24 março 2015

O pecado do adultério segundo John Wenham, e do divórcio segundo eu



Por Jorge Fernandes Isah


Li, nesta manhã, uma postagem no Facebook, atribuída a John Wenham¹, a qual copiei e colei abaixo. Após, uma pequena reflexão a partir do que o teólogo e pastor Wenham escreveu:

"Hoje em dia, consideramos o adultério como tão natural que deixamos de perceber quão distorcidos se tornaram os nossos valores. Quando um homem rouba um bem valioso de uma outra pessoa, a lei o trata com severidade. Mas quando um homem seduz e rouba a esposa de um outro homem e rouba dos filhos a mãe, provavelmente escapará de qualquer punição. Entretanto, em termos do mal provocado e da destruição da felicidade humana, o primeiro crime é insignificante em comparação com o segundo." - John Wenham


E, nessa linha de pensamento, incluo também o divórcio, pois praticamente ninguém se divorcia para ficar solteiro ou sozinha. Todos, em princípio, já têm um ou uma pretendente nova, se é que já não fez a ele ou ela um "juramento" de romper o seu casamento para viverem finalmente juntos e para sempre (a mesma promessa feita e não cumprida ao primeiro(a) cônjuge. 

O divórcio rouba dos filhos o pai e/ou a mãe, e, em muitos casos, até mesmo os dois; e dos maridos e esposas parte de si mesmo, como afirmou o Senhor Jesus: 


"Ele respondeu: "Vocês não leram que, no princípio, o Criador 'os fez homem e mulher' e disse: 'Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne'? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe" [Mc 19.4-6].

O problema é que muitos alegam não terem feito uma boa escolha, mas, quem garante que não o farão novamente? Se os critérios de escolha fossem a observância da palavra de Deus, em oração e prudência, e não meramente a carnalidade (podendo ser simplesmente o impulso carnal), muita coisa seria diferente; inclusive, o poder para suportarem-se mutuamente nas várias dificuldades que haveriam de surgir.

De outra maneira, há crentes que se aventuram a um risco desnecessário, como se dispusessem a participar de uma "roleta-russa", ao casarem-se com incrédulos apostando na possibilidade de Deus vir a convertê-los um dia [leia 1 Co 7.16]. Conheço o testemunho de muitos irmãos e irmãs que escolheram esse caminho errado e pagaram um preço alto, as vezes resultando no divórcio e em um lar desfeito, em filhos que rejeitam o Evangelho exatamente pelo mau testemunho dos pais divorciados, entre outros tantos problemas². Eventualmente, Deus pode derramar a sua graça sobre o cônjuge incrédulo, convertendo-o, e pode valer a pena dizem, mas deixará para trás, quase sempre, um rastro de destruição e de incredulidade pelo caminho. Porém, não vale o perigo de ser a causa para o endurecimento ainda maior do coração incrédulo; e nada disso aconteceria se o cristão não se rebelasse contra Deus, não se dispusesse a ser independente ou autônomo, esperando que o Senhor "abençoasse" uma união biblicamente reprovável.

O adultério é apenas mais um pecado cometido pelo afastamento da vontade divina, a rebeldia que muitos dizem não ter mas têm-na dissimuladamente, uma forma de se omitir da responsabilidade, a principal causa e origem das outras péssimas escolhas que fazemos.

Infelizmente, o padrão vigente em boa parte da igreja e em boa parte dos cristãos atualmente reflete a sua adequação ao "estilo secular e mundano de vida", e o desprezo a Deus e sua vontade expressamente revelada, a qual finge-se não ler, saber ou existir.


Notas: 1- Não duvido da autoria do texto, de que seja realmente de John Wenham, por conhecer e confiar em quem o citou, o Eric N. de Souza, autor do blog "Outdoor Teológico", apenas não a confirmei.
2 - Tratei da questão do casamento misto na postagem "Pode o Cristão se casar com uma incrédula?"
3- É claro que, como calvinista, acredito que tudo, inclusive a rebeldia do homem, está dentro do decreto eterno de Deus, mas isso, de maneira alguma, eximi-nos da responsabilidade pelos nossos atos, logo, a desculpa de que Deus quis assim é apenas "furada", e coloca o seu proponente em mais uma categoria, a dos "infantes na fé", senão, dos cínicos. 

06 março 2015

Pequena reflexão sobre a 'injustiça social'"



Por Jorge Fernandes Isah


Andei lendo por aí, que a esquerda tem muito a dizer sobre injustiça social. Realmente, ela tem mesmo: justificar o porquê de, em nome da justiça social, cometer-se cada vez mais injustiça, ao invés de minimizá-la. Na verdade, eles precisam abandonar o "dizer", o discurso ideológico, e ver se fazem algo na prática, de fato. Um dos graves problemas da ideologia é colocar o homem no "mundo da lua", fora da realidade, como se o teletransportasse até um mundo mágico e irreal, aos moldes de Alice no País das Maravilhas. E, com isso, ele nunca entenderá o mundo real, e sonhará com um mundo utópico e impossível, onde acreditará fielmente (uma fé cega, diga-se de passagem) em contribuir com a injustiça aumentando-a sensivelmente. 

Quanto ao argumento de que a direita não se preocupa com a "injustiça social" e deveria fazê-lo politicamente, saliento que o objetivo do Estado não é paparicar grupo(s) ou indivíduo(s), mas sustentar a ordem institucional e legal de maneira que todos possam alcançar, pelo esforço e mérito próprios, seus objetivos, ao invés de distribuir privilégios aqui e acolá (normalmente aos alinhados ideologicamente com o governo). Acredito que a liberdade de mercado e o empreendedorismo são as melhores formas de se gerar "justiça social", seja lá o que isso represente, pois onde há uma economia forte e produtiva os níveis de pobreza e miséria são baixos, e onde cada vez mais há a mão forte do Estado, normalmente limitando a iniciativa privada e cobrando altos impostos, a proporção de pobreza e miséria aumenta em relação ao maior nível de intervencionismo. Um Estado menos interventor (e se levarmos em consideração que o governo administra mal e porcamente os recursos, a maioria dele servindo aos interesses do próprio governo) produz uma sociedade mais "justa", não no sentido de uma justiça igualitária, onde todos serão contemplados com os mesmos benefícios (algo utópico e irreal servindo apenas à manutenção hegemônica da ideologia, no caso, a marxista), mas onde as possibilidades do cidadão sair da indigência econômica são realmente factíveis. A história prova-o; e a mais recente... nem é preciso falar. 

Um detalhe: biblicamente, a responsabilidade de cuidar do próximo, dada pelo Senhor, foi à igreja e não as forças seculares, de maneira que há um desvirtuamento de propósitos quando a igreja transfere a sua prerrogativa bíblica para um Estado não-bíblico. É uma delegação invalidada pois está posto na incapacidade e desautorização da igreja em fazê-lo. Qualquer tentativa nesse sentido é desrespeitosa, negligente e insubordinada. Não compete à igreja subdelegar o que lhe foi expressamente incumbido pelo Senhor. Se uma igreja age assim, está em flagrante pecado. 

Ah!, apenas para não haver confusão, assim como na parábola do Bom Samaritano, há um dever individual de cada cristão no auxílio ao próximo, realizando-se concomitantemente com a sua participação na obra eclesial. Uma coisa não exclui a outra, e ambas fazem parte do mandato cristão.

16 dezembro 2014

É proibido julgar?




Por Jorge Fernandes Isah


A palavra "julgar" significa proferir uma sentença, decidir como juiz ou árbitro, ou seja, condenar ou absolver alguém. Não creio que essa seja uma prerrogativa humana, à exceção dos magistrados, que são constituídos por Deus para tal.

O Senhor Jesus em Mt 7.1-6, combate exatamente a hipocrisia daquele que tem uma trave no olho mas está preocupado em tirar o cisco do olho alheio. Seria o mesmo que eu apontar o dedo para um irmão acusando-o de pecado, enquanto eu vivo no mesmo pecado que ele. Primeiro, tenho de me livrar do meu pecado (a trave), para depois exortá-lo a arrepender-se do seu (o cisco).  De forma alguma Cristo proíbe o julgamento, pois Ele mesmo nos exorta a observar os frutos para se saber a procedência da árvore.

Ao meu ver, o julgamento que ninguém deve fazer é o de se tal irmão é salvo ou não, vai para o céu ou inferno. Isso não nos compete, mas somente a Deus que sonda os corações, e é quem opera a salvação nos eleitos. 

Uma pessoa que vive na impiedade pode, pelo poder de Deus, ser resgatada da condenação ainda que tenha cometido pecados hediondos. Posso mesmo me assustar na eternidade com algumas pessoas que julgava condenadas e estarão ao meu lado louvando e glorificando o Senhor.

Temos de entender que o nosso julgamento é falho, exatamente porque somos imperfeitos e pecadores. Contudo, a Escritura nos revela o que é o pecado (pela Lei Moral), e a necessidade de exortar o irmão que está no pecado. Há regras bíblicas claras, inclusive, de como a Igreja deve disciplinar um irmão que está a persistir no pecado, apesar das advertências.

Pedro afirma que o julgamento deve começar pela igreja, e Paulo pergunta aos Coríntios se não havia ninguém sábio entre eles para julgar os problemas entre os irmãos. Portanto Cristo está combatendo verdadeiramente a hipocrisia e não o juízo que o crente deve fazer não somente do mundo, mas também da própria igreja. Devemos zelar pela santidade, pela pureza doutrinária, pela reverência a Deus, ou seja, por todos os princípios bíblicos que nos foram entregues.

Nesse caso, o julgamento não é uma condenação humana, mas a condenação bíblica, pois aos rebeldes ela revelará o seu pecado e a sua punição.

De qualquer forma é um assunto complexo, porém, reafirmo o que disse: Em Mt 7.1-6, Cristo combate a hipocrisia, e o julgamento como uma sentença condenatória àcerca da salvação (se fulano é salvo ou não). Quanto ao caminhar na fé dada uma vez aos santos, todos os santos não somente devem mas têm o dever de zelar pela pureza da igreja, conforme o alerta do Senhor: "E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano" (Mt 18.17); e de Paulo: "Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai pois dentre vós a esse iníquo" (1Co 5.11-13). [1]

Como se vê, o julgamento é preciso, mas à luz da Escritura e não da nossa mente caída. Por isso a santificação é fundamental, pois, sem ela, agiremos carnalmente, como inquisitores, e não em amor tanto para com Deus, para com a Igreja, como para com o próximo. O objetivo nunca deve ser o de condenar, mas o de ser instrumento de Deus para trazer o pecador à santidade; mas isto não nos exime de aplicar os princípios bíblicos da correção (como consequência do juízo bíblico), a fim de não se contaminar o Corpo de Cristo.

Outro ponto importante é, Cristo, ao dizer que "com o juízo que julgares sereis julgado", alerta-nos de que, julgando hipocritamente o próximo, além de estarmos em pecado (não pelo julgamento em si, mas pelo julgamento hipócrita, ou seja, por estar em pecado, fazer vistas grossas a ele e apontar o dedo para o irmão), seremos julgados pelo pecado da hipocrisia. Ao meu ver, o alerta do Senhor está evidenciado pela sentença: "com a medida que medires sereis medido". 

A hipocrisia, entre outras coisas, visa tirar o foco de nós e transferi-lo a outro, com o nítido objetivo de esconder nossos pecados através da revelação dos pecados alheios. Logo, além de tudo, há uma evidenciada intenção de não arrependimento e não regeneração no hipócrita. Ele quer que todos os olhares se voltarem para o alvo do seu julgamento, e aos olhos humanos ele se revista de uma santidade que não possui, pelo contrário, sua alma se delicia na vergonhosa pecaminosidade. Por isso, o Senhor Jesus condenou tão peremptoriamente os fariseus, sacerdotes e escribas por suas atitudes hipócritas. 

Em Mt 23, Ele proclama em alto e bom som suas atitudes e o seu destino final.
Há pessoas que veem na proclamação do Senhor uma atitude de amor. Mas não consigo vê-lo amando aqueles que tão veementemente chama de "raças de víboras", "sepulcros caiados", "condutores de cegos", "hipócritas", "assassinos" ("a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade"). Senão, qual a razão de proferir: "serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?" (v. 33).

Para mim, Cristo está proferindo um julgamento contra os fariseus e escribas. Não vejo de outra forma.

Notas: [1] Não é interessante Paulo falar à igreja de Corinto para tira o iníquo de dentro dela? Por que? Para que seja julgado por Deus, pois é ele quem julga os que estão fora da igreja; mas, na igreja, o Corpo é que tem a prerrogativa e autoridade para fazê-lo, não nos deixando eximir da responsabilidade dada. 
Ao se retirar um ímpio da igreja, ele perde a proteção eclesiástica e, portanto, será julgado por Deus; pois a igreja não será julgada, posto Cristo ter morrido por ela, e limpado-a de todos os seus pecados. 
Pense nisto. 

03 novembro 2014

Cristo e a sexualidade - Parte 4: fornicação, divórcio, homossexualismo e eunucos




Por Jorge Fernandes Isah

Na seqüência 3, Cristo e a sexualidade: a mentira liberal, afirmei que não foi por causa do sexo que Cristo não se casou. Exatamente porque o sexo, dentro do padrão bíblico, estabelecido por Deus, é santo. As corrupções humanas à idéia original de Deus é que tornaram o sexo em pecado, pois descumpriram os propósitos ao qual foi estabelecido pelo Criador. Então, deixei a pergunta: Por que Cristo não se casou? A qual, tentarei responder a seguir; após algumas considerações ulteriores.

Ao falar sobre casamento e divórcio, Cristo disse que o homem jamais poderia repudiar a sua mulher, a não ser por causa de fornicação, ou seja, a mulher ter relações sexuais ilícitas com outro homem. Não entendo que Cristo está a falar de adultério. O adultério acontece dentro do casamento, e a Lei exigia a morte do adúltero, não o divórcio. O divórcio, mesmo entre os judeus, era praticado por outros motivos que não fosse o adultério. O adultério exigia a pena capital para o infrator. Penso que Cristo não veio "suavizar" a penalidade do adúltero, mas esclarecer que o divórcio somente era possível nos casos em que a fornicação fosse comprovada. Os judeus divorciavam-se por qualquer motivo, normalmente, banais. Cristo veio colocar um ponto final na banalização do divórcio, de tal forma que, apenas a depravação antes do casamento era a condição. Descobrindo o marido o que a esposa fizera, sem que o soubesse antes de casar, estaria permitido o divórcio. Qualquer outro motivo alegado para o divórcio não seria considerado, e ambos, ao se casarem novamente, cometeriam adultério [Mt 19.4-9].

Ao que os discípulos de Jesus disseram: "Não convém casar" [v.10]. Ao que o Senhor respondeu: "Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido" [v.11].

Um aparte: o fato de Jesus ter dito que somente nos casos de fornicação o homem poderia repudiar a mulher e pedir o divórcio, não o torna a única opção. Há ainda a opção do marido perdoar a esposa, pelo passado que ela viveu e não lhe confiou antes do casamento. É claro que o marido terá de perdoar a esposa ainda sobre a omissão do seu passado. Mas creio que essa é uma possibilidade mais que real, especialmente se houver arrependimento da esposa em relação aos dois pecados. Não seria apenas um ato "nobre" do marido, mas, sobretudo, de amor e piedade, revelando o seu caráter cristão. É claro que isso envolverá várias circunstâncias, inclusive de personalidade e caráter de ambos, mas deixo registrado como uma probabilidade que eu defenderia nesse caso, como um princípio igualmente bíblico.

Os discípulos se assustaram com a afirmação de Jesus. Já que o homem não podia dispor da mulher e do casamento como e quando bem quisesse, assim, era melhor não se casar. A ideia é mais ou menos a seguinte: se não posso ter o que quero, do jeito que quero, prefiro não ter. Eles estavam dispostos a abrir mão de um privilégio, o casamento, por não querê-lo na forma como instituído por Deus. E estavam dispostos à intransigência, a um comportamento intolerante de não suportar a Lei de Deus. Acontece que a obediência à Lei deve ser entendida como a prova do nosso amor e temor por Deus, e a prova do nosso amor para com o próximo. A dicotomia Lei versus amor, não existe. Ela foi criada exatamente para que o homem cultivasse a desobediência e o desamor.

Cristo então dá outra ducha de água fria sobre os discípulos, ao dizer que nem todos podem suportar a condição de solteiro. Provavelmente, devem ter-lhes passado pela cabeça: “estamos num beco-sem-saída”. Como diz o ditado popular: se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come. Nem todos, implicaria que muitos deles não estariam aptos a viverem solteiros sem fornicar, sem pecar. A voz de Paulo podia ecoar em seus ouvidos [pois é a voz do próprio Deus]: "Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se" [1Co 7.9]. Em outras palavras, ou resistiam ao pecado da fornicação e mantinham-se solteiros, ou teriam que ser obedientes a Deus no casamento, e não divorciar. Era a encruzilhada em que muitos deles se viram,  senão, todos.

Novo aparte: O casamento somente é possível dentro do princípio divino de unir macho e fêmea. Qualquer outra conceituação, seja macho-macho, fêmea-fêmea, macho-fêmea-macho, macho-rodentia, fêmea-canis lupus familiaris, etc, pode ser chamada de qualquer outra coisa, menos casamento. O casamento pressupõe o casal, e para se ser um casal, tem-se de ser macho e fêmea, originalmente [Mc 10.6]. "Por isso deixará o homem a seu pai e sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne" [Mc 10.7-8]. Formas deturpadas de casal, como dois homens coexistindo maritalmente, em que um faz o "papel" da mulher enquanto o outro o do homem, nada mais é do que a corrupção da criação. Operações de mudanças de sexo também são corrupções da criação, de tal forma que não são nada mais do que aberrações, imposturas ao padrão normativo de Deus. Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, "por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si" [Rm 1.24]. Deus denomina as formas de sexo não bíblicas [pois há apenas uma forma bíblica: entre homem e mulher, no casamento] como imundícia, e desonra aos que assim agem.  A palavra imundícia quer dizer porcaria, sujidade, lixo. É nisso que os homens e mulheres que praticam o sexo fora dos padrões bíblicos se tornam. Seja o sexo heterossexual ou homossexual, apesar deste ter um percentual ainda maior de torpeza e depravação. A fornicação heterossexual é pecado, onde se preserva o gênero. Há uma rebelião não quanto ao que Deus criou, mas na forma como os criou. A fornicação homossexual além de pecado contra a forma, a Lei, peca-se também contra a criação. Portanto, o homossexual é um pecador duplamente condenável, pois se rebela em duas frentes; ele guerreia contra Deus em duas batalhas distintas, resistindo-lhe como Senhor e como Criador.

Voltando a Mateus, Cristo explicou aos discípulos porque nem todos podiam ser solteiros, visto ser necessário preencher uma das três condições seguintes:
1) Há os que são eunucos de nascença;
2) Há os que foram castrados pelos homens, que tiveram parte ou o todo do seu órgão sexual extirpado;
3) Há os que se fizeram a si mesmos eunucos, por causa do reino dos céus.
Ou seja, provavelmente, a maioria não estaria capacitada a ser e permanecer solteira.

No primeiro caso, o eunuco seria alguém em cuja natureza não haveria nenhuma disposição ao sexo, do ponto de vista físico [uma deficiência congênita em seus órgãos genitais, ou hormonais, p. ex] ou uma condição estabelecida por Deus, em que não houvesse nenhum desejo pelo sexo, a fim de que ele cumprisse um determinado propósito divino. Aqui, vai um novo aparte. Alguns cristãos pensam, erroneamente, que Cristo se referiu a homossexuais quando disse "eunucos de nascença"; e o detalhe é simples: os eunucos eram impossibilitados de realizar o ato sexual. Um sinônimo para eunuco é castrado. A sua função mais importante era como guardião das mulheres, do harém do rei. Por isso, eram castrados, ou escolhidos aqueles que não eram funcionais, por motivos óbvios. O homossexual, que na Bíblia é chamado muitas vezes de sodomita ou efeminado, não tem disfunção sexual, e pratica uma sexualidade antinatural. Eunuco não é sinônimo de homossexual, pois o homossexual, via de regra, é ativo sexualmente, enquanto o eunuco, não. O que os homossexuais reivindicam é a posição de um terceiro sexo, quando mesmo um retardado, diante da foto de um homem e de uma mulher nus apontaria quem é quem. A questão é que se está levando a discussão para o lado da subjetividade, e, com isso, tudo o que é subjetivo adquire o caráter objetivo, ao ponto de se promulgar leis que defendem a subjetividade do terceiro sexo. O fato é que, por mais que se queira distorcer as palavras de Cristo, o "eunuco de nascença"não será, jamais, um homossexual. Apenas a ignorância poderá sustentar esse falso argumento.

Quanto aos eunucos que são castrados, já falei deles, e não há muito mais o que se dizer.

Há, também, aqueles que se fazem eunucos, por causa do reino dos céus. Com isso, Jesus não está a dizer que são homens que se automutilaram fisicamente. Foi-lhes dado por Deus o privilégio de viverem exclusivamente para o Evangelho. Eles optaram em manterem-se castos, abstendo-se voluntariamente dos prazeres e da prática de qualquer relação sexual, por amor ao Reino. Eles não são eunucos no corpo, mas na mente. Estes são, verdadeiramente, os que podem receber as palavras de Cristo; e assim, como Paulo, ficarem como ele, porque "o solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor" [1Co 7.32].

Na fala de Paulo, em conformidade com o que disse Cristo, nem todos podem ser solteiros porque "cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra" [1Co 7.7], de forma que aquele que casa tem o dom para o casamento, e o que não casa tem-no para a solteirice. E o importante é que, esteja casado ou não, o nome de Cristo seja glorificado, vivendo em obediência aos seus mandamentos.

E a resposta para a pergunta: Por que Cristo não se casou?

Tenho duas hipóteses; as mesmas respostas para a sexualidade de Cristo:
1) Cristo já nasceu casto, para se cumprir o propósito divino de se dedicar integralmente à sua obra e ministério.
2) Cristo se fez casto para cumprir a vontade do Pai e se dedicar integralmente à sua obra e ministério.

Pode ser qualquer uma das duas respostas, mas tenho para mim que são ambas. Cristo nasceu para fazer a vontade do Pai, e quis viver para realizá-la, perfeita, santa, e completamente. Para que os eleitos pudessem ingressar no seu reino de glória, através da sua obra consumada; o fruto do trabalho da sua alma, no qual se satisfez [Is 53.11]; abstendo-se do sexo, não porque fosse pecado, mas para entregar-se completamente à sua divina missão. De certa forma, podemos afirmar que Cristo foi um eunuco de nascença, pela vontade de Deus, não porque tinha algum problema físico ou congênito, e, também, alguém que se fez eunuco por causa do Reino dos céus.

Que Deus nos capacite, no casamento ou não, a viver em santidade, assim como o nosso Senhor é santo; sendo conformados, dia a dia, à sua imagem e semelhança, que nos levará a ser, pelo poder do Espírito Santo, como ele sempre foi e é.

Nota: Falar da sexualidade de Cristo talvez não excedesse uma lauda escrita. Está mais do que claro os motivos pelos quais o Senhor Jesus não se casou. Porém, a ideia possibilitou-me expor algumas distorções sobre o assunto e falar da sexualidade humana segundo os princípios bíblicos. Por isso, desde o início desta série afirmei que não haveria nenhuma "bomba" ou polêmica; e, creio, cumpri a promessa.

2- Texto publicado originalmente em 11 de Junho de 2011, aqui mesmo, no Kálamos. 

15 setembro 2014

Certeza em meio à incredulidade



Por Jorge Fernandes Isah


Diante de todo o mal ao qual estamos expostos neste mundo, vendo, ouvindo e sentido os seus efeitos, fazendo-nos entristecer, sei que devemos combatê-lo, e não nos entregar ao cinismo e à indolescência e ao pecado. Contudo, mesmo as coisas indo de mal a pior, nada pode tirar-nos a esperança e a certeza de que Deus, em sua providência, age perfeita, santa e benignamente com o seu povo, preservando-o. Ainda que contrariando a nossa vontade.

Por isso, deixo abaixo, alguns versos do Salmo 27, o qual foi o primeiro a ler após a minha conversão [O Espírito já me preparava para o que haveria de vir, e julguei impossível, naquela época, alcançar-me], e tem sido um alento e um encorajamento nos dias difíceis. 

Pois, se não esperamos no Senhor, quem nos socorrerá? Quem nos fortalecerá? E aperfeiçoará? E confirmará? Após havermos padecido um pouco ou muito?

É por ele, nele, e para ele, que vivemos!

Glória ao bom Deus, e bendito seja o teu nome!

*****

"O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da minha vida; de quem me recearei?
Quando os malvados, meus adversários e meus inimigos, se chegaram contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e caíram.
Ainda que um exército me cercasse, o meu coração não temeria; ainda que a guerra se levantasse contra mim, nisto confiaria.
Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo.
Porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no oculto do seu tabernáculo me esconderá; pôr-me-á sobre uma rocha...
Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria a bondade do Senhor na terra dos viventes.
Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor." [Salmo 27: 1-5; 13-14]


Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria a bondade do Senhor na terra dos viventes.
Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor.

Salmos 27:13-14

04 setembro 2014

Todo cristão deve votar em muçulmanos!



Por Jorge Fernandes Isah


Em época de eleições, o passado e suas promessas parecem simplesmente não existirem, e o tempo faz-se hoje, como se antes nada houvesse, e toda a história estivesse contida em apenas três ou quatro meses. É de se estarrecer como a memória do brasileiro é sazonal e efêmera, compreendendo todo universo político em um punhado de dias, nos quais os elegíveis e eleitos não passam por qualquer crivo que não seja o emocional, aparente e simpático. Como em um teatro mambembe, pouco importa a história dos personagens, o passado, suas convicções e ações, suas decisões e omissões, o realmente admitido e rejeitado; nada disto importa ou é relevante na hora da defesa ou acusação; fica-se apenas com a torcida por algo que nem mesmo a intuição pode explicar, quanto mais a razão. É um pressentimento que não pondera com nada, a não ser com a falta de valores [e a palavra valor tem o significado de merecimento, talento, reputação, grau de aproveitamento], ficando cada vez mais entregue e baseada no achismo, ou na opinião pessoal sem qualquer contato com a realidade e os fatos; uma das marcas evidentes do relativismo pós-moderno no qual a sociedade está submersa, ou, se preferirem, atolada até o cocuruto. 

Por isso, a cada quatro anos, elegemos os "salvadores da pátria", aqueles mesmo que, por décadas, transitaram em salões, gabinetes, auditórios, salas e esconderijos, desconstruindo o pouco que nos restou de soberania e identidade nacionais [interessante como parece, ao ver da maioria da população, que esses personagens nunca tiveram vida, e surgiram, como do nada, três meses antes de Outubro], como se para eles e seus eleitores não houvesse passado, trajetória, uma linha temporal percorrida desde a maternidade. Foram abduzidos após o registro da Certidão de Nascimento, e pousaram agora, como semideuses oriundos do Olimpo, com um discurso tão invisível como suas vidas pregressas aparentam ser. 

Acontece que, no fundo, visto a superfície revelar apenas uma maquilagem mal elaborada, mas suficiente para esconder a sujeira e podridão debaixo dela, defendem a ferro e fogo um tipo de colonialismo que dizem objetar mas advogam canhestramente. Afirmam que o Brasil está sob controle do imperialismo americano e do capital estrangeiro, mas querem, a todo custo, subjugar-nos ao imperialismo russo, chinês, cubano, coreano, e do capital que os financia [ou alguém acha que todos esses movimentos "sociais" e progressistas prescindem de financiamento e dinheiro, cuja origem não é outra senão o capital internacional de grandes corporações pró-comunistas?], certamente nos fazendo tão pobres e miseráveis como eles são e sempre serão. Porque mesmo com o crescimento econômico, à custa da escravidão do seu povo, a China, como um todo, é miserável, à exceção dos redutos em que a burocracia comunista fomenta o enriquecimento dos "novos capitalistas", aqueles amigos mais chegados e que sustentam boa parte da elite estatal. 

No Brasil, ações que deveriam chamar a atenção da sociedade são negligenciadas e tidas como "teoria de conspiração" ou acusação leviana, sem que nenhum destes acusadores apresente um argumento que comprove seus pitacos. Senão, vejamos, por que muitos dos partidos políticos brasileiros [PT, PC do B, PSB, PPS, PDT, entre outros] são fundadores ou aliados do Foro de São Paulo? Subscrevendo suas diretrizes? Um organismo internacional criado com o único intento de transformar os países latino-americanos em um único bloco a serviço do comunismo globalizado[1]? Mas a este imperialismo ninguém, ou quase ninguém, nas tribunas, assembleias e na mídia, tece uma única linha. Há um silêncio mortal, e que parece deixar muitos deles num estado continuamente morrediço.

E, tudo isso culmina com um número exorbitante de cristãos defendendo partidos e candidatos esquerdistas, como se fosse a coisa mais natural e coerente a se fazer; algo do tipo, os comunistas são nossos amigos, querem o nosso bem, e farão tudo por nós. Mas onde está a lógica? Somente na cabeça de quem, por ignorância ou má fé, é incapaz de avaliar o antagonismo existente entre o Cristianismo e o Marxismo [e suas variantes totalitárias, como o fascismo]. O que me leva a perguntar: você, cristão, votaria em um candidato muçulmano, sabendo que esta religião tem perseguido, expropriado, torturado e matado milhares de irmãos mundo afora? E de que, no decorrer dos séculos, matou milhões por recusarem sujeitar-se a Alá? Você diria que eles são amigos, querem o seu bem, e farão tudo por você? Diria? E afirmaria em alto e bom som: o meu voto é seu? Se, sim, aconselho-o a uma interação harmoniosa com eles, especialmente nos países teocratas islâmicos, onde você, declaradamente cristão, se sentirá acolhido e em um permanente estado de fraternal interreligiosidade.

Pois bem, juntamente com o islamismo, o comunismo é a ideologia [e, porque não, a religião, cujo deus é o Estado] que mais perseguiu, expropriou e matou cristãos no século XX e XXI. Mas aqueles que têm Mao, Stalin, Lênin, Castro, Guevara, Chaves, Lula e Dilma por ídolos, jamais reconhecerão o trabalho árduo ao qual se empenharam: o morticínio e o genocídio de populações inteiras de cristãos que não se curvaram ao deus daquele e deste século: o diabo e seus sequazes; os quais falam muito de amor, de caridade, de perdão, mas, na hora agá, são defensores empedernidos de déspotas patrocinadores diretos de prisões, torturas e mortes, contra as quais lançam o seu ódio, desprezo, atrocidade e brutalidade. Então, se do ponto de vista moral e ético não posso votar em um aliado do islamismo [lembrando-se de que o Islã tem como objetivo o controle e domínio mundial, o imperialismo do califado; e a mídia insiste em nada divulgar sobre o assunto], cujos princípios são opostos e flagrantemente contrários ao Cristianismo, por que raios votaria em um marxista, cujos fundamentos são igualmente contrários à fé cristã?

E, se, Dilma e o PT, Marina e o PSB, para ficar nos dois casos de polarização da atual eleição presidencial, são declaradamente comunistas ou socialistas ou outro jargão da novilíngua adotado [cujos partidos são fundadores do Foro de São Paulo], defendem causas que obstam a fé cristã, são aliados e promotores dos maiores tiranos ainda vivos [e de muitos já mortos], insisto, é-se possível, sendo cristão, votar nelas? O mesmo serve para qualquer outro candidato alinhado com o pensamento esquerdista, o que, convenhamos, em maior ou menor grau, praticamente todos os políticos apoiaram, significando que o atual nível de estatização do país tem a colaboração, explícita ou implícita, de todos eles. Portanto, não há inocentes; todos são culpados em maior ou menor grau, mas o são.

A Bíblia nos exorta à prudência, mas é simplesmente estarrecedor notar que em muitos púlpitos, exatamente aqueles que deveriam aconselhar e orientar a congregação à prudência e sabedoria, haja apoio à corja anticristã, fazendo a si mesmos, e aos outros, escarnecedores deste princípio revelado por Deus. Ao se dar ouvido ao inimigo, nega-se definitivamente a fé que se diz abraçar e defender. Sem uma história, ninguém deve ser levado a sério, mas muito pior é dar credibilidade para alguém que a escreveu e está escrevendo-a com sangue, e sangue inocente. Não é preciso ir ao Sudão, ao Irã, à Síria, Iraque ou Paquistão para reconhecer a perseguição que os cristãos sofrem nestas nações, patrocinadas por governos islâmicos empenhados em erradicar o Cristianismo. Da mesma forma, não é preciso ir à Coreia do Norte, China, Laos, Vietnã ou Cuba para reconhecer a perseguição que os cristãos sofrem nestas nações, patrocinadas por governos comunistas, empenhados em erradicar o Cristianismo. Porém, estes fatos são relegados ao desprezo, irrelevância e, em muitos casos, tratados com cinismo e dolo, como se o problema não existisse, ou, pior, não passasse de um ataque gratuito por parte dos reacionários e retrógrados. Mas, não se deve reagir ao assassínio e morticínio? Ou recuar, ao deparar-se com um abismo? Logo, quem não é reacionário e retrógrado diante da ameaça comunista e islâmica é um assassino e suicida, direta ou indiretamente, com a mão na massa ou defendendo e permitindo a outros fazê-lo por si mesmo. No frigir dos ovos, é indesculpável a qualquer cristão defender regimes e estados fomentadores do flagelo e morte de milhões de cristãos ou de qualquer outro grupo. Certamente o cristão não deve se curvar a nenhum outro deus, somente ao único e verdadeiro Deus, o qual se autorrevelou nas Escrituras Sagradas, sob pena de cometer o pecado da idolatria, a qual muitos têm cedido e entregado sua fé.

Por isso, não há desculpas! Quem vota em partido que subscreve a tirania, a miséria, a perseguição e morte de inocentes e diz não haver problema, como o cão que volta ao próprio vômito, torna-se pior do que já foi. E cúmplice de crime, criminoso é! Por mais que se diga e queira-se fazer de santo. 

Pense bem, especialmente você, cristão, se não está atirando no próprio pé; mas, talvez, você pergunte: que pé?!!

Como, sabiamente, dizia a minha avó: Diga-me com quem andas, que direi quem és!

Notas: 1 - O Foro de São Paulo, o qual muitos insistiram por anos, afirmando a sua inexistência, é uma organização internacional, comunista e imperialista [redundância das redundâncias] que tem atos constitutivos e organizacionais, atas de assembléias, pautas de discussões, metas a serem alcançadas, e uma lista de membros afiliados. Se nada disto é suficiente para demonstrar a sua existência, como um agente totalitarista na América Latina, nada mais é real; tudo é ficção, inclusive você, leitor.

Merecimento; talento; reputação.

"valor", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/valor [consultado em 03-09-2014].
Merecimento; talento; reputação.

"valor", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/valor [consultado em 03-09-2014].

01 setembro 2014

Cristo e a sexualidade - Parte 3: A mentira liberal




Por Jorge Fernandes Isah

Para quem esperava uma revelação bombástica na parte final do estudo sobre Cristo e a sexualidade, será uma decepção. Mas antes de entrar propriamente neste assunto, gostaria de relembrar o que já foi escrito:
1) Nos dois textos anteriores desta série, disponível aqui e aqui, afirmei que o sexo, dentro do padrão bíblico instituído por Deus, não é pecado. A falsa idéia gnóstica de que sexo é pecado, assim como tudo o que se refere à carne o é, não passa de um conceito antibíblico e pagão.
2) Disse também que qualquer aceitação ou defesa de práticas antibíblicas, inclusive sexuais, é idolatria; portanto, pecado. E o pecado nada mais é do que o desejo íntimo de se rebelar contra a Lei de Deus; é a sublevação da criatura contra o Criador, onde aquela quer tomar o lugar deste por usurpação, crendo em uma suposta autonomia que o "livre" de DeuS.
As correntes teológicas liberais [modernas e pós-modernas] não reconhecem Cristo como Deus. Tentam deformar a sua imagem fazendo-no um simples guru, mestre ou profeta. Quando se lê os liberais têm-se a nítida ideia de que, a despeito da linguagem empolada [quero dizer, confusa e ininteligível, a maioria das vezes] e aparentando piedade, o objetivo de todo o discurso cristológico é diminuir Cristo, de forma que ele não seja nada além de um homem iluminado. Cristo para eles é um espectro, quase uma ilusão. E, se ele era apenas um homem iluminado, por que não agiria como qualquer outro homem? Por que não se entregaria aos desejos como nós? E prescindiria do ato sexual? Bastaria mostrar-lhes a Bíblia e revelar o quanto ela fala do Senhor Jesus, afirmando em sua extensão a divindade, a humanidade sem pecados, e a Pessoa única de Cristo. Mas, reside exatamente na Escritura o problema dos liberais. Ou melhor, o ceticismo deles em relação ao Redentor.
A questão é que, para se chegar a esse ponto, de incredulidade quase absoluta, primeiro tem-se de desqualificar o Evangelho. O que faz com que o ataque primeiro dos liberais seja claramente voltado para a desmitificação da Palavra; uma busca obstinada em humanizar e desdivinizar o Cânon, tornando-o em um livro moral como qualquer outro, de qualquer religião. Cristo é equiparado nesse quesito a Confúcio, Buda, Maomé e outros "profetas" menos votados.
O fato é que os liberais se acham muito espertos e originais em suas loucas pretensões, mas há mais ou menos dois mil anos isso vem sendo intentado pelas forças do mal, por homens muito mais capacitados do que eles. Com isso, não estou dizendo que a capacidade intelectual daqueles os tornam melhores, mas a alusão de como o pensamento humano pode-se deteriorar e se tornar em uma réplica mal acabada de um destroço. O que é ruim, essencialmente, não pode se tornar melhor, antes aprimora-se em estragar-se em progressão. Se o homem não nascer de novo, não for regenerado, tornando-se em nova criatura, a sua ruína é certa, e irá sempre de mal a pior. 
Para um grupo de gnósticos, se Cristo veio em carne, não pode ser Deus, visto a carne ser má. Por não terem a fé que vem do alto, era-lhes impossível conceber que Deus, mesmo encarnando-se, não poderia ser afetado pelo mal; não poderia ter nada acrescentado à sua natureza; não poderia descer do seu estado santo e perfeito para assumir um estado corrompido e imperfeito. Ao formularem esse conceito, demonstraram claramente não ter a mente de Cristo, perfeita, a lhes revelar a verdade. Por isso diziam que Cristo era uma imagem, de que não tinha um corpo, mas parecia ter um corpo. Cristo para eles nada mais era que um ilusionista, um dissimulador primoroso, mas ainda assim um enganador. Por isso o apóstolo nos diz: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" [Jo 1.14]. E, ainda: "Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus" [1Jo 4.2]. Cristo fez-se carne, chorou, emocionou-se, teve fome e sede, padeceu, e, "como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado" [Hb 4.15]
Outro grupo de gnósticos empreendeu a tentativa de retirar a divindade de Cristo, tornando-o em um homem comum, porém iluminado por Deus. É o que se convencionou chamar de a busca pelo Jesus histórico. Para esses, ele veio cumprir uma missão, mas não tinha nada de especial em si mesmo. Pois comia, bebia, se emocionava, chorava, e até morreu. A ressurreição, para eles, era outra história, uma lenda como tantas outras criadas pelo imaginação do homem. Assim como a obra de remissão e expiação que Cristo veio realizar por amor do seu povo não passava de invenção dos autores da Bíblia. Logo, já que não passava de um simples homem, nada mais natural do que ele se entregar aos prazeres da carne, e até mesmo ter uma amante furtiva [como livros e filmes insinuam e tentam provar a partir de narrativas gnósticas. Interessante que o relato bíblico não tem, para eles, o mesmo valor histórico que os apócrifos].
Como atacar a natureza humana do Senhor Jesus faria poucos estragos, e as evidências históricas apontavam para a sua existência, não somente pelos testemunhos bíblicos mas também por muitos relatos extra-bíblicos da sua época, aprouve aos liberais atacar a divindade do Senhor, tirando dele qualquer aspecto sobrenatural. Mas, como disse, isso não foi exclusividade dos teólogos liberais do sec. XVIII e XIX, nem dos atuais, mas por séculos e séculos tentou-se criar uma história factível de um Cristo tão humano e sujeito a todas as fraquezas humanas quanto impossível reconhecê-lo Deus. 
Este preâmbulo teve como objetivo mostrar algumas coisas:
1) A incompreensão da Pessoa de Cristo por parte daqueles que se dizem dele mas não são, pois não o conhecem: "Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as e elas me seguem" [Jo 10.26-27]
2) Quando se abandona a Escritura, e navega-se por águas turbulentas, o homem, seja erudito ou não, precisa desconstruir a verdade, ao ponto de criar uma rede de mentiras em que a verdade seja enterrada em uma cova profunda. Mas, onde há a verdade, nenhuma mentira se constrói; e os esforços de erguê-la é o mesmo de se querer levantar uma parede em meio a um terremoto de 9.0 na escala Richter
3) Quando se quer um Cristo apenas divino, ou apenas carnal, não estamos falando do Cristo  biblico, e as bases para essas afirmações terão de ser a conjectura e a improbabilidade, pois o Senhor é revelado apenas na Bíblia. Qualquer outra fonte pode indicar a sua existência, mas jamais como ele é. Em outras palavras, o homem pode ter a convicção do personagem histórico que o Senhor Jesus foi, mas não será capaz de conhecê-lo, nem o seu ministério, se não lhe for revelado pelo Espírito Santo[1].
4) Por causa da carne, o sexo era visto como mau. Muitas deturpações originaram-se através da corrupção do seu sentido inicial, estabelecido por Deus: a prostituição, o incesto, o homossexualismo, a zoofilia, e tantos outros pecados que nada têm a ver com o princípio bíblico do sexo.
O que nos levará à pergunta inevitável: Por que Cristo não se casou?  
Muitos afirmam que, caso Cristo tivesse se casado [e praticado atos sexuais], não seria Deus, nem seria o Cristo, Senhor e Salvador. Mas, pergunto, qual a base bíblica para tal afirmação? Ela simplesmente inexiste. Não há na Escritura nada que pudesse afirmá-la. Como já vimos, o sexo, dentro do padrão bíblico, é santo. Se Cristo tivesse se casado, praticado atos sexuais, tido filhos, constituído família, em nada a sua divindade e obra estaria comprometida. Cristo não comeu? Cristo não bebeu? Dormiu? Chorou? Afligiu-se? Por que o sexo seria o componente que afetaria a sua divindade? Não afetaria. E sua humanidade perfeita e santa? Também não seria afetada. Logo, não foi por isso que Cristo não se casou. Então, foi por quê?
   Continua na próxima semana... 
   Nota: [1] Leia o texto "Revelação: O Deus Irredutível - Parte 1"
Texto publicado originalmente, aqui mesmo, em 04/06/2011

08 junho 2014

Cristo e a sexualidade - Parte 2

Ouça este artigo:



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   Encontrando a razão
   













Por Jorge Fernandes Isah


Se a visão secular do sexo está corrompida e tornou-se em mais uma forma de idolatria e rejeição a Deus, o que a Bíblia nos diz sobre o assunto?

Primeiro, que o sexo sempre esteve no plano de Deus, como parte do seu decreto eterno. Portanto, ele é santo, como já disse. De outra forma, Deus não criaria homem e mulher, macho e fêmea, não os dotaria física e afetivamente das características que permitiriam o envolvimento conjugal. Ele quis unir duas partes boas, mas que não funcionariam completa e perfeitamente se permanecessem separadas. Em nossa imperfeição [mesmo no Éden pré-Queda] o homem e a mulher seriam perfeitos na unidade. Ainda hoje isso é possível, desde que as partes sejam ligadas pelo Senhor das suas vidas: Cristo.

Segundo, porque é a forma mais íntima de relacionamento entre o homem e a mulher [conhecer várias mulheres, do ponto de vista sexual, equivale a não  conhecer nenhuma. Portanto, essa forma de se relacionar é oposta à criada por Deus; é uma aberração, uma violação da santidade e pureza do homem e da mulher, que corrompem seus corpos dispondo-os dissolutamente a serviço do pecado].

O sexo não é um fim em si mesmo. Quando é pensado dessa forma não passará de um ídolo, e os ídolos pouco se importam conosco, pois querem-se satisfeitos primeiramente. E, em sua sanha doentia, ele se apropria de tudo o que é antinatural: bestialidade, masoquismo, pederastia, violência, etc, a fim de ser adorado. Quando se abandona o seu objetivo primaz, ele não mais é do que a falsificação, a forma degenerada daquilo que Deus estabeleceu como santo.

Terceiro, ao criar homem e mulher, e formar um casal, Deus nos ensinou o sentido de unidade, de se ser um só corpo, assim como ele é conosco por intermédio de Cristo.

Quarto, o sexo é uma das formas do homem e da mulher, conjuntamente, atingirem o prazer solidário, companheiro, afetivo. Como uma entrega de si para o outro (a), recebendo dele (a) para si, também.

Quinto, é uma das maneiras de se aplicar o que o Senhor Jesus disse: amar ao próximo como a si mesmo [Mc 12.33], a partir da decisão de assumir que "a mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher" [1Co 7.4]. É o caráter de subserviência conjugal que reflete, ainda que minimamente, a sujeição completa de todo o nosso ser a Deus. Por isso o homem resiste tanto a observar os princípios divinos quanto ao casamento. O que levou o Senhor a responder, quando interrogado pelos fariseus, a respeito do fato de Moisés autorizar o divórcio:"Moisés, por causa da dureza dos vossos corações vos permitiu repudiar vossas mulheres, mas no princípio não foi assim" [Mt 19.8]. Levando-me a deduzir que tanto a promiscuidade ou o "sexo-livre" quanto o divórcio são atitudes de rebeldia contra Deus.

O sexo pode ser, portanto, bênção para o casal, como pode ser maldição. Se realizado dentro dos princípios ordenadores da fé, primeiro por amor a Deus e, segundo, por amor ao próximo [e quem pode ser mais próximo do que o conjuge?], será bendito.

Talvez seja necessária a definição do que seja amor, visto se alegar que há várias formas de amor, mas a Bíblia reconhece apenas uma via em que as várias formas de amor transitam, e nada melhor do que voltarmos a atenção para 1Co 13. Não transcreverei todo o capítulo, creio desnecessário, pois o sabemos de cor e salteado. Ater-me-ei ao verso 7, quando Paulo diz que o amor "Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

O amor descrito pelo apóstolo é o amor-testemunho. Não somente o amor a compartilhar, participativo, sensível, consolador, fraterno... É claro que ele tem estes e outros elementos, mas também é o amor pelo qual os outros verão e reconhecerão que somos filhos de Deus. Foi o que o Senhor disse: "Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós... Nisto todos conhcerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" [Jo 13.34-35].

Reportando a este exemplo, o sexo, assim como o casamento, realizado fora dos padrões morais e espirituais estabelecidos por Deus somente revelará o quanto estamos distantes dele; revelará o desejo pela autonomia e insubmissão; e de que parecemos ao mundo como nada mais do que o mundo mesmo se parece e é. O amor é o dístico pelo qual seremos reconhecidos que estamos em Cristo e ele em nós. Quando o homem se preocupa unicamente com o seu prazer e a sua satisfação, alheia à vontade divina, ele nem mesmo ama a si mesmo, iludido que está por um amor incapaz de resistir à ofensa [ainda que seja a ofensa a si mesmo através do próprio corpo]; incapaz de crer que o plano de Deus é perfeito, exequível, e não deve ser desprezado em favor da ofensa irresistível; incapaz de esperar nas promessas que Deus nos deu de que todas as nossas necessidades serão supridas; portanto, não se deve inquietar [e a inquietação levará ao sexo fugaz e desordenado]; e incapaz de suportar as exigências do espírito, antes se entregando as facilidades da carne.

O amor que se opõe ao que Paulo descreve nada mais é do que outra falsidade humana, outra forma de se buscar a autonomia, e iludir-se com a ideia de se ser livre de Deus.

Quando cristãos rejeitam o que lhes é exigido por Deus, estão mostrando ao mundo que também o rejeitou. A mensagem é de que nem mesmo nós o amamos, e se não o amamos, por que exigir dos que não o seguem o amor?

Mais do que o prazer e a alegria da comunhão, a troca de emoções, e o se fazer um, o casal torna-se testemunha daquilo que Deus tem feito, de como tem agido no meio deles, até mesmo, o que ele é. E se o individualismo, o egoísmo, a vaidade tomam o seu lugar, o testemunho será a falsidade daquilo que supomos Deus representar para ser a verdade daquilo que representamos para nós mesmos. Ou seja, Deus se tornaria irrelevante, e a relevância estaria em nós. E o testemunho seria de nós mesmos, não de Deus; porque não se suporta, não se crê, não se espera, nem se sofre, já que o amor falhou como verdade, alegrando-se na injustiça, buscando os seus próprios interesses. Mas isto não nos é dito, pelo contrário, "o amor nunca falha" [v.8], porque ele se agrada da verdade.
  
De tal forma que o casamento e o sexo [e o sexo somente é possível, biblicamente, na legitimidade nupcial] sejam administrados para a glória de Deus, assim como tudo o mais.

Infelizmente temos sido intolerantes com o Evangelho e tolerantes por demais com os nossos anseios e perversões. Os comportamentos antibíblicos são admitidos em nome do falso amor, que não corrige, exorta ou disciplina, mas avaliza práticas antinaturais e que afrontam a Deus. Nisso fica visível que não amamos ninguém; ao desobedecer os princípios traçados pelo Criador na Escritura, os quais deveríamos zelar, defender e subscrever; e por buscarmos uma paz impossível com o próximo e conosco mesmo, em que a nossa consciência estará em guerra contra a verdade. A soma disso tudo será o desamor, como a expressão máxima da aquiescência ao pecado.

Quando cristãos vêem o sexo, em suas múltiplas formas, como o objetivo final de seus corpos, esqueceram-se a muito do que é glorificar a Deus, e os seus testemunhos apenas validarão a si próprios na falsidade e hipocrisia.

As conseqüências serão o nome de Cristo blasfemado pelos ímpios e a alegação de que o Cristianismo é igualmente falso, assim como os falsos-testemunhos. Claro que pelo falso-testemunho de falsos-cristãos não podemos ser julgados, até porque o mundo não nos julgará nem o pode julgar, mas essas atitudes somente colaboram para impedir a autenticação do Evangelho entre aqueles que contemplam a inconsistência, incoerência e antagonismo entre o que dizem e praticam os que alegam servir a Cristo, e não o servem.

O amor que lhes sai da boca é tão impuro quanto o que praticam; invalidando com os seus atos o que dizem; ao ponto do Senhor afirmar, certa vez: Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens” [Mt 15.7-9].

Não há outro meio. Se desprezamos os mandamentos de Deus, não o amamos, pois não os temos nem os guardamos [Jo 14.21]. Se induzimos outros a se manterem igualmente desobedientes quanto aos mandamentos do Senhor, não há amor por eles. Se nós mesmos infringimos a Lei do Senhor, também não nos amamos, mas devotamos o amor a outro: o pecado. Qualquer tentativa de se justificar a rebeldia, práticas e comportamentos antibíblicos usando o amor como alegação é mentira. O mesmo serve para o sexo. Se a razão não for bíblica será como um caminhão carregado descendo sem freios a ladeira íngrime... O final, ainda que com elementos diferentes, todos sabemos como será.

Notas: 1 - Texto originalmente publicado aqui mesmo, no Kálamos, em 12 de Abril de 2011