09 março 2014
03 março 2014
Estudo da Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 61 - Dons Apostólicos: Operação de Maravilhas
Muitos entendem esse dom como sendo o mesmo de curar, como várias vezes Cristo e os apóstolos fizeram: dar vista aos cegos, audição aos surdos, a fala aos mudos, e restaurar membros aleijados [pernas e mãos, p.ex.]. Para isso, muitos tradutores substituem o termo "maravilhas" por "milagres", criando uma generalização que o apóstolo não quis dar. Por milagres, podemos entender uma ação imediata de Deus no cosmos, onde se incluiriam todos os dons relacionados em 1Co 12, e, muitos mais. Ainda que se possa tratá-los como sinônimos, penso que o escritor quis estabelecer uma separação, dando um caráter singular ao "operar maravilhas", contudo, estabelecer claramente essa diferenciação é algo muito difícil. Essa distinção também está presente na dissociação entre ele e o dom de curar [leia o estudo sobre este dom], demonstrado, ao citá-los, na mesma sequência, separadamente, e não como um mesmo sinal indistinto. Assim, ele não queria que um dom fosse considerado análogo ao outro, revelando que eram ações inconfundíveis, diversas, mas realizadas pelo mesmo Espírito. Logo, operar maravilhas e curar não podem ser tomados como a mesma coisa, como se fossem um mesmo dom, senão, por que Paulo os mencionaria distintamente? Ora, porque são dons diferentes e não idênticos, ainda que possam ser comparados em seu caráter sobrenatural. Sabemos o que é o dom de cura, mas o que vem a ser operação de maravilhas?
Primeiro, deve-se definir a palavra maravilha e sua aplicação
no texto bíblico. Maravilha, milagres e sinais têm em comum, como já
insinuei, o fato de serem ações ou manifestações especiais de Deus no
mundo natural, uma interferência contrária, oposta e extraordinária,
revelando um poder e uma realidade que estão acima, que são superiores,
ao mundo físico ou natural.
Como também já vimos, os dons espirituais têm o objetivo de
legitimar e autorizar o ministério dos apóstolos como instituído por
Deus. Eles nunca estão sozinhos, mas sempre acompanhados da pregação do
Evangelho, como confirmação de que eles são testemunhas vivas da palavra
de Cristo. Na verdade, os apóstolos falavam ousadamente de Cristo, e
ele confirmava a veracidade, "permitindo que por suas mãos se fizessem
sinais e prodígios" [At. 14.3]. Muito do que pode ser dito deste dom já
foi exposto nas aulas anteriores, não sendo necessário repeti-los.
Ao meu ver, o que diferencia o dom de operar maravilhas dos
demais dons é a sua manifestação em eventos exteriores ao homem. Pode
ser que a minha definição se enquadre numa limitação ou numa espécie de
reducionismo do poder divino, mas penso que esse foi o propósito de
Paulo ao mantê-lo distinto dos demais dons.
Eles aconteceram em vários momentos históricos, como, por exemplo:
1)
Moisés estendeu a sua mão sobre o Mar, e ele se abriu, e os judeus
atravessaram-no: "Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o
SENHOR fez retirar o
mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em
seco, e as águas foram partidas.
E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas
foram-lhes como muro à sua direita e à sua esquerda! [Ex 14.21-22];
2) Josué orou e o Sol e a Lua pararam: "Então Josué falou ao SENHOR, no dia em que o SENHOR deu os amorreus nas mãos dos filhos de Israel, e disse na presença dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeom, e tu, lua, no vale de Ajalom. E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Isto não está escrito no livro de Jasher? O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro" [Js 10:12-13];
3)
Jesus transformou água em vinho: "E estavam ali postas seis talhas de
pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou
três almudes. Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E
encheram-nas até em cima. E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao
mestre-sala. E levaram. E,
logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde
viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água),
chamou o mestre-sala ao esposo, E
disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm
bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.
Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a
sua glória; e os seus discípulos creram nele" [Jo 2.6-11];
4) Cristo andou sobre as águas e acalmou a
tempestade: "E o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas;
porque o vento era contrário; Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se
Jesus para eles, andando por cima do mar. E os discípulos, vendo-o
andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram
com medo. Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou
eu, não temais. E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu,
manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro,
descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas,
sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo,
clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão,
segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste? E, quando
subiram para o barco, acalmou o vento" [Mt 14.24-32];
5) Podemos também citar os apóstolos Pedro e Paulo, por cujas mãos Deus ressuscitou a Dorcas [At 9.40] e Êutico [At 20.9-12].
O
que nos leva à seguinte pergunta: existem pessoas com esses dons hoje?
Alguém que possa agir contra a própria natureza e as leis físicas?
Certamente que não. Veja bem, não dizemos que milagres e
acontecimentos maravilhosos como os relatados acima não possam
acontecer, pois não é isso. Somente não cremos que Deus ainda distribui
dons sobrenaturais aos homens, pois, como já foi mostrado, eles não eram
apenas feitos em si mesmos, eventos que se autoexplicassem sem a
necessidade de um exame acurado. Eles estavam sempre atrelados à
revelação escriturística, testificando a autoridade investida por Deus aos apóstolos e àqueles a quem os apóstolos designavam, como testemunhas
de Cristo e seu Evangelho. O próprio Senhor realizava-os, primeiramente
para revelar ao mundo a autoridade divina do Filho, da segunda pessoa
da Trindade Santa, mas também apontando para o Pai, aquele que o enviou.
Esses dons eram sinais de testemunho, confirmando que a palavra
proferida era a fiel e autêntica palavra de Deus. Assim, também, o
testemunho apostólico comprovava a ressurreição do Senhor, de que com ele comeriam e beberiam após a sua morte [At 10.34-42].
Não nos esqueçamos também de que as Escrituras ainda não
estavam concluídas ou fechadas, e foram esses homens que a redigiram,
e, para tanto, os dons espirituais eram sinais de que a palavra escrita
carregava o selo legítimo da autoridade divina.
Por fim, o apóstolo reivindica que a salvação, anunciada
inicialmente por Cristo, foi confirmada, naquele tempo [e ainda hoje],
pelos que a ouviram [apóstolos e discípulos], testificando Deus com
eles, por sinais e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito
Santo. Então, nada disso é mais necessário hoje, porque temos a certeza
de que, pela palavra revelada, a salvação é um dom de Deus pela fé em
Cristo.
Hoje, mais do que demonstrar o poder de determinado pastor ou
missionário, o que não faria sentido, visto a revelação estar
completamente explicitada e concluída, e nada poder ser-lhe acrescentada [pois o
fazendo, implicaria em maldição ao que acrescentar ou tirar algo da
Escritura], os milagres e maravilhas realizados por Cristo e seus
apóstolos reportam-nos à certeza, mais do que a esperança, de que Deus
governa soberanamente sobre tudo e todos, e de que, no dia do Senhor, a
tão desejada redenção universal virá como cumprimento da promessa de
Cristo, revelando-nos a sua glória. De forma que o reino das trevas será
definitivamente vencido e destruído [Lc 11:20-23], a morte será
finalmente aniquilada [1Co 15.26], todo sofrimento expirado, assim como
toda lágrima, enxugada [Ap 21.4], e o caos dará lugar à ordem e paz
eternas, nos novos céus e terra [Ap 21.1]. E não mais serão necessários
milagres, porque viveremos o eterno milagre: a salvação!
Notas: 1) Aula realizada na EBD do Tabernáculo Batista Bíblico;
Notas: 1) Aula realizada na EBD do Tabernáculo Batista Bíblico;
2) Baixe esta aula em Aula 79 - Dons - Operação de Maravilhas.MP3
3) Muitos outros pontos foram abordados no áudio, e que não estão presentes no texto
3) Muitos outros pontos foram abordados no áudio, e que não estão presentes no texto
21 fevereiro 2014
Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 60 - Dons apostólicos: Cura
Por Jorge Fernandes Isah
A primeira coisa a dizer é que cremos no
poder divino de curar, ao contrário do que alguns afirmam. Contudo não cremos mais que Deus o faça pelas
mãos de homens ou mesmo pelos objetos que eles usavam. A Bíblia nos
informa que a sombra de Pedro curava as pessoas [At 5.12-16]. Ele não
orava nem as tocava, mas apenas o passar da sombra pelos enfermos
curava-os. Igualmente as roupas de Paulo eram instrumentos de Deus para
a cura dos doentes [At 19.11-12]. Mas isso poderia acontecer hoje?
Podemos afirmar que não, porque essas maravilhas eram realizadas pelos
apóstolos como confirmação de que a mensagem de boas-novas, o Evangelho
de Cristo, provinha de Deus. E somente os apóstolos podiam transferir
esses dons a outros irmãos da igreja, como já vimos em outra aula.
Ninguém mais! Portanto, com o fim da era apostólica, esses dons
cessaram, pois já não podiam mais serem transmitidos; não havendo nenhuma outra forma de sucessão apostólica além da autoridade que os próprios apóstolos possuíam. O dom de transmitir tal poder pertencia a eles, e somente a eles.
Então é preciso entender que o dom de cura tinha um caráter revelacional e estava diretamente ligado à testificar e ministrar o Evangelho de Cristo. Não tinha por objetivo apenas curar o enfermo, como vemos hoje nas "campanhas de cura", onde o Evangelho não é pregado, Cristo não é pregado, não há arrependimento, conversão, mas apenas uma proposta de cura do corpo enquanto a alma está moribunda e o espírito agonizante. Nada disso tem a ver com o dom dado à igreja primitiva. A cura, assim como os milagres, tinham o propósito de revelar Cristo e sua obra através da pregação do Evangelho, e de que ele provinha de Deus; igualmente testificava que os apóstolos e discípulos não proclamavam nenhuma mensagem meramente humana, mas eram porta-vozes do próprio Deus. Não pensem também que a igreja era um pronto-atendimento, como muitas igrejas defendem e tentam copiar, porém copiam um padrão que não é eclesiástico nem neotestamentário. A cura servia a uma finalidade, como já dissemos, e nem todos eram curados, e muitos não foram, como a própria escritura relata, porque era específico, restrito a certas situações. Os dons não eram como varinhas-de-condão, bastando acioná-las que automaticamente entrariam em ação e proporcionariam os efeitos desejados. Como exemplo, há o caso de Epafrodito, o qual é citado por Paulo como alguém que quase morreu, pois estava muito doente. A ordem sequencial, em Filipenses 2:25-27, é: esteve muito doente, e quase morreu, indicando que o seu estado de saúde agravou-se no decorrer da enfermidade. Deus o curou, e o apóstolo se alegrou de Deus tê-lo feito, mas não há nenhuma indicação de que foi por intermédio do apóstolo que o Senhor o fez, pelo contrário, a evidência é de que não houve sua intervenção direta a não ser pela oração, e nada mais. Ao ponto dele dizer que o Senhor teve misericórdia do seu companheiro de lutas e cooperador, mas também de si mesmo, poupando-o de sofrer tristeza sobre tristeza, com a possibilidade iminente da morte do amigo e irmão. Se Paulo dispunha do dom, no momento e hora em que quisesse usá-lo, por que não o fez? Ou não dependia, simplesmente, da sua vontade acioná-lo? Era necessário cumprir um propósito previamente estabelecido e comunicado por Deus? O que nos mostra que os apóstolos não eram super-homens, nem homens independentes, mas homens comuns poderosamente usados pelo Senhor, sujeitando-se à sua vontade e dependentes exclusivamente dela. Fica claro que Paulo, se ainda tivesse esse dom ou pudesse usá-lo a seu bel-prazer, não se furtaria a curar Epafrodito, um colaborador tão amado. Logo o dom de cura não era algo automático e infalível, e que se podia dispor dele quando bem o quisesse. Ele também diz que deixou Trófimo doente em Mileto, ao despedir-se de Timóteo [2Tm 4.20], e sugeriu ao próprio Timóteo que tomasse um pouco de vinho por conta das frequentes dores no estômago e outras enfermidades [1Tm 5.23].
Então é preciso entender que o dom de cura tinha um caráter revelacional e estava diretamente ligado à testificar e ministrar o Evangelho de Cristo. Não tinha por objetivo apenas curar o enfermo, como vemos hoje nas "campanhas de cura", onde o Evangelho não é pregado, Cristo não é pregado, não há arrependimento, conversão, mas apenas uma proposta de cura do corpo enquanto a alma está moribunda e o espírito agonizante. Nada disso tem a ver com o dom dado à igreja primitiva. A cura, assim como os milagres, tinham o propósito de revelar Cristo e sua obra através da pregação do Evangelho, e de que ele provinha de Deus; igualmente testificava que os apóstolos e discípulos não proclamavam nenhuma mensagem meramente humana, mas eram porta-vozes do próprio Deus. Não pensem também que a igreja era um pronto-atendimento, como muitas igrejas defendem e tentam copiar, porém copiam um padrão que não é eclesiástico nem neotestamentário. A cura servia a uma finalidade, como já dissemos, e nem todos eram curados, e muitos não foram, como a própria escritura relata, porque era específico, restrito a certas situações. Os dons não eram como varinhas-de-condão, bastando acioná-las que automaticamente entrariam em ação e proporcionariam os efeitos desejados. Como exemplo, há o caso de Epafrodito, o qual é citado por Paulo como alguém que quase morreu, pois estava muito doente. A ordem sequencial, em Filipenses 2:25-27, é: esteve muito doente, e quase morreu, indicando que o seu estado de saúde agravou-se no decorrer da enfermidade. Deus o curou, e o apóstolo se alegrou de Deus tê-lo feito, mas não há nenhuma indicação de que foi por intermédio do apóstolo que o Senhor o fez, pelo contrário, a evidência é de que não houve sua intervenção direta a não ser pela oração, e nada mais. Ao ponto dele dizer que o Senhor teve misericórdia do seu companheiro de lutas e cooperador, mas também de si mesmo, poupando-o de sofrer tristeza sobre tristeza, com a possibilidade iminente da morte do amigo e irmão. Se Paulo dispunha do dom, no momento e hora em que quisesse usá-lo, por que não o fez? Ou não dependia, simplesmente, da sua vontade acioná-lo? Era necessário cumprir um propósito previamente estabelecido e comunicado por Deus? O que nos mostra que os apóstolos não eram super-homens, nem homens independentes, mas homens comuns poderosamente usados pelo Senhor, sujeitando-se à sua vontade e dependentes exclusivamente dela. Fica claro que Paulo, se ainda tivesse esse dom ou pudesse usá-lo a seu bel-prazer, não se furtaria a curar Epafrodito, um colaborador tão amado. Logo o dom de cura não era algo automático e infalível, e que se podia dispor dele quando bem o quisesse. Ele também diz que deixou Trófimo doente em Mileto, ao despedir-se de Timóteo [2Tm 4.20], e sugeriu ao próprio Timóteo que tomasse um pouco de vinho por conta das frequentes dores no estômago e outras enfermidades [1Tm 5.23].
O próprio fato de Paulo referir-se a um "espinho na carne", que
bem podia ser uma doença usada por satanás para esbofeteá-lo [2Co
12.5-10], e ainda de um certo problema de visão que o acometeu
durante bastante tempo, quando primeiro anunciou o evangelho aos gálatas,
estando em fraqueza da carne [Gl 4.12-15], corrobora o fato de que ele não podia curar-se a si mesmo, utilizando-se do dom de cura em benefício próprio. Isso pode deixar muitos crentes atônitos: mas, para que o dom de cura se não posso curar a mim mesmo? E eu diria que, mais do que satisfazer aos nossos desejos pessoais Deus tem um plano maior, que é a sua glória, e, muitas vezes, não está nesse plano que um crente seja curado, que não sofra um acidente, que não seja perseguido, perca os seus bens e família, seja torturado ou morto [como Lutero proclama no hino 323, do Cantor Cristão, "Castelo Forte":
Sim, que a palavra ficará,
Sabemos com certeza,
E nada nos assustará,
Com Cristo por defesa.
Se temos de perder,
Os filhos, bens, mulher,
Embora a vida vá,
Por nós Jesus está,
E dar-nos-á seu Reino].
Sim, que a palavra ficará,
Sabemos com certeza,
E nada nos assustará,
Com Cristo por defesa.
Se temos de perder,
Os filhos, bens, mulher,
Embora a vida vá,
Por nós Jesus está,
E dar-nos-á seu Reino].
Portanto, a nossa conclusão é de que o dom de cura era
especialmente ministrado em momentos específicos, e de forma bastante
restritiva, no sentido de não ser um acontecimento trivial e
corriqueiro, como muitos hoje querem fazer parecer. Ao se afirmar que o problema é de fé, de que o homem sem fé não "recebe" a cura, a glória da cura passa a ser do homem, sem o qual não haveria o dom. Mas, sabemos que Deus é sempre glorificado, e ninguém pode tirar-lhe a glória [Is 42.8]. É algo que os cristãos devem pensar: há uma divisão de ações entre Deus e os homens, no sentido de algo que o Senhor quer fazer não acontecerá porque impedimos?... Especialmente, aos calvinistas, gostaria de deixar essa reflexão. E, se Deus divide conosco a decisão da cura, no sentido exposto acima, de que se não quisermos a sua vontade decairá [não se realizará], mas se desejamos e a cura acontece, a glória não deve ser dividida com o homem? Ou seja, podemos impedir Deus de agir, seja por falta de fé [quando se quer, mas não se pode ter o que se quer] ou porque não queremos? Pensem comigo: não é, talvez, por isso, que muitos líderes são exaltados quase à altura de Deus? E muitos os têm como o próprio Deus na Terra? Não é, por isso, que muitos ídolos são construídos, e as pessoas se esmeram em ofender o Todo-Poderoso infringindo o 1o., 2o. e 3o. Mandamentos? [Ex 20.1-3]. É claro que este é um exemplo extravagante, mas que tem se tornado rotineiro entre as muitas comunidades cristãs, por falta de conhecimento e uma boa dose de egoísmo e imediatismo; porque, quem assim o faz, reconhece nesse homem um poder e uma capacidade de semideus. E vou mais além: não haveria um espírito de falsa-modéstia, de dissimulação [consciente ou não], quando não assumimos isso, que o "curador" divide com Deus a glória da cura, e dizemos, da boca para fora, "não, a glória é somente de Deus"? É algo que devemos meditar e verificar, se não incorremos em erro de princípio, pois, do contrário, todas as justificativas para a crença no dom de cura atualmente estão fundamentadas em um mérito pessoal, e claramente a Bíblia nos adverte de que nada pode ser justificado por obras de justiça humanas [Tt 3.5]. Logo, é temerário que incorramos em uma espécie de exaltação e glorificação do homem ao posto de "deus" [exemplos, no decorrer da história, enchem as páginas dos livros e se refletem na vida de milhões de cristãos mundo afora], e em um "rebaixamento" de Deus, o que, sinceramente, é imperdoável em todos os aspectos, seja consciente ou não.
Por estes e vários outros motivos, mas especialmente pelo testemunho da palavra de Deus, não nos curvamos ao modernismo e ao imediatismo de aceitar os dons apostólicos como contemporâneos. Certamente eles veem mais para cegar ou manter cegos os ímpios do que para iluminar os salvos.
Notas: 1) Aula ministrada na E.B.D. do Tabernáculo Batista Bíblico;
Por estes e vários outros motivos, mas especialmente pelo testemunho da palavra de Deus, não nos curvamos ao modernismo e ao imediatismo de aceitar os dons apostólicos como contemporâneos. Certamente eles veem mais para cegar ou manter cegos os ímpios do que para iluminar os salvos.
Notas: 1) Aula ministrada na E.B.D. do Tabernáculo Batista Bíblico;
2) Uma análise mais profunda está disponível no áudio desta aula, onde são abordadas questões e passagens bíblicas não examinadas no texto, como Mt 9:18-26, 15:29-31 e Atos 3:1-10, inclusive a ligação de Israel e os judeus com a incredulidade em Cristo;
3) Baixe está aula emAula 76 - Dons V.MP3
09 fevereiro 2014
Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 59 - Dons Apostólicos: Fé
Por Jorge Fernandes Isah
Entendo que a fé a qual Paulo se refere não é a salvadora ou aquela que Deus nos dá para reconhecermos Cristo como Senhor e Salvador, visto ser dada a uns e não a todos os irmãos.
Mas, então, a qual fé o apóstolo se refere como um dom especial?
Bem, provavelmente, esta fé está relacionada com milagres e, mais
especificamente, com aquilo que Cristo disse aos seus discípulos:
"Porque a fé que vocês têm é pequena. Eu asseguro que, se vocês tiverem
fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: 'Vá
daqui para lá', e ele irá. Nada será impossível para vocês" [Mt 17:20].
Se atentarmos para o texto, os discípulos não conseguiram expulsar um
demônio de um menino, o que levou o seu pai a implorar ao Senhor para
que o fizesse, ao que Jesus desabafou: "Ó geração incrédula e perversa,
até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los?
Tragam-me o menino" [v.17]. Após ordenar que o demônio saísse do rapaz,
viram os discípulos que o demônio obedeceu imediatamente à ordem do
Senhor, e lhe perguntaram, em particular: "Por que não conseguimos
expulsá-lo?, então, o Senhor apontou o problema: a falta de fé!
Portanto, tudo indica que esse dom estava diretamente ligado à
fé que produzia milagres; mas, também, a fé produzia um milagre
especial, do qual toda a igreja deveria compartilhar, que é de acreditar
no poder divino, de maneira a não deixá-los entregues à incredulidade,
ao desânimo, às vicissitudes, sabendo que o poder de Deus era maior do
que todas as coisas e, entre elas, a maior que um homem pode almejar é o
de testemunhar a Cristo, o que, convenhamos, diante de um mundo caído e
que odeia a Deus, não é nada muito fácil.
Se atentarmos para as circunstâncias daquele momento
histórico, perseguições, apedrejamentos, prisões e mortes, simplesmente
pelo fato de professar a fé em Cristo e proclamar as suas boas-novas,
havemos de entender a situação de angústia, sofrimento e dor pelas quais
os irmãos eram provados. Por isso, acredito que havia um dom especial
de fé, de levar à fé outros irmãos, de estimulá-los a crer nas promessas
do Evangelho, na esperança, na qual toda a igreja deveria comungar, nos
momentos emergenciais, de forma que essa fé servia como consolo, mas
igualmente era uma "força motriz" na intercessão junto a Deus por
aqueles que eram afligidos pelos inimigos e que se sentiam "fracos na
fé" [Rm 14.1]. Certamente eram irmãos que, com o dom especial de fé,
auxiliavam e sustentavam os débeis [1Ts 5.14], suportando as suas
fraquezas [Rm 15.1-2].
Esta fé capacita-nos também a colocarmo-nos à serviço de Deus, de honrá-lo e glorificá-lo com nossa vida e atitudes, levando-nos a dar um bom testemunho de Cristo. Há também o fato de que ela produz a esperança e certeza nas promessas que nos foram entregues por Deus, persuadindo-nos de tudo o que ele disse se cumprirá, pois ele é verdadeiro, tornando o que ainda não vemos em certeza, a fim de que a nossa alma caminhe tranquila e confiante na revelação. Não é o que diz Hebreus 11.1-3?
"Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. Pois foi por meio dela que os antigos receberam bom testemunho. Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que aquilo que se vê não foi feito do que é visível".
Outro ponto importante em
relação à fé é que, por ela, Cristo habita em nós, e ele somente
habitará naquele que tem fé, que receberá a plenitude da graça, ao passo
em que Cristo está-se formando nele. Esta é uma relação de dependência
do crente em Cristo, pois tudo é dele e nós também o somos. E, como o
apóstolo Paulo, poderemos dizer, seja agora ou em breve, "já não sou eu
quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo
no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por
mim" [Gl 2.20].
Notas: 1- Aula realizada na EBD do Tabernáculo Batista Bíblico
2- Ouça e baixe o áudio desta aula em Aula 75 - Dons IV.MP3
25 dezembro 2013
Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 58 - "Dons apostólicos: Palavra de Sabedoria e Palavra de Ciência"
Jorge Fernandes Isah
1) Palavra de Sabedoria:
O que vem a ser a palavra de sabedoria? Os irmãos sabem?
O que vem a ser a palavra de sabedoria? Os irmãos sabem?
Bem,
entendemos que, naquele tempo, a Bíblia ainda não estava completa,
concluída. Hoje é fácil para nós termos uma palavra sábia, bastando para
isso conhecer, meditar, entender e aplicar a revelação divina, a qual,
em princípio, está a disposição de todos os homens. Mas, e como
acontecia, nos tempos de Paulo? Como a igreja era orientada e guiada no
Evangelho, na vida cristã, se o cânon ainda estava em formação? Do ponto de vista formal e final?
Deus
designou a alguns esse dom, que está diretamente ligado e incluído no
caráter revelacional divino. Havia questões que surgiam e eram novidades
no seio da igreja, e que requeriam o norteamento, uma direção na qual
os irmãos deveriam guiar-se e serem conduzidos. Muitas dessas situações
foram apresentadas nas epístolas, como, por exemplo, o comer ou não a
carne oferecida aos ídolos, ou a circuncisão, se era um fundamento para a nova aliança.
Não podemos esquecer jamais que o manual de fé e vida do crente
encontrava-se incompleto, em formação, e, por isso, era necessário Deus
designar irmãos, no corpo local, que viessem com uma palavra sábia sobre
uma questão confusa ou que suscitasse discussões e dúvidas na igreja;
os princípios pelos quais ela deveria ser guiada ainda não formatados,
por isso a urgência desse dom, a fim de que os problemas fossem
resolvidos e tivessem uma direção que a conduzisse na paz, crescimento e
aperfeiçoamento como o Corpo de Cristo.
Algo
que não se deve negligenciar é o fato de que um dom espiritual tem de
trazer, necessariamente, proveito à igreja, como Paulo afirma no verso
7. Nenhum dom pode ser dado sem que haja um fim proveitoso. Muitos dizem
ter vários dons em nossos dias mas, mesmo assim, não há proveito algum
para a igreja. E, por proveito, entenda-se o aperfeiçoamento, o
crescimento, o amadurecimento, da igreja no conhecimento de Deus e sua
vontade. Não é algo a se exibir e a trazer benefícios para alguns ou,
mesmo que sejam muitos, do ponto de vista econômico ou social. Ainda que
estes campos possam ser atingidos pela Palavra, a meta principal é o
conhecimento de Deus, por meio daquilo que ele nos deu e revelou, e
assim, tornarmo-nos cada dia mais semelhantes a Cristo, e que ele seja
cada vez mais visível através de nós, e não o contrário, que sejamos
mais nós mesmos a exalar um suposto mérito que em nada tem a ver com o
Evangelho. Como João o Batista disse: É preciso que ele cresça [Cristo],
e eu diminua!
Este
é portanto um dom ainda atual, que pode ser ministrado por qualquer
crente, em princípio, pois temos a palavra de Deus completa, terminada,
acabada, não havendo nada a se acrescentar ou tirar, e que é a nossa
fonte de conhecimento, amadurecimento, na qual o Espírito laborará para
que Cristo seja formado dia-a-dia e, ao fim, sejamos semelhantes a ele e
como ele.
2- Palavra de Ciência:
Portanto, como vimos no tópico anterior, os irmãos, daquele período específico, não tinham a Bíblia completa como nós a temos atualmente, de forma que haviam muitas questões na igreja a serem entendidas e compreendidas, mas sem que houve um manual divino para orientá-los na solução dos problemas que surgiam. Certamente, todas as soluções já estavam apontadas no AT, como sombras, mas era necessário clarificá-las, confirmá-las e trazê-las à luz de Cristo, o qual, juntamente com os apóstolos, era o fundamento da fé e, sem o qual, nada poderia ser verdadeiro e divino.
2- Palavra de Ciência:
Primeiramente, muitos confundem o termo "ciência" com tecnologia ou desenvolvimento científico ou acadêmico, no caso das ciências políticas, biológicas, físicas, etc. É importante notar que Paulo não está a falar desses tipos de ciências, mas de uma ciência que seja o conjunto de conhecimentos fundados e fundadores da fé cristã. Ele está falando de doutrina, e o termo ciência, derivado do latim scientia, quer dizer exatamente conhecimento, saber, instrução ou noção de um determinado assunto. E de qual assunto Paulo está a tratar? Da alma, pois não está a falar de matemática, astrofísica ou sistemas políticos.
Portanto, como vimos no tópico anterior, os irmãos, daquele período específico, não tinham a Bíblia completa como nós a temos atualmente, de forma que haviam muitas questões na igreja a serem entendidas e compreendidas, mas sem que houve um manual divino para orientá-los na solução dos problemas que surgiam. Certamente, todas as soluções já estavam apontadas no AT, como sombras, mas era necessário clarificá-las, confirmá-las e trazê-las à luz de Cristo, o qual, juntamente com os apóstolos, era o fundamento da fé e, sem o qual, nada poderia ser verdadeiro e divino.
Por isso, Deus deu dons a alguns irmãos para que o corpo doutrinário se concluísse e toda a igreja fosse ensinada, instruída e firmada na revelação, não parcial mas completa, que agora a igreja dispunha e que se fazia necessária diante das ameaças e investidas de satanás e seus súditos, sem a qual a igreja não poderia crescer e ser edificada.
Como o dom de sabedoria, este dom também está presente nos dias atuais, bastando para isso que o cristão leia, medite, conheça e aperfeiçoe-se no conhecimento da doutrina que nos é revelada pelas Sagradas Escrituras.
2 -Muitos outros pontos e exemplos são abordados no áudio da aula passada e no da próxima aula, os quais se apresentam resumidamente nesta postagem
20 dezembro 2013
Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 57 - Dons apostólicos: arrogância e soberba espiritual denunciadas por Paulo
Por Jorge Fernandes Isah
Nas aulas anteriores, vimos que os dons espetaculares ou apostólicos ou da segunda-bênção ou miraculosos foram específicos e circunscritos a um determinado momento histórico, o período da Igreja Primitiva, e tinha por objetivo revelar a Pessoa do Senhor Jesus, sua obra, ressurreição e "validar" a mensagem e o ministério apostólico, e, por fim, sancionar o cânon, a Escritura Sagrada, que ainda não estava concluída, do ponto de vista formal.
Analisamos que a ideia de um "segundo batismo" do
Espírito Santo se baseia em um texto que nada tem a ver com isso, o qual é
Mateus 3:11, e que para se crer em um "batismo de fogo" como os
pentecostais e carismáticos estão convencidos, é preciso fazer-se uma ginástica e
tanto, um malabarismo, forçando e excluindo o contexto dos 10 versos
anteriores para se concluir que João, o Batista, está a falar de outro
batismo no Espírito Santo.
Na pregação do último domingo, o Pr. Luiz Carlos, dando
continuidade ao estudo do livro de Atos 19:2-7, abordou também a
questão dos dons sobrenaturais, clarificando e trazendo novos elementos
para o entendimento de que esses dons foram restritos àquele período e
não mais são necessários atualmente.
Por isso, vamos proceder a um
estudo dos capítulos 12, 13 e 14 de 1 Coríntios, onde Paulo fala acerca
dos dons espirituais. E entenderemos a motivação que levou o apóstolo a
escrever aos Coríntios sobre a necessidade que eles tinham de
compreender, e não manterem-se ignorantes, quanto à função e ação dos
dons na igreja.
Primeiramente, ele alerta para o desconhecimento, da igreja
de Corinto, quanto ao uso dos dons espirituais. Ao dizer não querer que
os irmãos sejam ignorantes, ele acusou-os de não terem o conhecimento
adequado no uso dos dons, e de que a forma como o faziam não era correta. Já, no início, Paulo os chama a humildade,
revelando que eram gentios, não incluídos inicialmente no Pacto, e
guiados aos ídolos mudos [v.2]. Provavelmente, eles se sentiam, de
alguma maneira, superiores e, talvez, até mesmo sobre os judeus, por
causa dos dons, ou sobre aqueles que não tinham esses dons, e o apóstolo
trata de mostrar-lhes o que eram, como viviam, e de que agora suas vidas
eram outras, transformadas pelo poder de Cristo e pela mensagem do
Evangelho, não podendo então se entregarem ao pecado da arrogância e
superioridade espiritual. Não vejo outro motivo para Paulo deixar tão
clara a condição na qual os coríntios haviam vivido a maior parte de
suas vidas, e de que, agora, chamados ao Cristianismo, se exaltariam,
fazendo-se superiores, por causa dos dons que Deus lhes entregara e que
era para benefício de toda a igreja, e não para a vaidade e glória
pessoais.
Por isso, ele alerta sobre a necessidade deles
compreenderem e entenderem que "ninguém que fala pelo Espírito de Deus
diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão
pelo Espírito Santo" [v.3]. É possível que eles desprezassem irmãos que
reconheciam Cristo como Senhor, mas não exerciam nenhum dom
sobrenatural.
Então, ele fala da diversidade de dons, em que Deus os
distribuiu generosamente à igreja, contudo, um só era o o Espírito que
os distribuía [v.4]. Paulo está a dizer que nenhum dom é superior ao
outro, no sentido de que um deles é "menos" de Deus que o outro, ou o
outro é "mais" de Deus do que o primeiro. Paulo percebeu uma certa
vaidade nos irmãos que, tal qual acontecera com eles em relação ao
apóstolo, Apolo, Pedro e Jesus, provavelmente se vangloriavam do dom que
tinham, desprezando o dom alheio. Assim, aquele que falava em línguas
se considerava maior, mais espiritual, e o que falava duas ou três
línguas se considerava ainda maior e mais espiritual. O que Paulo está
dizendo à igreja é que todos os dons são iguais, desde que para a
edificação da igreja, e todos procedem do mesmo Deus; de forma que
aquele que não tem um dom espetacular, por exemplo, falar em línguas ou
profetizar, é também movido pelo Espírito, o qual o usa como e quando
quer, operando tudo em todos, de forma que a manifestação é dada a cada
um, para o que for útil [v.4-7].
Um parênteses: a forma de que Paulo se utiliza nos versos
4-6, falando que o Espírito é o mesmo, O Senhor é o mesmo, e Deus opera
tudo em todos, dá a medida de unidade e diversidade, tanto na Trindade,
como no Corpo de Cristo. De forma que temos personalidades distintas, o
Espírito Santo, Cristo e o Pai mas que são um. Assim também é a igreja,
onde há muitos membros, e muitos dons distribuídos a esses membros, mas
um só corpo. E a esta unidade diversa, ou diversidade unitária, que
muitas vezes é tão enigmática, de difícil compreensão, que não devemos
esquecer, e lembrarmo-nos de que sem a cabeça, Cristo, o corpo não
sobreviveria; estamos unidos a ele, e é por ele que se manifesta cada um
dos membros, segundo o poder divino de operar.
Muitos contemporâneos alegam que não crer nos dons
sobrenaturais é o mesmo que limitar a Deus, e Deus não pode ser
aprisionado. É verdade, mas lembremos que Deus é imutável, mas a
imutabilidade divina não quer dizer que ele está estático, imóvel; pelo
contrário, Deus está agindo neste momento em cada uma das menores
partículas existentes no Cosmos, pois sem a sua ação, nem mesmo essas
partículas, muitas invisíveis e desconhecidas ao homem, sobreviveria.
Portanto, Deus é um agente ativo em toda a sua obra, contudo, penso que
devolver a pergunta ao inquiridor o deixaria também em situação
desconfortável, pois, o fato de confundir imutabilidade com inoperância,
não pode significar que ao não "remover" certos fatos e acontecimentos
como as pragas do Egito operadas através de Moisés, o milagre de
multiplicar azeite e pão através de Elias, o Sol parar e o abrir do
Jordão através de Eliseu, fatos que não mais aconteceram e que não se mantiveram nos dias atuais, não seria o
mesmo que engessá-lo? Ou seja, por que Deus não opera mais milagres e feitos como esses? Estaríamos acusando-o de estaticidade? E, se esses milagres não persistiram, no decorrer da
história, por que os feitos dos apóstolos persistiriam? A resposta é
simples, Deus tem um propósito para todas as coisas, e cada uma delas
acontecerá dentro do propósito divino. A continuidade dos dons
sobrenaturais após o séc. I é algo que não tem propósito, pois o poder
de Deus se manifesta de maneira diferente, através da proclamação do
Evangelho de Cristo pela igreja, pela reverência e obediência à sua
santa palavra. Os mesmos motivos que justificariam, ao ver dos pentecostais e carismáticos, a atualidade dos dons apostólicos, têm de ser também para corroborar que o Sol pare, o Mar Vermelho se abra, e a água seja transformada em vinho. Do contrário, ambos não concorrem para o fim desejado, e são improcedentes.
Continuando, Paulo descreve os dons dados à igreja pelo Espírito Santo:
1) Palavra de Sabedoria;
2) Palavra de Ciência;
3) Fé;
4) Dons de cura;
5) Operação de maravilhas;
6) Profecia;
7) Discernir espíritos;
8) Variedade de línguas;
9) Interpretação de línguas.
Há ainda outras duas listas formuladas pelo apóstolo que são:
- Em Romanos 12:6-8:
- Em Romanos 12:6-8:
1) Profecia;
2) Ministério;
3) Ensino;
4) Exortação;
5) Repartir;
6) Presidir;
7) Misericórdia.
- Em Efésios 4:11:
1) Apóstolos;
2) Profetas;
3) Evangelistas;
4) Pastores
5) Doutores
Nestas
listas, temos dons miraculosos ou extraordinários e dons que não são
miraculosos ou ordinários. Elas têm o objetivo de mostrar que a lista de
1Coríntios não é a definitiva mas ilustrativa, sendo, ao meu ver, uma
relação necessária e especifica para que os coríntios compreendessem que
Deus age de muitas formas, e de que apenas uma forma, como eles
supunham, não trazia a compreensão necessária acerca de como Deus se
manifestava.
Portanto, entendamos o que sejam esses dons, mais detidamente, a partir da próxima aula.
Notas: 1- Aula realizada na EBD do Tabernáculo Batista Bíblico
2 - Para entender mais sobre o assunto, ouça e baixe o áudio em Aula 74 - Dons III.MP3
30 novembro 2013
Notícias Ruins se Tiram das Manchetes
Por Jorge Fernandes Isah
"Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei" [Isaías 55.11].
Deparei-me com este versículo ao final de um texto que defendia a perspectiva de um mundo melhor no futuro, um mundo sempre a prosperar até o dia em que todos ou quase todos se converteriam a Cristo, no dizer de um teólogo. Como a referência é escatológica, e o meu objetivo não é estabelecer uma refutação à proposta de doutrina do fim dos tempos (até porque não estou habilitado a isso), mas, exclusivamente, tentar corrigir o caráter “parcial” da dedução do articulista, esclareço que o profeta não o declarou com o objetivo de indicar apenas os benefícios da palavra ao homem. Ao utilizá-lo neste sentido, o teólogo equivocou-se, ou, no mínimo, foi otimista em sua conclusão, pois o verso não alude aos resultados de uma conversão em massa, de uma resposta sempre positiva do homem em relação à palavra.
Vamos andar mais um pouco.
Muitos utilizam-no como prova da eficácia da anunciação do Evangelho, no sentido de que, quanto mais for proclamado, mais pessoas se converterão, mais benefícios serão agregados à vida do homem. Para eles há uma progressão aritmética, uma relação proporcional que indicará a capacidade de se produzir resultados numéricos de salvos, e de bênçãos aos salvos, à medida que a palavra for proclamada. Como uma fórmula mágica, basta aplicá-la para que os seus efeitos proveitosos sejam alcançados pelos homens.
Veja bem, não duvido das conseqüências práticas da pregação do Evangelho, o qual “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” [Rm 1.16], pois, como “invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas” [Rm 10.14-15].
Portanto esta é a única forma do homem ser salvo e conhecer a Deus. Não há outro método estabelecido. Nem mesmo a música como muitos apregoam (a menos que seja com extensos trechos bíblicos, como os Salmos, p. ex.). Nem mesmo o teatro, como outros querem (a menos que seja com extensos trechos bíblicos, talvez, um monólogo). Nem o cinema (a menos que seja mais auditivo do que visual). Nem mesmo um discurso (a menos que seja impregnado por extensas citações bíblicas). Quanto à dança e outras manifestações artísticas, nem é preciso falar da completa ineficâcia como meio de evangelismo [1]. O poder de Deus está na palavra, e ela é o único meio de se proclamar a verdade. Porém, a pregação nem sempre trará frutos de obediência e reconciliação com Deus. O que vale dizer que nem todos aqueles que ouvirem o Evangelho se arrependerão, serão regenerados e salvos pelo poder de Deus, porque o Senhor “cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure” [Jo 12.40].
Ora, não é assim que o profeta Isaías declarou? “Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor?” [Is 53.1].
O fato é que Isaías 55.11 está a falar muito mais do que a maioria quer ouvir. Ele está a nos dizer que a palavra de Deus jamais, nunca, voltará vazia. Mas em que sentido? Apenas no sentido positivo? Referindo-se à salvação dos incrédulos, ou aos benefícios de santificação, convencimento, instrução e ensino dos mandamentos e da vontade de Deus? Não. Há os efeitos negativos da palavra (em relação ao destino final do homem), a qual também será proclamada para tornar inescusável o réprobo, para condená-lo em sua rebeldia, para julgá-lo por suas transgressões.
O erro está em se ver apenas um lado da moeda, e recusar-se a virá-la e vislumbrar a outra face. Essa é mais uma influência do humanismo que distorce e compromete o entendimento pleno do texto bíblico, deixando a mensagem capenga, fragmentada, em que um dos significados é tornado superior, ao ponto em que o outro não pode ser visto ou simplesmente é ignorado. Da mesma forma, a interpretação equivocada resultará no entendimento limitado de Deus e Sua obra, no desmerecimento, ainda que inconsciente, da Sua vontade e propósito.
Não reconhecer o caráter condenatório da palavra é fazer “vistas-grossas” à obra perfeita, acabada, irretocável de Deus, por negligência, ignorância ou malversação da Escritura. Em muitos casos, pode ser sinal de incredulidade também. Por isso Cristo alertou-nos, incisiva e claramente, para o distintivo absoluto da palavra: “Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia” [Jo 12.48].
O mesmo equívoco é encontrado em João 3.16. Tem-se a falsa idéia de que Cristo morreu por todos os homens indistintamente, e que depende exclusivamente desse homem aceitá-lO ou não como Salvador. É um arroubo de pretensão. Como se Deus estivesse preso à vontade de Suas criaturas. Mas quase ninguém se apercebe de que, dois versículos abaixo, está escrito: "Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus". O verbo crê e o substantivo condenado ligam-se diretamente no verso. Implicando que a condenação daquele que não crê não está no futuro, mas aconteceu no passado. O advérbio já revela que a condenação ocorreu de antemão, previamente, não é algo que ainda ocorrerá, nem algo que o ímpio poderá reverter, mas algo inevitável, que foi preparado antecipadamente. O objetivo deste texto não é discutir a eleição, mas afirmar a dupla mensagem do Evangelho, o qual é suficiente para salvar, e igualmente suficiente para condenar.
É verdade que a palavra sem fé não produzirá obediência, regeneração e salvação, antes confirmará a reprovação daquele que jamais será vivificado pelo Espírito Santo. É o que se pode perceber no dizer de Paulo: “Porque também a nós foram pregadas as boas novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” [Hb 4.2] [2]. De forma que a palavra da verdade produz frutos para a salvação, por Jesus Cristo nosso Senhor, no qual fomos selados pelo Espírito Santo da promessa [Ef 1.13]. Assim, seja para a vida, seja para a morte, a palavra do Senhor jamais voltará vazia.
Há ainda os que vão mais além, e dizem que o versículo refere-se à necessidade de se agarrar à palavra, algo mais ou menos parecido ao termo neopentecostal “tomar posse”, e, assim, ela produzirá, em nossas vidas, uma profusão de bens materiais nunca imaginados, e não voltará vazia mesmo, pois encherá os bolsos, bolsas, sacolas, cofres e os recipientes necessários para satisfazer a sanha carnal, na obscenidade dos deleites pecaminosos de seus proponentes.
Bem, quanto a essa (im)possibilidade, recuso-me a comentá-la, tendo-se em vista o seu nítido caráter corrompido, sua antibiblicidade e lógica maligna. Não passa de mais uma artimanha, um subterfúgio para satisfazer a ganância e a vaidade de quem assim pensa. Por isso é fácil concluir que essa não é a palavra divina, nem nunca foi, mas apenas o maldito vocábulo humano que levará o homem à destruição.
Nota: [1] Isto não quer dizer que a música, a literatura, a pintura, a escultura e outras expressões artísticas, não sejam meios de louvor, adoração a Deus, e a proclamação das verdades bíblicas. Elas são. E cumprem o propósito eterno de Deus de ser glorificado por elas. Contudo, não creio que sejam meios pelos quais o Senhor quis se revelar e à Sua obra. Para isso, homens inspirados pelo Espírito Santo escreveram 66 livros santos, que compõem a Bíblia Sagrada, a infalível, inerrante e divina palavra de Deus.
[2] A despeito dos argumentos dos estudiosos e da maioria das mentes cristãs, resisto bravamente ceder à idéia do anonimato de Hebreus. Como estou convencido de que a sua autoria seja paulina, e na minha Bíblia ACF consta que Paulo é o seu remetente, até que me provem o contrário, continuarei a indicá-lo como o autor.
[3] Texto publicado originalmente, aqui mesmo, no Kálamos, em 04.12.2009
[3] Texto publicado originalmente, aqui mesmo, no Kálamos, em 04.12.2009
21 novembro 2013
Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 56 - Dons apostólicos: "Batismo de fogo?"
Por Jorge Fernandes Isah
Entendido quem eram os apóstolos, qual a sua missão e o período em que agiram, conforme exposto na aula anterior, retomemos a questão dos dons apostólicos ou dons do Espírito Santo. Mas antes, quero fazer uma ressalva. Os pentecostais e carismáticos, em geral, afirmam que há dois batismos: um para a salvação e outro pelo Espírito Santo, como um "batismo extra" ou superior. É difícil entender que algo tão fundamental na fé cristã como a salvação, e pela qual Cristo encarnou tornando-se o Verbo Divino, não seja catalogado como algo proveniente do Espírito Santo. Ainda que não digam diretamente que a salvação não depende do Espírito, parece que o Consolador realiza uma obra menor ao salvar e uma obra grandiosa ao conceder certos dons a certos salvos. Mas dentro do escopo de toda a Escritura, o que é mais importante? Ou o que ela mais quis evidenciar? De certa forma estabeleceu-se uma espécie de restrição a uma parcela de crentes que, relegados a um plano inferior, não são acalentados com dons especiais. É uma subcategoria de crentes, somenos graduados, que ainda não experimentaram o máximo de Deus.
Contudo,
não é o que Paulo diz: "Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos
membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é
Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando
um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos
temos bebido de um Espírito" [1Co 12:12-13]. Ora, o que o apóstolo está
relatando é que todos nós, como membros do Corpo de Cristo, fomos
batizados e temos bebido de um só Espírito. Isso acontece no momento em
que, reconhecendo a nossa condição pecaminosa e afrontadora a Deus,
considerando-nos seu inimigo e merecedores do castigo eterno, recebemos a
Cristo como Senhor e Salvador de nossas vidas, arrependendo-nos dos
pecados cometidos, reconciliando-nos com ele. É claro que nada disso é
possível sem a ação direta do Espírito Santo, o qual nos convence,
regenera e transforma a fim de sermos feitos filhos adotivos do Pai por
intermédio da obra redentiva e conciliadora do Filho. Logo, se o crente
já tem o Espírito, para que precisa buscá-lo novamente através de uma
"segunda bênção"?
Porém,
Paulo novamente diz que "há um só corpo e um só Espírito, como também
fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma
só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e
por todos e em todos vós" [Ef 4.4-6]. É possível alguma dúvida? Ou
claramente nos é revelado que há um batismo somente, e que o mesmo Deus
age em todos nós na mesma intensidade e proporção? Com isso não estou a
dizer que produziremos todos a mesma obra, da mesma maneira, mas também
não se pode dizer que tal obra ou dom é superior porque Deus está mais
evidente em um crente e não tão evidente em outro, ou está mais presente
em um e nem tanto em outro. Deus não pode, em sua essência, estar menos
ou mais em qualquer lugar, porque ele é uno, indiviso, completo, e ser
mais ou menos presente é simplesmente impossível para ele. Ou ele está
ou não está. Não há meio termo ou como fracioná-lo, pois ele não está
sujeito a variações nem é a soma de partes. E se somos templo do
Espírito Santo, o qual habita em todo o eleito [1Co 6.19], como esperar
que haja um novo batismo pelo mesmo Espírito?
Ainda
que se diga que a falta de um segundo batismo não representa
necessariamente a ausência do Consolador, é muito estranho supor que
seja preciso uma segunda ação divina onde a primeira não foi suficiente
para produzir os dons contingentes à segunda, ou seja, o que todos
deveriam receber em comum, na primeira.
Os
proponentes do segundo batismo apegam-se a uma interpretação equivocada
de Mateus 3.11, no qual João o Batista diz: "E eu, em verdade, vos
batizo com água, para o arrependimento, mas aquele que vem após mim é
mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos
batizará com o Espírito Santo, e com fogo". Segundo o que muitos
apreendem, Cristo batizará os seus com o Espírito, mas também com o
fogo. O problema é o que vem a ser esse "fogo"? A confusão começa quando
tentam relacionar esse trecho com Atos 1.5, onde Cristo diz: "Porque,
na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o
Espírito Santo, não muito depois destes dias", associando o fato de, no Pentecostes,
serem "vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais
pousaram sobre cada um deles" [At 2.3]. Uma interpretação simplista pode
levar a esse equívoco, porque eles se esquecem de citar o complemento
da fala de João o Batista: "Em sua mão [de Cristo] tem a pá, e limpará a
sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com
fogo que nunca se apagará" [Mt 3.12]. O que lhes parece? João está a
falar de um segundo batismo ou de juízo? Não estaria João comparando a
obra de Cristo com a de um plantador de trigo?
Uma
análise, mesmo superficial, da fala de João mostra-nos que a inserção
de um "batismo de fogo" é algo completamente estranho ao texto.
Primeiramente, ele está batizando no rio Jordão, onde iam ter com ele
Jerusalém e toda a Judeia; e os batizados confessavam os seus pecados.
Em seguida, ele viu que muitos fariseus e saduceus vinham ao seu
batismo, o que lhe inflamou a dizer: "Raça de víboras, quem vos ensinou a
fugir da ira futura?" [Mt 3.7]. E o que seria a ira futura? Não estaria
falando do inferno, reservado para satanás, seus anjos e os réprobos,
"onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga" [Mc 9..4]? Em
seguida, ele diz que o machado está posto à raiz, e que toda a árvores
que não produz frutos será cortada e lançada no fogo do inferno. A mesma
imagem encontra-se presente na parábola do joio e do trigo, proposta
pelo Senhor, na qual ele tem a missão de separá-los, colhendo o
primeiro, atando-o em molhos e queimando-o [novamente temos o fogo como
símbolo de juízo], para, em seguida, ajuntar o trigo no seu celeiro [Mt
13.24-31].
João
está a dizer aos fariseus e saduceus que ele é aquele cuja missão
destina-se a apontar não para si mesmo, mas para Cristo. Diante da
pergunta dos judeus: "Quem és tu?" [Jo 1.19], ele confessou que não era o
Cristo, mas a voz do que clama no deserto. Inquirido novamente do
porquê batizava então, já que não era o Cristo, nem Elias, nem o
profeta, respondeu: "Eu batizo com água; mas no meio de vós está um a
quem vós não conheceis. Este é aquele que vem após mim, que é antes de
mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca" [Jo
1.26-27].
Com
isso, qualquer inferência de que o "fogo" ao qual João evoca é uma
segunda forma de batismo, se torna estranha a toda a sua declaração. Ele
está, primeiramente, revelando aos fariseus a pessoa de Cristo e seu
ministério, e, em segundo lugar, alertando-os da ira futura que
sobreviria a eles, através do fogo, numa alusão evidente do juízo ao
qual eles estariam sujeitos, quando presumiam-se de si mesmos que eram
filhos de Abraão. O sentido de "filhos de Abraão" é essencialmente
espiritual, como o pai a quem Deus prometeu uma descendência, o próprio
Cristo, através do qual a sua família seria mais numerosa do que as
estrelas do céu e os grãos de areia na praia [Gn 22.17-18].
Cristo
é revelado por João como aquele que separará os bodes das ovelhas, o
joio do trigo, a árvore que dá frutos das que não dão. Qualquer
tentativa de fugir deste ensinamento é forçar o texto a dizer o que não
diz, e que João, divinamente inspirado, não disse.
Notas: 1) Aula realizada na EBD do Tabernáculo Batista Bíblico
2) Baixe o áudio desta aula em Aula 73 - Dons II.MP3
Assinar:
Postagens (Atom)