelhante.

Por que? Pela vaidade e orgulho do coração. Pelo mal como ação necessária, quando este mesmo mal é a causa da condenação, por causa do coração duro e impenitente.

Em oposição a essa visão deturpada e caída da vida, temos o Senhor a dizer: 

“Buscai antes o reino de Deus”.
 

Buscar o Reino é, antes de tudo, buscar aquele que reina!

Buscar o Reino é, antes de tudo, servir àquele que reina!

Buscar o Reino é, antes de tudo, satisfazer-se naquele que reina!

Buscar o Reino é, antes de tudo, viver para a glória do rei!

E quem é esse rei? Nenhum outro além de Cristo!]

"Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino".

[PAUSA: A ele glória, honra, louvor e sujeição!

Se o buscarmos e ao seu reino, o qual promete nos dar, teremos a paz que somente ele pode dar, mesmo nos momentos de maior angústia e tribulação]. 


 CONCLUSÃO:

- Aproximando-se o Natal e o Ano-Novo, você já fez uma reflexão sincera, sem camuflagem, sem esconder-se de si mesmo (pois diante de Deus ninguém pode se esconder), e avaliou se, realmente, o que está a buscar?

- Se a sua satisfação e gozo pessoal?

- Se está entregue aos seus desejos pecaminosos?

- Se despreza a Deus no íntimo, mesmo que a sua boca tente convencê-lo do contrário?

- Se diz amar ao Senhor, mas seus atos não têm nada de compaixão, misericórdia e perdão?

- Se insiste e persiste em iludir de que é um bom cristão, quando a prática nega a sua fé?

- Mas se, antes, você busca honrar a Cristo com a sua vida, bens e obras que revelem os frutos do Espírito, você busca o Reino, e nada lhe faltará.

- O Deus providente, misericordioso, amoroso e gracioso, não deixará a sua fé ser posta em palhas e gravetos secos.

- Antes você estará firmado na Rocha, Cristo, e beberá, e comerá, e se saciará do pão e da água da vida.

- Que cada um de nós não pense de si mesmo mais do que convém, como disse Paulo, mas coloque-se a si mesmo em seu devido lugar: servindo a Deus incondicionalmente, ou aos ídolos apenas o empurrão para mais distante de Deus. 


NOTA: 1- Este esboço foi a tentativa de montar um novo esquema de sermão, o qual espero ter sido melhor desenvolvido na pregação do que propriamente nestas linhas.
2-  Sermão ministrado no Tabernáculo Batista Bíblico