Qual a maior festa nacional?
Carnaval?
Eleições?
Final
do BBB?
Declaração
de I.R.?
São
momentos em que a euforia se mistura ao otimismo e todos se sentem renovados na
folia, têm a alma lavada e se despem de todas as convenções.
Há,
porém, algo que está mais ligado à natureza do brasileiro: o Dia de Finados.
Sabe-se
lá por que, multidões vão aos cemitérios para honrar os seus mortos.
Muitos
deles mortos pelo desgosto e tristeza de você não torcer para o mesmo time dele.
Ou
pelo partido e candidato.
Muitos
deles mortos por não entender as suas críticas aos roncos e flatos.
Muitos
deles mortos porque você, em suas viagens, nunca trouxe aquela lembrancinha.
Mortos
por você fazer gato na internet dele, que só ficou sabendo da final de futebol
feminino um mês depois.
Mortos
por não entender que aquele pancadão no fim de semana era terapia, mesmo na
troca de tiros com a polícia.
Mortos
porque a vida é brincar de pega-pega.
Mortos
por já estarem mortos.
Então,
no próximo ano, talvez alguém acenda uma vela para você.
Mesmo
sabendo que é desperdício.
Jorge F. Isah

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