Jorge F. Isah
Tem coisas que somente os brasileiros fazem, dizem por aí. Existem
hábitos (para alguns, manias) típicos e quase exclusivos nossos, tupiniquins.
Um deles, e talvez o mais difícil de se entender, é o de comer pizza com
talheres. Normalmente, mundo afora, come-se essa iguaria com as próprias mãos,
aos moldes alimentares dos nossos queridos “hermanos” silvícolas. Para os
“gringos” é abominável degustar tão saboroso (e gorduroso) alimento sem
apalpá-lo, afagá-lo e apertá-lo entre os dedos. Chega a ser um fetiche. De
nossa parte, esse negócio de comer pizza com as mãos deveria ser proibido e
constar no código penal, com sentenças de 15 a 20 anos de prisão, sem direito a
fiança e atenuação de pena. Deveria incluir trabalhos forçados; mas isso é
sonhar demais, né!
Onde já se viu comer com as mãos? Ainda mais pizza? Já imaginou
quantos micróbios e bactérias poderíamos ingerir?... E, depois, são esses
“selvagens” a obrigar-nos ao uso de máscaras. Gente sem noção...
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Outro particular, é a existência de cesto de lixo nos banheiros.
Lá fora, eles simplesmente jogam no vaso sanitário o papel higiênico junto com os
seus dejetos. Parece lógico, já que conservar restos fecais em cestinhos não
tem nada de civilizatório e higiênico. Seria o mesmo que manter o seu Título
de Eleitor em um cofre forte enquanto espalha dinheiro e joias pelas mesas
e cômodas da casa. Dizem que as eleições, mais do que um dever é um direito.
Ah, se fosse assim, veríamos filas semanas adentro, verdadeiros acampamentos,
nos portões das seções eleitorais. Mas essa atitude é típica dos fãs de
estrelas do rock, dos consumidores loucos por promoções, ou dos psicóticos
usuários de iPhone. Ninguém monta barraca, literalmente traz travesseiro,
cobertor, cadeira de praia, garrafa térmica e biscoito amanteigado para votar. Nada
mais justo do que abolir os cestinhos dos banheiros e qualquer esperança nos
eleitores.
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Brasileiro gosta de banho. Ao contrário de boa parte do mundo, é costume
nacional lavar-se diariamente. Há aqueles que não se limitam a um, mas tomam
dois ou três. E veem depois falar em ecologia. Querem prender a senhorinha que
esfrega o passeio uma vez por semana e o moleque que lava o carro
quinzenalmente. Mas aqueles intermináveis 40 minutos de ducha, três vezes por
dia, não causam qualquer impacto na natureza. É o típico cara a tirar o cisco
do olho alheio enquanto mantém a trave no seu.
Aqui as coisas são tão estranhas que se criou o termostato de
chuveiro, para impedir o excesso de tempo entre um enxague nos cabelos e outro
nos pelos pubianos.
Essa mania se espalha a quase tudo, até mesmo nos altos escalões.
Houve um tempo, não muito distante, onde se criou a “Operação Lava-Jato”, cujos
efeitos foram tão rápidos e inócuos — graças
a artifícios interpretativos de certa Corte — que todos os "sujões” estão
a emporcalhar o país de novo. Nem uma fonte de água sanitária molhando-os
ininterruptamente daria cabo dessa bodega. Ou seja, não adiantam banhos, pois
jamais seremos devidamente “limpinhos”.
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Talvez, por sermos tão “sui generis”, o mundo desconhece que
“hablamos” português, e acreditam piamente que o Brasil é um país de língua
espanhola. Não sei o que os lusitanos esperam e fariam, mas, se fosse eu,
ficaria quietinho e deixaria toda a culpa para os hispanos.
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você conhece outra mania, e quer “expô-la” publicamente, mande-nos o seu e-mail
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