21 fevereiro 2014
09 fevereiro 2014
25 dezembro 2013
Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 58 - "Dons apostólicos: Palavra de Sabedoria e Palavra de Ciência"
Jorge Fernandes Isah
1) Palavra de Sabedoria:
O que vem a ser a palavra de sabedoria? Os irmãos sabem?
O que vem a ser a palavra de sabedoria? Os irmãos sabem?
Bem,
entendemos que, naquele tempo, a Bíblia ainda não estava completa,
concluída. Hoje é fácil para nós termos uma palavra sábia, bastando para
isso conhecer, meditar, entender e aplicar a revelação divina, a qual,
em princípio, está a disposição de todos os homens. Mas, e como
acontecia, nos tempos de Paulo? Como a igreja era orientada e guiada no
Evangelho, na vida cristã, se o cânon ainda estava em formação? Do ponto de vista formal e final?
Deus
designou a alguns esse dom, que está diretamente ligado e incluído no
caráter revelacional divino. Havia questões que surgiam e eram novidades
no seio da igreja, e que requeriam o norteamento, uma direção na qual
os irmãos deveriam guiar-se e serem conduzidos. Muitas dessas situações
foram apresentadas nas epístolas, como, por exemplo, o comer ou não a
carne oferecida aos ídolos, ou a circuncisão, se era um fundamento para a nova aliança.
Não podemos esquecer jamais que o manual de fé e vida do crente
encontrava-se incompleto, em formação, e, por isso, era necessário Deus
designar irmãos, no corpo local, que viessem com uma palavra sábia sobre
uma questão confusa ou que suscitasse discussões e dúvidas na igreja;
os princípios pelos quais ela deveria ser guiada ainda não formatados,
por isso a urgência desse dom, a fim de que os problemas fossem
resolvidos e tivessem uma direção que a conduzisse na paz, crescimento e
aperfeiçoamento como o Corpo de Cristo.
Algo
que não se deve negligenciar é o fato de que um dom espiritual tem de
trazer, necessariamente, proveito à igreja, como Paulo afirma no verso
7. Nenhum dom pode ser dado sem que haja um fim proveitoso. Muitos dizem
ter vários dons em nossos dias mas, mesmo assim, não há proveito algum
para a igreja. E, por proveito, entenda-se o aperfeiçoamento, o
crescimento, o amadurecimento, da igreja no conhecimento de Deus e sua
vontade. Não é algo a se exibir e a trazer benefícios para alguns ou,
mesmo que sejam muitos, do ponto de vista econômico ou social. Ainda que
estes campos possam ser atingidos pela Palavra, a meta principal é o
conhecimento de Deus, por meio daquilo que ele nos deu e revelou, e
assim, tornarmo-nos cada dia mais semelhantes a Cristo, e que ele seja
cada vez mais visível através de nós, e não o contrário, que sejamos
mais nós mesmos a exalar um suposto mérito que em nada tem a ver com o
Evangelho. Como João o Batista disse: É preciso que ele cresça [Cristo],
e eu diminua!
Este
é portanto um dom ainda atual, que pode ser ministrado por qualquer
crente, em princípio, pois temos a palavra de Deus completa, terminada,
acabada, não havendo nada a se acrescentar ou tirar, e que é a nossa
fonte de conhecimento, amadurecimento, na qual o Espírito laborará para
que Cristo seja formado dia-a-dia e, ao fim, sejamos semelhantes a ele e
como ele.
2- Palavra de Ciência:
Portanto, como vimos no tópico anterior, os irmãos, daquele período específico, não tinham a Bíblia completa como nós a temos atualmente, de forma que haviam muitas questões na igreja a serem entendidas e compreendidas, mas sem que houve um manual divino para orientá-los na solução dos problemas que surgiam. Certamente, todas as soluções já estavam apontadas no AT, como sombras, mas era necessário clarificá-las, confirmá-las e trazê-las à luz de Cristo, o qual, juntamente com os apóstolos, era o fundamento da fé e, sem o qual, nada poderia ser verdadeiro e divino.
2- Palavra de Ciência:
Primeiramente, muitos confundem o termo "ciência" com tecnologia ou desenvolvimento científico ou acadêmico, no caso das ciências políticas, biológicas, físicas, etc. É importante notar que Paulo não está a falar desses tipos de ciências, mas de uma ciência que seja o conjunto de conhecimentos fundados e fundadores da fé cristã. Ele está falando de doutrina, e o termo ciência, derivado do latim scientia, quer dizer exatamente conhecimento, saber, instrução ou noção de um determinado assunto. E de qual assunto Paulo está a tratar? Da alma, pois não está a falar de matemática, astrofísica ou sistemas políticos.
Portanto, como vimos no tópico anterior, os irmãos, daquele período específico, não tinham a Bíblia completa como nós a temos atualmente, de forma que haviam muitas questões na igreja a serem entendidas e compreendidas, mas sem que houve um manual divino para orientá-los na solução dos problemas que surgiam. Certamente, todas as soluções já estavam apontadas no AT, como sombras, mas era necessário clarificá-las, confirmá-las e trazê-las à luz de Cristo, o qual, juntamente com os apóstolos, era o fundamento da fé e, sem o qual, nada poderia ser verdadeiro e divino.
Por isso, Deus deu dons a alguns irmãos para que o corpo doutrinário se concluísse e toda a igreja fosse ensinada, instruída e firmada na revelação, não parcial mas completa, que agora a igreja dispunha e que se fazia necessária diante das ameaças e investidas de satanás e seus súditos, sem a qual a igreja não poderia crescer e ser edificada.
Como o dom de sabedoria, este dom também está presente nos dias atuais, bastando para isso que o cristão leia, medite, conheça e aperfeiçoe-se no conhecimento da doutrina que nos é revelada pelas Sagradas Escrituras.
2 -Muitos outros pontos e exemplos são abordados no áudio da aula passada e no da próxima aula, os quais se apresentam resumidamente nesta postagem
20 dezembro 2013
Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 57 - Dons apostólicos: arrogância e soberba espiritual denunciadas por Paulo
Na pregação do último domingo, o Pr. Luiz Carlos, dando
continuidade ao estudo do livro de Atos 19:2-7, abordou também a
questão dos dons sobrenaturais, clarificando e trazendo novos elementos
para o entendimento de que esses dons foram restritos àquele período e
não mais são necessários atualmente.
Por isso, vamos proceder a um
estudo dos capítulos 12, 13 e 14 de 1 Coríntios, onde Paulo fala acerca
dos dons espirituais. E entenderemos a motivação que levou o apóstolo a
escrever aos Coríntios sobre a necessidade que eles tinham de
compreender, e não manterem-se ignorantes, quanto à função e ação dos
dons na igreja.
Primeiramente, ele alerta para o desconhecimento, da igreja
de Corinto, quanto ao uso dos dons espirituais. Ao dizer não querer que
os irmãos sejam ignorantes, ele acusou-os de não terem o conhecimento
adequado no uso dos dons, e de que a forma como o faziam não era correta. Já, no início, Paulo os chama a humildade,
revelando que eram gentios, não incluídos inicialmente no Pacto, e
guiados aos ídolos mudos [v.2]. Provavelmente, eles se sentiam, de
alguma maneira, superiores e, talvez, até mesmo sobre os judeus, por
causa dos dons, ou sobre aqueles que não tinham esses dons, e o apóstolo
trata de mostrar-lhes o que eram, como viviam, e de que agora suas vidas
eram outras, transformadas pelo poder de Cristo e pela mensagem do
Evangelho, não podendo então se entregarem ao pecado da arrogância e
superioridade espiritual. Não vejo outro motivo para Paulo deixar tão
clara a condição na qual os coríntios haviam vivido a maior parte de
suas vidas, e de que, agora, chamados ao Cristianismo, se exaltariam,
fazendo-se superiores, por causa dos dons que Deus lhes entregara e que
era para benefício de toda a igreja, e não para a vaidade e glória
pessoais.
Por isso, ele alerta sobre a necessidade deles
compreenderem e entenderem que "ninguém que fala pelo Espírito de Deus
diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão
pelo Espírito Santo" [v.3]. É possível que eles desprezassem irmãos que
reconheciam Cristo como Senhor, mas não exerciam nenhum dom
sobrenatural.
Então, ele fala da diversidade de dons, em que Deus os
distribuiu generosamente à igreja, contudo, um só era o o Espírito que
os distribuía [v.4]. Paulo está a dizer que nenhum dom é superior ao
outro, no sentido de que um deles é "menos" de Deus que o outro, ou o
outro é "mais" de Deus do que o primeiro. Paulo percebeu uma certa
vaidade nos irmãos que, tal qual acontecera com eles em relação ao
apóstolo, Apolo, Pedro e Jesus, provavelmente se vangloriavam do dom que
tinham, desprezando o dom alheio. Assim, aquele que falava em línguas
se considerava maior, mais espiritual, e o que falava duas ou três
línguas se considerava ainda maior e mais espiritual. O que Paulo está
dizendo à igreja é que todos os dons são iguais, desde que para a
edificação da igreja, e todos procedem do mesmo Deus; de forma que
aquele que não tem um dom espetacular, por exemplo, falar em línguas ou
profetizar, é também movido pelo Espírito, o qual o usa como e quando
quer, operando tudo em todos, de forma que a manifestação é dada a cada
um, para o que for útil [v.4-7].
Um parênteses: a forma de que Paulo se utiliza nos versos
4-6, falando que o Espírito é o mesmo, O Senhor é o mesmo, e Deus opera
tudo em todos, dá a medida de unidade e diversidade, tanto na Trindade,
como no Corpo de Cristo. De forma que temos personalidades distintas, o
Espírito Santo, Cristo e o Pai mas que são um. Assim também é a igreja,
onde há muitos membros, e muitos dons distribuídos a esses membros, mas
um só corpo. E a esta unidade diversa, ou diversidade unitária, que
muitas vezes é tão enigmática, de difícil compreensão, que não devemos
esquecer, e lembrarmo-nos de que sem a cabeça, Cristo, o corpo não
sobreviveria; estamos unidos a ele, e é por ele que se manifesta cada um
dos membros, segundo o poder divino de operar.
Muitos contemporâneos alegam que não crer nos dons
sobrenaturais é o mesmo que limitar a Deus, e Deus não pode ser
aprisionado. É verdade, mas lembremos que Deus é imutável, mas a
imutabilidade divina não quer dizer que ele está estático, imóvel; pelo
contrário, Deus está agindo neste momento em cada uma das menores
partículas existentes no Cosmos, pois sem a sua ação, nem mesmo essas
partículas, muitas invisíveis e desconhecidas ao homem, sobreviveria.
Portanto, Deus é um agente ativo em toda a sua obra, contudo, penso que
devolver a pergunta ao inquiridor o deixaria também em situação
desconfortável, pois, o fato de confundir imutabilidade com inoperância,
não pode significar que ao não "remover" certos fatos e acontecimentos
como as pragas do Egito operadas através de Moisés, o milagre de
multiplicar azeite e pão através de Elias, o Sol parar e o abrir do
Jordão através de Eliseu, fatos que não mais aconteceram e que não se mantiveram nos dias atuais, não seria o
mesmo que engessá-lo? Ou seja, por que Deus não opera mais milagres e feitos como esses? Estaríamos acusando-o de estaticidade? E, se esses milagres não persistiram, no decorrer da
história, por que os feitos dos apóstolos persistiriam? A resposta é
simples, Deus tem um propósito para todas as coisas, e cada uma delas
acontecerá dentro do propósito divino. A continuidade dos dons
sobrenaturais após o séc. I é algo que não tem propósito, pois o poder
de Deus se manifesta de maneira diferente, através da proclamação do
Evangelho de Cristo pela igreja, pela reverência e obediência à sua
santa palavra. Os mesmos motivos que justificariam, ao ver dos pentecostais e carismáticos, a atualidade dos dons apostólicos, têm de ser também para corroborar que o Sol pare, o Mar Vermelho se abra, e a água seja transformada em vinho. Do contrário, ambos não concorrem para o fim desejado, e são improcedentes.
Continuando, Paulo descreve os dons dados à igreja pelo Espírito Santo:
1) Palavra de Sabedoria;
2) Palavra de Ciência;
3) Fé;
4) Dons de cura;
5) Operação de maravilhas;
6) Profecia;
7) Discernir espíritos;
8) Variedade de línguas;
9) Interpretação de línguas.
Há ainda outras duas listas formuladas pelo apóstolo que são:
- Em Romanos 12:6-8:
- Em Romanos 12:6-8:
1) Profecia;
2) Ministério;
3) Ensino;
4) Exortação;
5) Repartir;
6) Presidir;
7) Misericórdia.
- Em Efésios 4:11:
1) Apóstolos;
2) Profetas;
3) Evangelistas;
4) Pastores
5) Doutores
Nestas
listas, temos dons miraculosos ou extraordinários e dons que não são
miraculosos ou ordinários. Elas têm o objetivo de mostrar que a lista de
1Coríntios não é a definitiva mas ilustrativa, sendo, ao meu ver, uma
relação necessária e especifica para que os coríntios compreendessem que
Deus age de muitas formas, e de que apenas uma forma, como eles
supunham, não trazia a compreensão necessária acerca de como Deus se
manifestava.
Portanto, entendamos o que sejam esses dons, mais detidamente, a partir da próxima aula.
Notas: 1- Aula realizada na EBD do Tabernáculo Batista Bíblico
2 - Para entender mais sobre o assunto, ouça e baixe o áudio em Aula 74 - Dons III.MP3
30 novembro 2013
Notícias Ruins se Tiram das Manchetes
Por Jorge Fernandes Isah
"Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei" [Isaías 55.11].
Deparei-me com este versículo ao final de um texto que defendia a perspectiva de um mundo melhor no futuro, um mundo sempre a prosperar até o dia em que todos ou quase todos se converteriam a Cristo, no dizer de um teólogo. Como a referência é escatológica, e o meu objetivo não é estabelecer uma refutação à proposta de doutrina do fim dos tempos (até porque não estou habilitado a isso), mas, exclusivamente, tentar corrigir o caráter “parcial” da dedução do articulista, esclareço que o profeta não o declarou com o objetivo de indicar apenas os benefícios da palavra ao homem. Ao utilizá-lo neste sentido, o teólogo equivocou-se, ou, no mínimo, foi otimista em sua conclusão, pois o verso não alude aos resultados de uma conversão em massa, de uma resposta sempre positiva do homem em relação à palavra.
Vamos andar mais um pouco.
Muitos utilizam-no como prova da eficácia da anunciação do Evangelho, no sentido de que, quanto mais for proclamado, mais pessoas se converterão, mais benefícios serão agregados à vida do homem. Para eles há uma progressão aritmética, uma relação proporcional que indicará a capacidade de se produzir resultados numéricos de salvos, e de bênçãos aos salvos, à medida que a palavra for proclamada. Como uma fórmula mágica, basta aplicá-la para que os seus efeitos proveitosos sejam alcançados pelos homens.
Veja bem, não duvido das conseqüências práticas da pregação do Evangelho, o qual “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” [Rm 1.16], pois, como “invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas” [Rm 10.14-15].
Portanto esta é a única forma do homem ser salvo e conhecer a Deus. Não há outro método estabelecido. Nem mesmo a música como muitos apregoam (a menos que seja com extensos trechos bíblicos, como os Salmos, p. ex.). Nem mesmo o teatro, como outros querem (a menos que seja com extensos trechos bíblicos, talvez, um monólogo). Nem o cinema (a menos que seja mais auditivo do que visual). Nem mesmo um discurso (a menos que seja impregnado por extensas citações bíblicas). Quanto à dança e outras manifestações artísticas, nem é preciso falar da completa ineficâcia como meio de evangelismo [1]. O poder de Deus está na palavra, e ela é o único meio de se proclamar a verdade. Porém, a pregação nem sempre trará frutos de obediência e reconciliação com Deus. O que vale dizer que nem todos aqueles que ouvirem o Evangelho se arrependerão, serão regenerados e salvos pelo poder de Deus, porque o Senhor “cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure” [Jo 12.40].
Ora, não é assim que o profeta Isaías declarou? “Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor?” [Is 53.1].
O fato é que Isaías 55.11 está a falar muito mais do que a maioria quer ouvir. Ele está a nos dizer que a palavra de Deus jamais, nunca, voltará vazia. Mas em que sentido? Apenas no sentido positivo? Referindo-se à salvação dos incrédulos, ou aos benefícios de santificação, convencimento, instrução e ensino dos mandamentos e da vontade de Deus? Não. Há os efeitos negativos da palavra (em relação ao destino final do homem), a qual também será proclamada para tornar inescusável o réprobo, para condená-lo em sua rebeldia, para julgá-lo por suas transgressões.
O erro está em se ver apenas um lado da moeda, e recusar-se a virá-la e vislumbrar a outra face. Essa é mais uma influência do humanismo que distorce e compromete o entendimento pleno do texto bíblico, deixando a mensagem capenga, fragmentada, em que um dos significados é tornado superior, ao ponto em que o outro não pode ser visto ou simplesmente é ignorado. Da mesma forma, a interpretação equivocada resultará no entendimento limitado de Deus e Sua obra, no desmerecimento, ainda que inconsciente, da Sua vontade e propósito.
Não reconhecer o caráter condenatório da palavra é fazer “vistas-grossas” à obra perfeita, acabada, irretocável de Deus, por negligência, ignorância ou malversação da Escritura. Em muitos casos, pode ser sinal de incredulidade também. Por isso Cristo alertou-nos, incisiva e claramente, para o distintivo absoluto da palavra: “Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia” [Jo 12.48].
O mesmo equívoco é encontrado em João 3.16. Tem-se a falsa idéia de que Cristo morreu por todos os homens indistintamente, e que depende exclusivamente desse homem aceitá-lO ou não como Salvador. É um arroubo de pretensão. Como se Deus estivesse preso à vontade de Suas criaturas. Mas quase ninguém se apercebe de que, dois versículos abaixo, está escrito: "Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus". O verbo crê e o substantivo condenado ligam-se diretamente no verso. Implicando que a condenação daquele que não crê não está no futuro, mas aconteceu no passado. O advérbio já revela que a condenação ocorreu de antemão, previamente, não é algo que ainda ocorrerá, nem algo que o ímpio poderá reverter, mas algo inevitável, que foi preparado antecipadamente. O objetivo deste texto não é discutir a eleição, mas afirmar a dupla mensagem do Evangelho, o qual é suficiente para salvar, e igualmente suficiente para condenar.
É verdade que a palavra sem fé não produzirá obediência, regeneração e salvação, antes confirmará a reprovação daquele que jamais será vivificado pelo Espírito Santo. É o que se pode perceber no dizer de Paulo: “Porque também a nós foram pregadas as boas novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” [Hb 4.2] [2]. De forma que a palavra da verdade produz frutos para a salvação, por Jesus Cristo nosso Senhor, no qual fomos selados pelo Espírito Santo da promessa [Ef 1.13]. Assim, seja para a vida, seja para a morte, a palavra do Senhor jamais voltará vazia.
Há ainda os que vão mais além, e dizem que o versículo refere-se à necessidade de se agarrar à palavra, algo mais ou menos parecido ao termo neopentecostal “tomar posse”, e, assim, ela produzirá, em nossas vidas, uma profusão de bens materiais nunca imaginados, e não voltará vazia mesmo, pois encherá os bolsos, bolsas, sacolas, cofres e os recipientes necessários para satisfazer a sanha carnal, na obscenidade dos deleites pecaminosos de seus proponentes.
Bem, quanto a essa (im)possibilidade, recuso-me a comentá-la, tendo-se em vista o seu nítido caráter corrompido, sua antibiblicidade e lógica maligna. Não passa de mais uma artimanha, um subterfúgio para satisfazer a ganância e a vaidade de quem assim pensa. Por isso é fácil concluir que essa não é a palavra divina, nem nunca foi, mas apenas o maldito vocábulo humano que levará o homem à destruição.
Nota: [1] Isto não quer dizer que a música, a literatura, a pintura, a escultura e outras expressões artísticas, não sejam meios de louvor, adoração a Deus, e a proclamação das verdades bíblicas. Elas são. E cumprem o propósito eterno de Deus de ser glorificado por elas. Contudo, não creio que sejam meios pelos quais o Senhor quis se revelar e à Sua obra. Para isso, homens inspirados pelo Espírito Santo escreveram 66 livros santos, que compõem a Bíblia Sagrada, a infalível, inerrante e divina palavra de Deus.
[2] A despeito dos argumentos dos estudiosos e da maioria das mentes cristãs, resisto bravamente ceder à idéia do anonimato de Hebreus. Como estou convencido de que a sua autoria seja paulina, e na minha Bíblia ACF consta que Paulo é o seu remetente, até que me provem o contrário, continuarei a indicá-lo como o autor.
[3] Texto publicado originalmente, aqui mesmo, no Kálamos, em 04.12.2009
[3] Texto publicado originalmente, aqui mesmo, no Kálamos, em 04.12.2009
21 novembro 2013
15 novembro 2013
Estudo da C.F.B. 1689 - Aula 55 - Dons apostólicos: Há apóstolos, hoje?
Por Jorge Fernandes Isah
Desde o início do século passado, com as manifestações carismáticas surgidas na Rua Azuza, em Los Angeles, em 1906, pelas mãos do ministro negro, William Joseph Seymour, que o Cristianismo, em nome de um "reavivamento", tem ensaiado uma série de experiências que remontam aos primórdios da Igreja Primitiva, mais especificamente o período apostólico, no séc. I. Mas, esses dons teriam realmente voltado? Ou eles estariam circunscritos a um momento histórico específico, e o que temos, hoje em dia, nada tem a ver com o Espírito Santo, pois houve um hiato de quase dois mil anos entre aquele e este período? Seriam as formas atuais as mesmas das realizadas antigamente? E estariam em conformidade com os relatos bíblicos e aplicados convenientemente como relatam os registros sagrados?
Desde o início do século passado, com as manifestações carismáticas surgidas na Rua Azuza, em Los Angeles, em 1906, pelas mãos do ministro negro, William Joseph Seymour, que o Cristianismo, em nome de um "reavivamento", tem ensaiado uma série de experiências que remontam aos primórdios da Igreja Primitiva, mais especificamente o período apostólico, no séc. I. Mas, esses dons teriam realmente voltado? Ou eles estariam circunscritos a um momento histórico específico, e o que temos, hoje em dia, nada tem a ver com o Espírito Santo, pois houve um hiato de quase dois mil anos entre aquele e este período? Seriam as formas atuais as mesmas das realizadas antigamente? E estariam em conformidade com os relatos bíblicos e aplicados convenientemente como relatam os registros sagrados?
Primeiramente,
devemos definir o que vem a ser dons apostólicos, mas antes disso, quem
são os apóstolos e qual era a sua missão. A palavra apóstolo significa
enviado ou mensageiro, aquele que anuncia algo ou alguém, e, no Novo
Testamento, a missão deles era a de anunciar Cristo e o seu Evangelho;
e, para isso, teriam de ser comissionados pelo próprio Senhor, chamados
por ele para exercerem essa missão, não sendo possível que alguém se
autointitule ou denomine-se a si mesmo com tal, sem sê-lo. Não há, na
Escritura, um só apóstolo que não tenha recebido o seu mandato
diretamente do Senhor, como nos revela o evangelista: "E, quando já era
dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem
também deu o nome de apóstolos" [Lc 6.13], e que não tenha convivido com
ele e testemunhado a sua ressurreição ]At 1.21-22].
Alguém
pode dizer que os apóstolos tinham o poder de nomear outros apóstolos e
que esses poderiam nomear outros e mais outros, continuamente, numa
espécie de apostolado sucessório, aos moldes do que a Igreja Católica
reivindica para o papado. Contudo, não se tem, na Bíblia, qualquer
referência a essa ordem sucessória, e os que hoje tentam reclamar para
si mesmos algum apostolado nada mais fazem do que repetir o erro
romanista, ao qual dizem oporem-se mas acabam por defendê-lo e inseri-lo
em suas práticas não-bíblicas.
Alguém
ainda pode insistir que Matias, o apóstolo nomeado a substituir Judas
Iscariotes, não foi diretamente nomeado por Cristo. Mas, espere um
momento, para quem propõe a ação do Espírito Santo em eventos no mínimo
discutíveis como os levantados pelo movimento carismático atual, pois
estão muito aquém ou além do texto bíblico, por que não reconhecer a
ação do Espírito de Deus na escolha do novo apóstolo? Houve oração e
clamor para que ele, que conhece todos os corações, mostrasse qual,
dentre José e Matias, seria o escolhido, "para que tome parte neste
ministério e apostolado... E, lançando-lhes sorte, caiu a sorte sobre
Matias" [At 1.23-26]. Alegar que coisas estranhas à Palavra são
supostamente manifestações do Consolador [o qual é o Espírito de Cristo]
e de que ele não interviria em algo tão vital para a expansão do
Evangelho, parece-me um contra-senso.
Ainda
alguém pode alertar para o fato de Paulo não ter convivido com Jesus, e
ainda assim, foi feito apóstolo. Realmente, ele não foi testemunha
direta do ministério terreno do Senhor [ainda que tenha sido
indiretamente], mas, de uma forma especial e exclusiva, foi chamado pelo
próprio Cristo, sendo testemunha ocular da sua ressurreição. É o que
ele nos diz: "Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem
algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os
mortos)" [Gl 1.1], e, ainda, ao falar das aparições de Cristo: "E por
derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo. Porque
eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado
apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus" [1Co 15.8-9], e, mais uma
vez: " Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado
da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os
gentios" [Gl 2.8]. Ora, temos que Paulo se colocou em posição de
igualdade no ministério apostólico de Pedro, apenas com a distinção
quanto aos seus ouvintes, o alvo da sua pregação.
Logo,
não se pode falar em apóstolos modernos, pois nenhum dos que assim se
intitulam preenchem as características necessárias: o chamado direto de
Jesus, sobretudo, como testemunhas irrefutáveis da sua ressurreição.
O
Segundo ponto a ser analisado é sobre a sua missão. Lembre-se de que à
época, os apóstolos estavam num período de transição entre a antiga e a
nova aliança, e de que a igreja estava sendo formada. Eles, como
emissários de Cristo, confirmariam indubitavelmente a verdade de que
muitos sabiam, ainda que vagamente, acerca de Jesus, sua missão, morte e
ressurreição, como um fato indiscutível e impreterível, levando-a tanto
a judeus como a gentios. Toda a obra apostólica se baseava nesse
fundamento, de que Cristo não somente era o Messias mas o Filho de Deus.
O aspecto final dessa missão foi que os apóstolos, inspirados pelo
Espírito Santo, escreveram e legaram à igreja, em todos os tempos, a
santa e bendita palavra de Deus. Nem uma só linha do Novo Testamento foi
redigida por alguém que não fosse apóstolo ou estivesse diretamente
ligado a um deles, no caso, eram seus discípulos que, orientados pelas
fontes primárias e sob a supervisão do Espírito, relataram os fatos
relacionados à pessoa de Jesus e seu ministério.
Com
isso, chega-se facilmente à conclusão de que não há mais revelações
divinamente inspiradas a serem transmitidas à Igreja, visto que o Cânon
encontra-se concluído, não necessitando a nenhum crente nenhuma outra
orientação que não esteja contida na Escritura Sagrada; o que nos leva a
reconhecer que o ministério apostólico transcorreu em um determinado
momento da história, e de que a missão daqueles homens chegou
definitivamente ao fim, sem que houvesse sucessores ou novos
mensageiros. Até, porque, a Igreja está edificada "sobre o fundamento
dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de
esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo
santo no Senhor; no qual também vós juntamente sois edificados para
morada de Deus no Espírito" [Ef 2.20-22], e, se uma casa não pode ter
mais do que uma fundação, onde nelas são construídas paredes, colunas,
vigas, telhado, piso, etc, como seria possível outro fundamento além
daquele onde são dispostos o princípio da fé, de que Cristo é a pedra de
esquina? Além de desnecessário é absurdo, e representaria a "invenção"
de outra fé, de um outro "cristianismo", o que muitos têm se
especializado e empenhado em produzir.
Outra
conclusão facilmente alcançável é: a igreja, quando se afasta desse
entendimento, ainda que seja minimamente, se torna alvo acessível para a
investida dos falsos-mestres e profetas e seus absurdos doutrinários.
Invariavelmente acabam por apostatar a fé, negando a verdade e
penetrando a mentira, instalando-se nela como uma genuína aberração
religiosa, agindo ímpia, incrédula e dolosamente na admissão e difusão
de ideias contrárias e excludentes à fé uma vez dada aos santos. Se no
AT havia o ministério em que os profetas de Deus expunham publicamente a
falácia e malignidade dos falsos-profetas, hoje, cabe-nos, como Igreja,
denunciá-los e expô-los como charlatões e falseadores da verdade. O
princípio para isso é um só, orientarmo-nos e deixar-nos guiar pela
Escritura, através da qual o Espírito Santo nos falará e conduzirá em
toda a verdade.
[Continua na próxima aula]
Nota: 1- Aula realizada na EBD do Tabernáculo Batista Bíblico
2 - A foto desta postagem é um "Autorretrato como o apóstolo Paulo" [Rembrandt, 1661].
02 novembro 2013
17 outubro 2013
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