10 maio 2023

Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 5: A Palavra Imutável!


      





 
Jorge F. Isah




CAPÍTULO 1: ESCRITURAS SAGRADAS

8. O Antigo Testamento em hebraico (que era a língua vernácula do povo de Deus na Antigüidade),14 e o Novo Testamento em grego (que em sua época era a língua mais conhecida entre as nações), tendo sido diretamente inspirados por Deus e, pelo seu singular cuidado e providência, conservados puros no correr dos séculos, são, portanto, autênticos, de maneira que, em toda controvérsia de natureza religiosa, a Igreja deve apelar para eles como palavra final.15 Mas visto que essas línguas originais não são conhecidas de todo o povo de Deus – Que tem direito e interesse nas Escrituras, e que é ordenado a ler16 e examinar17 as Escrituras no temor de Deus – os Testamentos devem ser traduzidos para a língua de cada nação,18 a fim de que, permanecendo a Palavra no povo de Deus, abundantemente, todos adorem a Deus e maneira aceitável, e pela paciência e consolação das Escrituras possam ter esperança.19
[14- Romanos 3:2. 15- Isaías 8:20. 16- Atos 15:15. 17- João 5:39. 18- I Coríntios 14:6,9,11-12,24,28. 19- Colossenses 3:16.]


INTRODUÇÃO

Parece que tudo que se refere à Sagrada Escritura acaba por se envolver em alguma polêmica, certamente pelo seu caráter sobrenatural, e por dirigir-se ao homem natural, e muitos debates acontecem desnecessariamente. Mas não podemos nos esquecer de que Deus se utiliza até mesmo da nossa inconstância e fragilidade para que os seus santos propósitos se cumpram. Foi assim na formação do Cânon, tanto do Antigo como do Novo Testamentos, e ainda persiste quando o assunto é da Palavra de Deus. E não é diferente o ensino sobre esta importante seção do Capítulo 1 da C.F.B. Ela revela-nos algo de que já discutimos anteriormente, em outras aulas, dando ênfase especial na direta e efetiva inspiração divina na formação do Cânon, de forma que todos os seus autores estavam submetidos à vontade e ação de Deus ao escreverem os 66 livros que compõem a Bíblia. 

Em linhas gerais, o que temos aqui, como primeiro ponto, é o fato de que na Escritura não há componentes que não tenham sido inspirados, dirigidos, e não fossem provenientes da mente santa, perfeita e sábia de Deus. Tudo o que temos nela tem origem no próprio Deus, por isso ela é a sua palavra. E este é um ponto inegociável na fé cristã [se é que há algum ponto que possa ser considerado negociável]. 


PRESERVAÇÃO DO TEXTO SAGRADO

A C.F.B. prossegue afirmando que Deus, "pelo seu singular cuidado e providência", ou seja, por sua ação direta e pessoal, conservou-a pura e autêntica no decorrer dos séculos. Este é um princípio fundamental e que também já foi exposto preliminarmente, o de que Deus preservou a sua palavra de forma que as gerações futuras, até o fim dos tempos, terá acesso à sua palavra infalível, inerrante e inspirada. Todos os homens, em todos os tempos, puderam e poderão se beneficiar do texto sagrado, incorruptível, não adulterado, assim com o Senhor o transmitiu aos seus servos que o redigiram; assim como Deus o transmitiu nos primórdios ao seu povo; nos primórdios da Igreja, para que sejamos, hoje, guiados no conhecimento e entendimento de todas as maravilhas que nos foram dadas conhecer por sua vontade.

Como já dissemos também, muitos críticos questionaram a inspiração divina da Escritura, como o fez Marcião, no séc. II. Ao ponto de alterarem e mudarem o texto, numa tentativa de eliminar o que consideravam não inspirado, e, assim, anularem a palavra de Deus. Mas com qual autoridade se arvoraram a realizar esse absurdo, além do foro íntimo e pessoal? Em outras palavras, quero dizer que o único motivo foram os seus pecados a motivarem-nos à rebeldia contra Deus.

O problema não está na doutrina da preservação da palavra, mas naqueles que a querem confirmada por seus métodos pessoais ou gerais, mas que têm origem no próprio homem, de forma que é ele a autoridade capaz de validá-la ou não. E sabemos que muitas coisas que passam pelo crivo humano certamente não são reconhecidas por Deus, pois têm claramente o objetivo de se insurgirem contra ele, em mais um motim ainda que motivado por um pretenso rigor e zelo com a verdade. Ora, a Escritura é pródiga em nos alertar: "Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso" [Rm 3.3-4]. De forma que a estupidez e malignidade de uns invalidaria o sábio propósito divino? De manter intacta e inalterada a sua palavra para todas as gerações? Se houve Marcião e muitos como ele que adulteraram a palavra a fim de satisfazerem aos seus próprios intentos e aos do seu mestre, satanás, em que isso deporia contra a Escritura preservada divinamente? Ou o diabo não tem também interesses na Escritura? É claro que tem! Por isso, durante séculos, nenhum livro em toda a história foi tão examinado, testado, e submetido às mais intensas provas a fim de se estabelecer a sua autenticidade. E, igualmente, nenhum livro tem provas tão contundentes da sua autenticidade como a Bíblia, ao ponto de os críticos mais ferrenhos reconhecerem-na [os que têm honestidade intelectual]. 

Mas a questão é: o que torna a discussão da preservação da Escritura possível? 


TEXTO MAJORITÁRIO E A ALTA CRÍTICA 

Primeiro, entre os séc. I e III, muitos textos surgiram alegando para si a chancela de palavra de Deus, porém não havia outro objetivo a não ser o de confundir e enganar a Igreja. O grande volume de apócrifos [muitos tão descaradamente falsos e inverossímeis que apenas as mentes indecorosas consideravam verdadeiros] e de cópias mal-feitas e descuidadas [algumas não intencionais, enquanto outras intencionais] coexistiram paralelamente à transmissão fiel da palavra, as que a Igreja utilizava e distribuía livremente entre os irmãos, em detrimento daquelas que eram rejeitadas e ficaram guardadas até suas descobertas, quase 18 séculos depois.

Vejam bem, haviam cópias fiéis dos Evangelhos e das Cartas Paulinas e Universais que eram lidas nas igrejas como a voz do próprio Deus. Eles são o que chamamos hoje de Texto Majoritário[1], consistindo do Texto Massorético do Antigo Testamento. e o Textus Receptus do Novo Testamento. Mas também haviam os textos corrompidos, sejam apócrifos ou cópias que circulavam também, contudo eram rejeitados pela Igreja Primitiva como não inspirados. Com isso, não estou a dizer que todos os apócrifos eram heréticos e tendenciosamente malignos, pois haviam epístolas de bispos e pastores que eram lidas nas congregações pelo seu caráter nitidamente cristão e espiritual, e que se baseavam na tradição de Cristo e dos apóstolos, mas que não eram inspirados diretamente por Deus, ainda que não possuíssem erros doutrinários. Como exemplo, podemos citar a I e II Epístolas de Clemente.

Desta forma, o Espírito Santo encarregou-se de, com o decorrer dos tempos, levar ao desaparecimento as cópias defeituosas [que não eram utilizadas pela igreja], que cairam no esquecimento da Igreja, diante do volume predominante do texto fielmente preservado [Majoritário]. 

Então, o fato de haver cópias fiéis da palavra transmitida por Deus e cópias corrompidas dessa transmissão, suscitou e ainda suscita este debate, mas somente porque alguns homens consideraram estas mais próximas dos autógrafos ou originais pelo critério de tempo, e não de sua aplicabilidade. 

Segundo, ela não seria levantada se não houvesse o interesse da crítica em questionar aquilo que foi estabelecido por Deus como verdadeiro e fiel. O homem, em sua constante sublevação à ordem divina, colocou-se na condição de "juiz" do que pode ser verdadeiro ou não e, ao apelar para a metodologia aparentemente superior do academicismo teológico, o Texto Majoritário foi progressivamente abandonado em favor do Texto Eclético ou Crítico[2], de forma que, aquilo que era individualizado no passado [vide Marcião e Mani] tornou-se corrente entre a cristandade, num estado de soberba e ostentação intelectual. 

A preservação da Escritura decorre da ação direta de Deus, a sua providência, utilizando-se dos meios humanos e dos próprios homens para manter intacta a sua palavra, através de homens que a "copiaram com reverência e fidelidade e depois a imprimiram com igual cuidado, a fim de que o texto original continuasse sempre disponível, em todas as épocas"[3]. Ao passo que as cópias corruptas, motivadas intencionalmente ou não, mas sempre contendo e perpetuando inúmeros erros e discrepâncias, estavam esquecidas e abandonadas pela igreja, até que foram despertadas do limbo para, atualmente, serem testificadas pela erudição cristã com a alcunha de serem "os melhores textos" do hebraico e do grego. E isso tem a intensão de retirar do texto bíblico o seu caráter absoluto, como a fidedigna palavra de Deus, de sorte que a terminologia "os melhores textos" traz subliminarmente um sinal, o de que a Bíblia não é um livro sobrenaturalmente preservado, o que consequentemente torna-o em um livro não inspirado divinamente, e dando-lhe a áurea de humanamente falível como tudo o mais produzido pelo homem. E isso tem sérias implicações quanto à doutrina e mensagem tradicionalmente proclamada pelos cristãos, afetando diretamente a fé e a confiança na Escritura, ao ponto em que um grande número de críticos já desistiram definitivamente de encontrar o texto original do Novo Testamento. 

Com isso, cristaliza-se o grave erro de se trazer para a Escritura um sentido que Deus não lhe deu, ao se interessar apenas pelo "sentido" que o texto bíblico possa transmitir [equivalência dinâmica], de forma que as palavras usadas originalmente por Deus e reveladas aos autores humanos não têm importância. É um terrível engano, e um perigo muito grande, pois se havia algo que os copistas se preocupavam era com a exatidão de cada frase, palavra e letra de forma que o texto original fosse fielmente transcrito [equivalência formal]. Para isso, eles dispunham de vários métodos para conferir se aquela cópia era realmente fiel ao texto original ou não [por exemplo, se contavam as sílabas e letras de cada frase para certificar-se de que o número delas não tinha sido alterado na cópia]. 

Fica a pergunta: qual o sentido pode se obter de um texto que tem tantas variantes textuais? É-se possível ter um sentido uniforme em meio à diversidade e profusão de erros textuais? 


CONCLUSÃO 

1) Assim, todas as dúvidas, contradições e discrepâncias que porventura surja na Igreja devem ser dirimidas exclusivamente pelo exame da Escritura, a qual é a palavra final e única regra em todas as questões doutrinárias/teológicas e eclesiásticas.

2) A Bíblia foi preservada intacta no decorrer dos séculos pelo poder e vontade de Deus, assim como ele mesmo é o seu autor, também é aquele que zela e guarda eternamente a sua santa palavra.

3) É possível dizer que há um texto que foi preservado por Deus? Sim. E esse texto é o Majoritário através do qual a Igreja Primitiva era edificada, santificada e crescia no conhecimento divino, e que também foram utilizados pelos reformadores, como Wycliff, Lutero e Calvino. E a nossa segurança está, especialmente, na forma como Deus o preservou, mantendo a unidade doutrinária da sua mensagem, de forma que não restam dúvidas quanto à sua fidelidade aos autógrafos ou originais. 

4) Felizmente, o mesmo não pode ser dito do Texto da Alta Crítica que além de divergir entre si mesmo[4] [lembre-se, num número reduzidíssimo de cópias em relação ao Texto Majoritário, algo em torno de 5% das cópias existentes, no total de aproximadamente 5.000], historicamente não foi utilizado pela Igreja, não tendo, portanto, a sua autenticação. 

5) O que nos deixa o seguinte questionamento: não estaria ligada à constante apostasia e o declínio da fé bíblica na igreja atual o fato de se propagar, divulgar e adotar como forma superior e sofisticada o Texto da Alta Crítica sem maior avaliação, baseado exclusivamente na autoridade dos eruditos? Não haveria uma clara inversão de valores em que os homens se sobrepõem e sobrepujam o que Deus estabeleceu no decorrer da história? 

Na próxima aula, falaremos de outro assunto ligado a este tópico, as traduções.

________________________ 

Notas: [1] Texto Majoritário - pertencente ao período não-crítico, é formado pela padronização encontrada na grande maioria dos manuscritos utilizados pela Igreja Primitiva e Medieval, cujas diferenças entre si são mínimas, e nenhuma delas apresenta contradição doutrinal. É também chamado de texto bizantino, sírio, tradicional, e eclesiático.
[2] Texto crítico - caracteriza-se por um afastamento do Texto Majoritário, e pelo aparecimento de um texto eclético, com base em um número reduzido de manuscritos [cópias], que discordam bastante entre si, e ainda mais da maioria esmagadora das cópias ou manuscritos pertencentes ao Texto Majoritário. O critério para a sua "autenticação" é a sua antiguidade, ainda que não representem 5% de todos os manuscritos existentes.
[3] Sola Scrptura - A Doutrina Reformada das Escrituras, Paulo Anglada, Ed. Os Puritanos, pag. 103.
[4] Somente nos Evangelhos, os Códices Sináitico e Vaticano, contêm mais de 3.000 erros, sendo que mais da metade deles deixam o texto sem sentido. 
[5] Resumo da aula na E.B.D. do Tabernáculo Batista Bíblico em 23/10/2011.


11 comentários:

  1. Grande Jorge!

    Se quiser indicar um livro sua congregação, indique "GEISLER, Norman e William Nix. Introdução Bíblica - como a Bíblia chegou até nós. Editora Vida" (sei que o Geisler na matéria de calvinismo é uma piada, mas nesse quesito histórico ele é muito útil). É um livro de fácil compreensão e pode ajudar os seus.

    Grande abraço!

    ResponderExcluir
  2. Graça e paz Jorge.
    Parabéns pelos estudos, eu tenho acompanhado todos eles, mesmo não comentado. Em relação a dica do Filipe eu tenho esse livro e o utilizo constantemente em aulas de introdução a Bíblia. Outra coisa, terminei de ler o livro que você me enviou, é simplismente maravilhoso. Para você ter uma idéia eu não consegui parar de ler.
    Fique na Paz!
    Pr. Silas Figueira

    ResponderExcluir
  3. Jorge, mesmo que ainda não tenha terminado de ler a lista de artigos teus propostos, não resisti a vir logo para esta aula.

    Enquanto lia, não me saía da mente o artigo do Paulo Anglada sobre o texto bizantino, e você o citou. Realmente, é um texto impressionante.

    Logo, pelo teu artigo de hoje, sei que sua congregação usa o texto majoritário. Seriam eles quais? RC, RFiel, Trinitariano?

    Jorge, minha denominação, vai entender, não sei, usa ARA. Muitas pessoas cobraram que, na edição da Bíblia de Genebra, coerentemente, o texto usado não fosse o moderno, mas fosse o que Calvino usou, mas para infelicidade de muitos, saiu ARA.

    Tenho uma observação: sabendo que o AT possui partes em aramaico, porque nossas confissões não anotaram esse detalhe?

    Outra: o texto em português das Bíblias cujo o texto é o majoritário não é muito pesado, culto e desatualizado? Uma comunidade sem muito estudo ou mesmo para uma juventude que lê muito pouco, não dificulta o acesso? Como vocês resolvem isso na prática?

    Ano passado, escrevi algo sobre essa dificuldade com minhas filhas (e olha que eu falei da ARA). Se puder ler: http://casal20ribas.blogspot.com/2011/02/traduzindo-biblia-para-minhas-filhas.html

    Mas no meu blog as passagens com as quais trabalho, em sua maioria, são da Trinitariana, porque concordo com seus argumentos. Embora, tenha dificuldades em ministrar com ela, numa congregação pobre como a que eu trabalho.

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio.

    ResponderExcluir
  4. Antes de mais outra coisa,

    que todos os leitores do Kálamos saibam, o nosso irmão Jorge Fernandes completou mais um ano de vida no último dia 27 de outubro ( não me lembro quantos anos, mas devem ser por volta de trinta e dois, dois a menos do que eu rs...rs...rs...rs...rs... )


    Sobre as Escrituras li há muitos anos um dos melhores livros em defesa das Escrituras que infelizmente não é mais editado e que na época dei de presente para o meu chefe do qual não me lembro o título exato mas tenho certeza que é o melhor entre todos os demais livros sobre o assunto e que igualmente defendem a verdade e a origem divina das Escrituras.

    Por ora gostaria de dizer além de parabenizar mais uma vez pela aula e que são decididamente edificantes ao contrário de textos e reflexões polêmicas ( que também acho de valor e eu memso as produzo e nem semrpe sou compreendido ) e que a Biblia diferentemente de todos os demais livros religiosos que se possa conhecer ou supor, foi escrita com fatos e não somente idéias.

    Essa é sem dúvida o maior diferencial das Escrituras para as demais. Do Gênesis ao Apocalipse Deus nos fala através de fatos, acontecimentos e não por concepções apenas.

    Gostaria que os demais leitores e o querido irmão Jorge pensassem nesse diferencial. E os fatos da Biblia são fatos de fato ( sem trocadilho ) e não míticos como a viagem de Maomé sobre um jumento voador ou Ets visitando a terra, ou outra narração digna de um roteito do Avatar.

    Um abraço a todos.

    ResponderExcluir
  5. Em tempo:

    O assunto da próxima aula é não só relevante como estrategicamente atual. As posições humanisticas, teológicas, ora encontram curiosa e aparentemente desvalorizando uma ou outra tradução ou atendo-se a alguma em especial, ora sem maldade, ora decididamente mal intencionada.

    Traduzir algo de uma língua para outra é sempre um problema sofrível ( e muito sofrível ) ainda mais tratando das Escrituras e suas línguas originais. Há traduções melhores, mais atualizadas ( isso não só no português mas nas mais de centenas de línguas e dialetos mundiais ) e há outras decidida e claramente danosas como A Linguagem de Hoje.

    Entretanto, nas mais diversas traduções lidas por mim por muitos anos, até malfadada TDNM das TDJ, os fatos bíblicos falam com a mesma força, ou seja não há decididamente, má interpretação capaz de destruir a mais clara revelação bíblica acerca de todas as mais decisivas revelações bíblicas, seja acerca do homem, do pecado, da salvação, da vida eterna, da divindade de Cristo, etc.

    Sobre oq ue disse o irmão acerca da dificuldade de utilização de uma tradução em linguagem mais culta e menos usada no dia a dia, não tem problema a meu ver, compete ao irmão a tradução para palavras mais palpáveis o texto bíblico, o que não impedirpa aos irmãos de sua congregação de terem a Bíblia como Palavra de Deus, na mais alta conta.

    O que é infinitamente melhor do que a simplificação forçada e artifical das mais recentes traduções que contribuem para adequação da eterna Palavra de Deus ao pensamento contemporâneo e claramente anti-Deus.

    Um abraço a todos mais uma vez.

    ResponderExcluir
  6. Jorge, parabéns! Deus continue derramando sabedoria e inteligência para a glória dEle!

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio.

    ResponderExcluir
  7. Pr. Silas,

    obrigado por acompanhar o estudo; e se tiver alguma ressalva a fazer, não se acanhe, mande bala! [rsrs]

    Que bom ter gostado do livro. Seria bom se fizesse uma resenha e postasse no "Ministério Beréia", como estímulo a que outros irmãos leiam.

    Grande e forte abraço!

    Cristo o abençoe!

    ResponderExcluir
  8. Fábio,

    bem, nós utilizamos o texto ACF, da SBTB, e alguns irmãos têm também a RC. Há um irmão que utiliza a RA, mas estamos quase demovendo-a a abandoná-la [rsrs].

    Na próxima aula, falarei sobre as traduções, sem a preocupação de indicar essa ou aquela tradução, mas dando diretrizes para se reconhecer uma tradução fiel aos originais, o que, de certa forma, já vem acontecendo neste estudo.

    À época de Calvino, não havia o texto crítico, nem as modernas traduções baseadas nele. Foi, penso, uma estratégia de marketing da Cultura Cristã, mas é interessante como os teólogos, acadêmicos e eruditos se debruçam sobre o T.C. como se fosse a última pílula milagrosa do mundo [rsrs]. Durante toda a história da Igreja, o T.M. prevaleceu, mas parece que o testemunho da Igreja, nesse aspecto não conta muito. E, é ainda mais interessante, que haja uma contradição, pois o mesmo testemunho da Igreja é suficiente para validar o cessacionismo dos dons apostólicos, mas não serve de nada para invalidar a utilização do T.C... não é engraçado? Penso que há um arroubo de superioridade e orgulho humano nisso tudo, ainda que inconsciente, por alguns; e isso, de certa forma, colabora para a incredulidade de muitos na igreja, ao ponto que tem-se tornado quase comum ouvir de irmãos que a Bíblia não é palavra de Deus, mas contém a palavra de Deus; e há aqueles como Marcião que nem mesmo reconhecem o AT como "contendo" a palavra de Deus, mas um livro humano e cheio de falhas como qualquer um outro.
    E creio que muito disso se deva ao descrédito pelo T.M., que a "inteligtsia" cristã tem-se especializado em desmerecer. Eu, sinceramente, não dou a mínima para a porcaria do T.C. Fico com o que Deus preservou e manteve como sua fiel palavra por séculos e séculos, e não me seduzo pelas "descobertas"; porque, nesse caso específico, ela não trouxe nenhuma novidade, visto que a incredulidade não é nada novo neste mundo incrédulo.

    Sobre a complexidade da escrita do T.M., penso que está havendo é uma diminuição na capacidade de compreensão e uma limitação linguística. Creio que literalidade das traduções é a melhor forma de manter inalterado aquilo que Deus nos deu e nos entregou, e um dos sérios problemas do T.C. e das traduções derivadas dele é que se utilizam da Equivalência Dinâmica, que é subjetivo e enfraquece muito a mensagem. Certo é que Deus falará com os seus eleitos sempre, e eles reconhecerão e entenderão a sua voz. Então, penso que diminuir ou diluir a mensagem para que as pessoas entendam, é querer que a voz de Deus torne-se inaudível e incompreensível a eles.

    Sobre a ACF, cujo custo é realmente mais "salgado", pode solucionar o problema utilizando a RC que é bem mais barata [é a tradução mais barata de todas]. Mas mesmo a ACF está se aproximando bastante do preço da RC, enquanto a NVI, Almeida Sec XXI e congêneres têm o preço mais salgado do mercado.

    O certo é que, cada vez mais, os crentes estão se fiando no que os acadêmicos dizem que é certo e pronto. Por isso, as Bíblias modernas têm invadido, literalmente, a assembléia dos santos, e não raras vezes tem provocado estragos, como os que já citei.

    Como o T.C. é voz corrente nos seminários e faculdades teológicas, e de lá provém os pastores que assumirão os púlpitos das igrejas, não será mentira se, em algumas décadas, haver um grande número de incrédulos pregando para outros incrédulos.

    Lerei o seu texto, e comentarei por lá, também!

    Grande e forte abraço!

    Cristo o abençoe!

    PS: Ainda não deu para eu parar com tempo para responder às suas outras perguntas, mas o farei em breve. Perdoe-me a demora, mas as coisas andam mesmo corridas demais.

    ResponderExcluir
  9. Caro irmão Jorge,

    De fato, e não é exatamente de hoje, há multidões de incrédulos por trás dos púlpitos. Parte deles manifestam as suas idéias mais publicamente hoje seja através de seus livros ( vide A Cabana ).

    De fato também, há dois extremos danosos: um semelhante ao pastor brasileiro com problemas de formação mais básica, que afirmara que a terra é quadrada por "entender" isso a partir da declaração do Senhor Jesus de que o "Evangelho seria pregado nos quatro CANTOS da terra" (sic);outro é o que aparece como percepção profunda e erudita relacionado história, cienticismo, excrecência linguística como uma nova explicação acercas de Deus e das coisas de Deus.

    Ambos os extremos são detestáveis e danosos e causam não pouco estrago aos que incapazes de irem por si a Palavra de Deus e dela apreederem algo real ouvem os diversos cantos de sereia.

    Há de se distinguir fé de alinhamento a uma idéia ainda que cristã e bíblica. Muitos hoje não têm fé genuína em Deus e na Palavra de Deus, sem se aperceberem destilam posições particulares que os fazem sentir bem, dar pareceres acerca de coisas relacionadas à Bíblia e a Deus, mas que nas suas vidas não há a mínima e desejável constatação de mostre a si mesmos e aos demais de que a Bíblia é a verdade e que tudo que ela revela e declara seja igualmente reais e verdadeiras.

    Um abraço a todos.

    ResponderExcluir
  10. Helvécio,

    obrigado pela lembrança do meu aniversário, e por revelar as nossas idades. Acho que nos conhecemos ainda nos úteros de nossas mães, assim como João o Batista e Jesus, já que temos mais de trinta anos de amizade [rsrs].

    A questão é que sempre houve incrédulos no seio da Igreja, e o Senhor Jesus e os apóstolos também nos alertaram para isso, pois eles já existiam à época deles. A questão é que a relativização da Bíblia implicará em um sério problema: o que ser relativizado e absolutilizado, e por quais critérios se chegaria a eles. E a resposta cairá sempre nas mãos imperfeitas, pecaminosas e tolas do homem. Portanto, como a Bíblia se autodescreve como a infalível, perfeita e santa palavra de Deus, fico com ela, e dou uma banana para a pseudoautoridade dos críticos.

    No que os homens e a Igreja acertam em relação à Escritura, estou com eles. No que erram, rechaço-os sem apelação.

    E, estou consigo: "a simplificação forçada e artifical das mais recentes traduções que contribuem para adequação da eterna Palavra de Deus ao pensamento contemporâneo e claramente anti-Deus" é o pior de todos os pecados, pois além da descrença pessoal, da soberba pessoal, quem assim age levará, inevitavelmente, outros tantos ao mesmo erro e descrença.

    E, ainda pior, muitos púlpitos estão sendo "dominados" por esse tipo de pensamento, e o que virá será uma nova leva de incrédulos que continuarão a espalhar a incredulidade como se fossem sábios e superiores. Uma pena!

    Grande e forte abraço!

    Cristo o abençoe!

    ResponderExcluir